SEXTA-FEIRA, 28-07-2017, ANO 18, N.º 6390
Isabela Quadrado
Ética no Desporto
«A vida é uma bola de sabão», 2.º classificado do Concurso Literário
15:56 - 14-07-2017
O texto «A vida é uma bola de sabão», de Isabela Quadrado (Escola Básica e Secundária de Sta. Maria, Açores), é o 2.º classificado da 5.ª edição do Concurso Literário ‘Ética na Vida e no Desporto’, promovido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, com o apoio do jornal A Bola.

«A vida é uma bola de sabão

Todos sabemos que a vida é como uma bola de sabão: frágil, instável e efémera. A racionalidade que nos carateriza encarrega-se de nos tornar conscientes deste determinismo. Talvez por isso, e na ausência de soluções físicas credíveis para alterar o nosso estatuto de mortais, deliberadamente ou não, alguns de nós passam grande parte da sua existência a tentar livrar-se da famigerada “lei da Morte”, que o nosso Camões tornou célebre. Exemplo disso é o “peito ilustre Lusitano” que deu novos “mundos ao mundo”, salgando os mares com as lágrimas de “Pessoa”, lutando contra mostrengos, enfrentando a fúria de Neptuno, ao leme de frágeis naus, onde cada marinheiro reduzia a sua individualidade à grandeza de todo um povo.

Se em relação à nossa existência pouco podemos fazer, o mesmo não acontece com aquilo que conseguimos fazer com ela. Então, façamos! Elevemos a nossa vontade tão alto como as taças que queremos levantar nos estádios ou nas pistas. Transformemos a nossa vida num hino digno de ser cantado e lembrado pelas “obras valerosas”. Imortalizemos a dignidade, a perseverança, o trabalho, o esforço, a dedicação, a honra e o mérito. Façamos deles os pilares da nossa sociedade de onde brotem sólidos princípios éticos e morais.

Tal como a vida de uma bola de sabão, a nossa pode ser curta, mas não tem que ser medíocre nem rasteira. Nas palavras de Leonardo Coimbra, o homem não deve ser “uma inutilidade num mundo feito, mas o obreiro de um mundo a fazer”. Lutemos, pois, contra a mentira, a fraude, a falsidade, as trapaças. Declinemos as vitórias alcançadas com a ajuda de simulações, da “mão de Deus”, do doping, e demais manhas e artimanhas.

Tornemo-nos dignos da admiração e respeito dos outros que, afinal de contas, são a essência da vida. São o nosso outro eu. Os outros são o nosso reflexo, os que nos veem igualmente como outros. Deixemos, então, uma imagem digna de ser refletida e multiplicada. Inspiremos aqueles que procuram exemplos e que esses se transformem também em modelos a imitar. Partilhemos o Lema Olímpico proposto por Coubertin “mais rápido, mais alto, mais forte”, lado a lado com os outros. Sejamos dignos das vitórias, honrando quem não ganhou. É este o verdadeiro desafio que enfrentamos: viver a vida com os valores que a dignificam. Como dizia Gandhi: ”Não precisamos de apagar a luz do próximo para que a nossa brilhe”.

A vida está à tua espera. O que vais fazer com ela?»

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