SEXTA-FEIRA, 28-07-2017, ANO 18, N.º 6390
Espaço Universidade
«Eles não sabem nem sonham» (artigo de Aníbal Styliano, 25)
18:35 - 30-06-2017
Aníbal Styliano
António Gedeão assim escreveu no seu fantástico poema: “Pedra Filosofal”.

Tenho a certeza de que o nosso cientista-escritor nunca ouviu falar de Gianni Infantino e vice-versa.
É obrigatório continuar a ler para se entender que “ o mundo pula e avança como bola colorida nas mãos de uma criança”.
A sedução da bola, do sonho e do encantamento.
Isso também é futebol, ou seja, um dos mais belos poemas da humanidade.
O Presidente da FIFA fazia bem em ler Rómulo de Carvalho (pseudónimo: António Gedeão).

Ao procurar entender o jogo que essas frases conseguem, evitava avançar com recuos, trocar sem mudar e sistematicamente deixar-se levar pelo vento de rumo definido por guião de cifrões.
Não sabe nem sonha mas devia saber e sonhar.
O futebol precisa de quem o potencie como património valioso, transcendendo o jogo e contribuindo positivamente para um esperanto comunicacional onde não cabem “jogadas poluidoras”.
Trata-se de uma área de criatividade, dedicação, talento e genialidade livre.

Por isso será sempre forte contradição quando a vulgaridade assume responsabilidades… dirigir e envolver talentos, pressupõe grandes e diversificadas competências.
A mediatização consegue manter situações imperfeitas, falácias, mas os efeitos acabam sempre por se revelarem faces ocultas de jogos duplos.
Para além do desporto, o negócio para manter uma relação saudável e segura não pode constituir-se como estratégia oportunista, de conjuntura, mas antes como missão sustentável para futuros melhores.
O Presidente Infantino deixou sair para a imprensa que a Taça das Confederações (organizada desde 1997; antes, em 1992 e 1995, tinha a designação de Campeonato Intercontinental) poderá ter nesta edição - Rússia/2017 – a sua última organização.
Pretende rever o formato, as datas e até eventualmente trocar essa prova por outra competição (quem sabe o Mundial de Clubes, em versão alargada).

Mais uma vez, revela sintomas de falha de direção; ou será para adiar divulgação de destinos bem guardados?!
A Taça das Confederações implica um grande investimento da FIFA e esse facto pode contribuir para o seu fim.
A prova tem alguns defeitos estruturais, como por exemplo a enorme sobrecarga para jogadores e para os clubes desses jogadores.
O Mundial do Catar (2022) é também uma herança complexa.
Escolha nunca cabalmente esclarecida, em termos de corrupção, vai também constituir mais um atropelo evitável, porquanto destrói parte do paradigma do futebol: realizar-se-á no Inverno, por causa do calor, numa região onde o futebol não tem grande tradição e desenvolvimento, numa zona de risco geopolítico.
Mundial do Catar para expandir o futebol na região?
Acreditamos mais na força dos milhões de dólares de um grande negócio para alguns mas não para o futebol e sem promover a expansão do jogo.
Naturalizações instantâneas como ocorreram no Mundial de Andebol nunca deixam saudades…
Infelizmente, ainda há quem não sabe nem sonha e continua a decidir, de forma preocupante, o equilíbrio do futebol. Equilíbrio cada vez mais instável.
Que a poesia ajude a entender a beleza e a arte do jogo como valor a preservar.
Para além disso, surgiu um ciclone reformista das regras do futebol, tradicionalmente com um International Football Association Board (IFAB) muito conservador e que agora rivaliza com a FIFA a ver quem tem mais ideias para novas e constantes alterações!
A uniformização, vício que possibilita o surgimento de uma élite de “pequenos ditadores”, tenta controlar o jogo, dominá-lo e submetê-lo às regras do mercado (seja lá o que isso for) para que o negócio, sempre muito rentável, seja o protagonista.

Esse erro concetual, essa visão míope, poderá tornar-se muito prejudicial para o desporto mas também para o negócio.
Certamente que os responsáveis gozarão de bastante imunidade e, quem sabe, de lugares de destaque em entidades internacionais especializadas em recolher demissionários.

Entre várias e autênticas bizarrias, recordo só a sugestão de considerar golo uma bola que se dirija para a baliza e que seja cortada com a mão de um jogador da equipa que defende, na sua área de grande penalidade, que não o Guarda-Redes.

De grande penalidade para golo trata-se de um salto imenso. Validar um golo numa bola que nunca entrou na baliza (não-golo) não será uma incrível validação por decreto?

Estamos esclarecidos mas sempre motivados para defender o que o futebol nos ensinou: a liberdade com responsabilidade.



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