QUINTA-FEIRA, 22-06-2017, ANO 18, N.º 6354
Espaço Universidade
Sem retorno (artigo de Aníbal Styliano, 24)
08:09 - 09-06-2017
Aníbal Styliano
“Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende”.
Leonardo da Vinci

Foi presente ao Ministério Público uma denúncia anónima sobre eventual esquema de corrupção de árbitros no futebol.

A queixa seguiu para o DIAP de Lisboa.
A FPF, LPFP, APAF (entre outros) devem naturalmente promover a máxima colaboração para o apuramento dos factos.

Chega de casos que se transformam com o tempo em “arremessos de esqueletos” porque não resolvidos atempadamente e de forma conclusiva.
Ao longo dos anos, o futebol tem sido vítima, de constantes suspeições, cada vez mais densas, cada vez mais desprestigiantes.
A violência (com consequências negativas e trágicas) tem sido alimentada pelo desperdício de responsabilidade, por vaidades mesquinhas, pela incrível falta de capacidade e de ação preventiva, bem como por desajustes e atrasos na aplicação de sanções que potenciam clima de guerrilha permanente, mantendo “em lume brando” fogueiras que queimam tudo ao redor…
O futebol e a maioria de inocentes não merecem essa falta de rigor e de bom senso.
A partir de acusações públicas do diretor de informação de um clube (uma exigência de todos os cidadãos – denunciar à justiça crimes de corrupção) não podem continuar mais silêncios intoleráveis.
Não bastam desmentidos na imprensa, insultos, processos de intenções, declarações contraditórias inflamadas.
A partir de agora não se pode parar.
Uma decisão célere, inquestionável porque competente, sem lacunas e omissões, é o mínimo que se exige e se aguarda. Nunca confundir o essencial com o acessório.
A justiça com transparência e clarificação é condição indispensável para o presente e o futuro, possibilitando um início de época que já revele indícios significativos para uma nova fase mais positiva e com salvaguarda da dignidade.
Errar é humano. Corrigir o erro um desafio inevitável.
Ninguém pode “atirar pedras” e continuar a esconder-se.
Há nomes de protagonistas, entidades, “códigos” e procedimentos que aguardam por uma aturada investigação, com resposta eficaz e inequívoca.
Prestigiar quem cumpre e condenar os prevaricadores.
Não se devem permitir momentos de “faz de conta”, decisões paradoxais e contraditórias, prolongamentos, sucessivos adiamentos com recursos processuais e de prazos, que se perpetuam esvaziando sentidos e favorecendo condições para “triunfo de impunidades”. Georges Orwell escreveu um livro sempre atual: ”O Triunfo dos Porcos”.
Não há retorno.
Este jogo só pode terminar com uma vitória clara e decisiva. Não há possibilidade de empates nem de acordos “sem cavalheiros”.
Tem a palavra a verdade (desportiva e não só) e quem tem a responsabilidade de a defender por todos os meios e esforços.
Só assim se poderá olhar de frente e com firmeza quem sempre se tenta esconder “nos intervalos da chuva”, quem cria tempestades verbais ocas (ou mesmo “canalhices” como divulgar publicamente conversas assumidas como privadas com um presidente de clube) para distrair atenções, desfocar a paisagem e alienar, sem se conseguir afirmar como exemplo positivo.

Sem lei, sem justiça, nem verdade e transparência, criam-se condições para o caos destrutivo que subverte os valores e a ética.
Os clubes, todos os clubes, merecem e devem exigir um tratamento semelhante, independentemente dos conhecimentos privilegiados, da maior ou menor proximidade com instituições do poder, ou da grandeza dos seus orçamentos.

Tratamento diferenciado é sinal de atraso civilizacional, de hipotecas mentais e de dúvidas sobre “seitas secretas”.
Um país onde a lei não for igual para todos, onde se potencia o medo, a cumplicidade, a corrupção, envergonha-se, atrofia-se, e será sempre um atentado à cidadania.
Agora não pode mais haver indiferença.
Tem a palavra (e a posse da bola) a JUSTIÇA.
O triunfo do futebol é o único resultado desejado.



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