DOMINGO, 25-06-2017, ANO 18, N.º 6357
João Marreiros
Olimpismo
Olímpia – A Partida na Corrida do Estádio (artigo de João Marreiros, 4)
21:31 - 03-05-2017
João Marreiros
A imaginação grega criou numerosas e belas lendas para explicar a origem dos Jogos, contudo não se conhece a data precisa em que se celebravam os mesmos, segundo o calendário atual.

O que se sabe é que se celebravam durante o Verão, na época de intensos calores e sempre na Lua Cheia que se segue ao Solstício de Verão. Também se sabe que eram quinquenais, ou seja, tinham lugar no princípio de cada quinto ano, portanto depois de passarem quatro anos completos desde os últimos Jogos. Assim, celebravam-se cada 49 ou 50 meses alternativamente.

Quando a celebração coincidia com o mês de Apolo, a seguinte realização dos Jogos teria lugar no mês da Virgem, que era o mês que se seguia.

Existem diversas teorias para determinar qual, em relação aos meses atuais, correspondem os de Apolo e da Virgem, mas parece provável que correspondam aos meses de Julho e Agosto.

Os concorrentes depois de jurarem a sua condição de gregos isentos de qualquer pena, comprometiam-se a observar rigorosamente o regulamento dos Jogos e acatar a autoridade dos Juízes (Helanódicos) que se sentavam a meio do estádio, munidos de uma vara, com a qual, não muito frequente, puniam um atleta que cometesse qualquer falta.

Competiam todos nus, sendo distribuídos por séries, e os vencedores desses pequenos grupos concorriam posteriormente com os restantes triunfadores, de novo agrupados em novas séries de onde saíam novos vencedores. E assim sucessivamente, até à final, cujo vencedor se tinha automaticamente transformado num herói, merecedor de contemplação dos deuses e que, como triunfador, era coroado com um símbolo feito com pequenas ramadas de oliveira.

Em torno do Estádio havia uma vasta plantação de oliveiras, e os seus ramos deveriam ser cortados por adolescentes, desde que não fossem órfãos, para a confeção da coroa que premiaria os vencedores da corrida. Este símbolo era colocado depois, aos pés da maravilhosa estátua de Zeus Olímpico, esculpida por Fídias.

Por outro lado as mulheres tinham Jogos à parte, criados segundo a tradição, por Hippodame, filha de Oenomaos, duma beleza extraordinária, conquistada pelo amor de Pélops, com quem viria a casar.

De quatro em quatro anos, 16 donzelas solteiras e virgens teciam para Hera uma túnica, e celebravam também os Jogos.

Só tinham uma prova, uma corrida a pé feita em cinco sextos do Estádio (500 pés de Hércules, o equivalente a 160,22 metros). Realizavam a corrida 14 dias antes, ou depois dos homens competirem.

Com os cabelos soltos, uma túnica um pouco acima do joelho e com o ombro direito descoberto até à altura da mama, elas corriam divididas em três categorias de acordo com a idade. Também as vencedoras eram coroadas com coroa de folhas de oliveira e um pouco da vaca sacrificada a Hera.

Na partida da corrida do Estádio, os corredores colocavam-se de pé, numa linha de partida com ranhuras triangulares paralelas, que permitiam aos concorrentes firmarem-se, mantendo os pés nessas ranhuras sobre uma laje de mármore com 48 centímetros de largura e com um comprimento compreendido entre 110 e 145 centímetros.

O comprimento entre a linha de partida (Achesis) e a linha de chegada (Terma), distava 192,27 metros, que, segundo a lenda, esta distância foi medida em Olímpia pelo próprio Hércules, sacerdote de Zeus, que conseguiu correr a distância de 6OO pés, sem ter respirado.

Nos dias de hoje, existem no lado Nordeste 22 lajes com o comprimento total de 28,25 metros, e no lado Sudoeste (local onde se encontra a Cripta) 21 lajes com o comprimento total de 23,90 metros.

O sinal de partida dava-se através de um grito, ou utilizavam uma trombeta em forma de cone, que se chamava "Salpinx".

Os que saíam antes do sinal eram castigados nesse mesmo instante pelos Juízes que vestiam de púrpura escarlate e atuavam em grupos de três.

Tal como a Milha foi a medida que deu origem à distância de todas as corridas do programa olímpico, o Estádio foi a unidade de medida das corridas da Grécia Clássica.

As distâncias efetuadas eram as seguintes: Estádio (776 a.C.) 192,27 metros; Diaulo 2 Estádios (724 a.C.) 384,54 metros; Dólico 24 Estádios (720 a.C.) 4.614,48 metros.

Como a pista não dispunha de zona curva, os corredores que participavam nas corridas de fundo, tinham que dar no final de cada reta uma volta por detrás de uns postes que se encontravam espetados nas linhas da meta e da partida, num orifício quadrado, com 10 centímetros de lado, a uma distância de 1,25 metros uns dos outros (4 pés de Hércules).

O primeiro vencedor conhecido da corrida do Estádio na história dos Jogos da Antiguidade, foi Korebos, comerciante de Elis, tendo sido recompensado pela sua vitória, com uma coroa de oliveira brava, árvore simbólica de Hércules, e com uma estátua no Altar de Altis, bem como as grandes honrarias que aguardavam o atleta vitorioso na sua cidade. Esta corrida do Estádio foi a única que se disputou nas primeiras treze edições, ou seja de 776 a.C. a 724 a.C.

A última disciplina olímpica que se conhece como fazendo parte dos Jogos da Antiguidade, foi a “Hoplitodromia”, ou corrida de atletas armados com o seu pesado equipamento militar, que compreendia capacete, escudo, lança e sabre. A sua introdução data do ano de 520 a.C.

A Era Olímpica Antiga terminou no ano 393 d.C., na 293ª Olimpíada, devido à proibição dos Jogos por parte do Imperador Teodósio I, com um édito publicado no ano de 392 d.C., a pretexto de serem "Festas Pagas".

João Marreiros é Professor Auxiliar no Ensino Universitário

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