SEXTA-FEIRA, 26-05-2017, ANO 18, N.º 6327
Aníbal Styliano
Espaço Universidade
Nunca te esqueças (grita-nos a Memória do futebol) (artigo de Aníbal Styliano, 16)
23:54 - 23-03-2017
Aníbal Styliano
Sem memória é como viver sem rumo.

Para se poder avançar para o desenvolvimento é necessário talento, esforço, organização e conhecimento alicerçado.

Esse conhecimento advém também da investigação e da partilha.

Uma das maiores riquezas da humanidade é precisamente a capacidade em divulgar informações, em aprofundar, por conta própria, incertezas e sucessivas descobertas no permanente jogo do esclarecimento e da dúvida.

O futebol, como todas as paixões, desencadeia processos específicos, imparáveis, inexplicáveis.

Querer saber mais, como se chegou aqui, quem fez e como fez, o que ajuda a fazer melhor, episódios únicos e testemunhos na primeira (na segunda e na terceira) pessoa, são alguns dos "mistérios" e ansiedades que muitos procuram desvendar.

Em cada clube poderia haver um departamento (um grupo) para assumir a defesa do património específico e guardar factos que de outro modo se poderão perder para sempre. Lamentável e empobrecedor.

Com as novas tecnologias já são necessárias caixas, grandes espaços, imenso papel, pois tudo pode ficar guardado numa dimensão virtual, sempre preparada para fazer regressar a vida de cada época, os contextos e os seus intervenientes diretos.

Catalogar e guardar por datas, por temas, por categorias, por clubes, nunca foi tão fácil e tão sedutor.

Posso afirmar que é um processo motivante. e reconfortante.

Conheço vários investigadores do futebol (e não só) que em grupos nas redes sociais, em contínuas publicações sempre excecionais, revelam factos que nos encantam e surpreendem.

Alguns fazem-no em discurso direto, outros recordando o que ouviram aos seus familiares, outros mediante pesquisas de grande mérito.

Sei que já houve, no passado, tentativas para estruturar uma rede, uma entidade, que conseguisse filtrar, tratar e divulgar os vários tesouros que se encontram diariamente.

Por incrível que possa parecer a muitos, nunca se conseguiu nada, as reuniões acabaram sempre infrutíferas.

As entidades governamentais que tutelam o desporto, a FPF, entre outras, são as que têm maiores responsabilidades em dar passos significativos para que se concretizem ações e projetos de preservação de Memórias do nosso futebol.

Por cada referência ou facto que se perca definitivamente (e esse risco é diário) ficámos mais pobres e mais atrasados.

Podia citar uma lista vasta de investigadores de futebol, uns mais ligados a clubes, outros de forma mais geral e envolvente, mas todos com uma capacidade e rigor que aperfeiçoam com paixão diária (muitas vezes se equiparam a elevados graus académicos e profissionais).

Assim se aprendem factos que poucas pessoas sabiam, decisões e obras que continuam esquecidas e que tanta ajuda podem sempre aportar.

Mais do que reconhecimento público, precisamos de uma entidade com coragem, competência, capacidade e disponibilidade, para integrar todos estes tesouros e relíquias e enquadrar essa ação, de forma sistemática, coordenada e eficaz.

O movimento associativo é, por si só, uma prova de excelência em servir a sociedade.

Um país que conhece a sua história, que sabe de onde veio, que compreende a sua forma de estar, o que fez e o que pode fazer melhor, consegue evitar repetições de erros, perdas de rumo, o que é sempre uma boa estratégia para evitar desperdícios, alguns catastróficos, ainda que quase sempre impunes.

Triste sina nossa (que tarda em ser corrigida).

Mais do que identificar grandes investigadores (uns jovens, outros com mais idade, todos atuais), sugiro visitem as redes sociais e consultem artigos fantásticos que despertarão, de imediato, a atenção e a vontade em querer saber mais.

Sem dificuldade, no facebook ( enão só) descobrirão contributos, investigações e grupos com grande valor, sempre imparáveis.

A todos os que diariamente me ensinam mais, a minha gratidão e apoio para continuarem.

NUNCA TE ESQUEÇAS (grita-nos de novo a Memória do futebol).

Será que esse grito não incomoda quem o dirige e quem tem a obrigação de o saber defender, e muito particularmente proteger dos riscos graves que o cercam constantemente?

Continuo a pensar que o conhecimento da História pode ser muito útil inclusive como eficiente defesa perante adversários poderosos, alguns utilizando meios nem recomendáveis, nem legais: a corrupção não desaparece só por que se deixa de falar nela.

O que se conhece ganha sentido.

Para os mais novos, sugiro que escrevam os episódios contados e vividos pelos membros das suas famílias; certamente descobrirão um bom primeiro passo para a tolerância, a responsabilidade e o carácter, com grande coesão da equipa "família": conceito que o desporto em geral, e o futebol em particular, conseguem alargar de forma imparável.

Aníbal Styliano é Professor licenciado em História; treinador de futebol nível IV UEFA Pro Licence; diretor pedagógico da Associação de Futebol do Porto; membro da comissão de formação da Federação Portuguesa de Futebol e do conselho consultivo da Associação Nacional de Treinadores de Futebol.

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