QUINTA-FEIRA, 29-06-2017, ANO 18, N.º 6361
João Marreiros
Olimpismo
Como nasceu a Academia Olímpica Portuguesa (de Portugal) - (artigo de João Marreiros, 2)
00:17 - 19-03-2017
Com a aproximação do ato eleitoral da Academia Olímpica de Portugal agendado para o próximo dia 21 de Abril, deixamos aqui, para memória futura, como nasceu a Academia Olímpica Portuguesa (de Portugal).
Criada em 4 de Dezembro de 1986, esteve em preparação desde o ano de 1985. A par de Celorico Moreira e Vasco Lynce, que visitaram Olímpia nos anos de 1983 e 1984, respetivamente, na 4ª Sessão de Membros e Quadros dos Comités Nacionais, e na 6ª Sessão para Educadores, na qualidade de Presidente da Comissão de Atletas, indicado pelo Comité Olímpico Português (COP).

Também Carlos Cardoso da Comissão Executiva do COP em 1985 que esteve presente na 6ª Sessão de Membros e Quadros dos Comités Nacionais foi um dos principais responsáveis pela preparação do arranque da AOP, além de Fernando Machado, que sempre apoiou esta iniciativa, na altura membro da Comissão Executiva do COP.

Com o objetivo da criação da Academia Olímpica Portuguesa (AOP), o COP dirigiu convite a todos os bolseiros que nos últimos 25 anos tinham passado por Olímpia, desejando reuni-los no Seminário integrado nas comemorações dos 10 anos de funcionamento do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) do Porto.

Desenrolou-se o mesmo de 12 a 14 de Junho de 1986 organizado por aquela instituição universitária, com a colaboração do COP, sob o tema "Olimpismo Paz e Educação".

Assim o COP teve com eles uma sessão debate, que se realizou no dia 13 de Junho de 1986, pelas 14:30 horas, com o propósito de estudar a possibilidade da criação duma AOP. Foi criada uma Comissão composta pelos seguintes seis elementos:

Aníbal António Justiniano (Bolseiro em 1962 e da área do Porto); César Pegado (1965-Coimbra); Manuel António Ribeiro da Silva (1966-Porto); Maria Emília Azinhais (1978-Lisboa); Fernando Freitas (1978-Lisboa) e Mário Martins (1984-Coimbra).

Os seis antigos bolseiros de Olímpia, regionalmente repartidos pelas áreas do Porto, Coimbra e Lisboa, reuniram-se em 20 e 21 de Setembro de 1986, nas instalações da Casa Municipal de Desporto de Coimbra, com a participação do representante da Comissão Executiva do COP, Vasco Lynce, com o objetivo de analisarem a regulamentação estatutária previamente elaborada pelos elementos da já mencionada Comissão.

Foi assim realizada a 1ª Reunião da Comissão Instaladora da AOP, cujo resumo da Ata-síntese foi o seguinte: Participantes (Membros da Comissão Instaladora) – Aníbal Justiniano e Ribeiro da Silva, só no dia 20; César Pegado, Mário Martins, Emília Azinhais e Fernando Freitas, presentes nos dois dias, tal como Vasco Lynce. Estiveram ainda presentes no dia 21, como observadores, Orlando Azinhais e Wanda Félix.

Foi deliberado que os trabalhos desta primeira reunião se centrariam na elaboração do Regulamento da AOP, cuja discussão do articulado baseou-se na análise do Regulamento Provisório da Academia Internacional Olímpica (AOI) de 1962 e do Regulamento Interno do COP de 1974. Durante os trabalhos redigiu-se o “borrão” de Regulamento da AOI.

Curiosamente nas conclusões desta primeira reunião ficou a questão em aberto sobre a designação da Academia: Academia Olímpica Portuguesa ou Academia Olímpica de Portugal?

Só passados seis anos, em 1992 é que deixou de se designar por Academia Olímpica Portuguesa e passou a designar-se por Academia Olímpica de Portugal.

Também na alínea a) do Ponto 3 das Conclusões pode ler-se que poderão ser membros da AOP, todos os membros, antigos e atuais, da Comissão Executiva do COP. Com o pressuposto de uma integração na estrutura do COP em 21 de Setembro de 1986 foram delineados os primeiros objetivos da AOP.

Em 1 de Novembro de 1986, também na Lusa-Atena em Lisboa, realizou-se mais uma reunião com o objetivo da criação da AOP.

Esta Academia deveria desenvolver trabalhos de estudo, sobre temas tão variados, quer a nível interno, quer a nível externo, englobando os aspetos históricos, técnicos, jurídicos e artísticos do Desporto, que tinham ao longo desses anos servido de ligação cultural entre todos os que se dedicavam à divulgação do Olimpismo, como movimento em constante evolução.

Assim, em Assembleia Plenária do COP, realizado no dia 4 de Dezembro de 1986, foram aprovados por unanimidade, as alterações estatuárias propostas onde se incluía no ponto 1 (Serão Membros Ordinários), a alínea f) – A Academia Olímpica Portuguesa.

A partir daquela data, a AOP passou a estar legalmente constituída como um dos órgãos do COP, sendo assim o culminar de um impulso, duma vontade, dum interesse, dum empenho e esforço dos que andavam, e alguns ainda andam, ligados ao fenómeno do Olimpismo, e que desejavam há alguns anos. Deste modo sentiram-se orgulhosos por terem sido recompensados com a criação da Academia Olímpica Portuguesa no dia 4 de Dezembro de 1986, um marco histórico na história do Olimpismo em Portugal.

Posteriormente, em 22 de Dezembro de 1986, foi realizada mais uma reunião, desta feita no Porto. Quer esta reunião, quer a reunião do passado dia 1 de Novembro, tiveram como intuito o dar cumprimento, não só à solicitação do COP, mas também aos objetivos do trabalho que se propuseram levar a cabo, tendo sido apresentado um projeto de Regulamento e Estatuto da AOP, para poderem ser incluídos no Estatuto do COP.

A Comissão composta pelos seis bolseiros e por nomeação do Comité Executivo do COP passou a Comissão Instaladora, integrada de mais dois elementos da Comissão Executiva, Miguel Nobre Ferreira e Vasco Lynce, cujo mandato cessou no final da Olimpíada, no ano de 1988.

Deste modo competiu à Comissão Instaladora elaborar um plano de trabalho a curto e médio prazo, no sentido de não só criar uma estrutura e regulamentos próprios, como programar e realizar um conjunto de ações ao longo do ano de 1987, no sentido de estudar, sensibilizar e difundir os Ideais Olímpicos.

A Comissão Instaladora solicitava a todos os antigos e atuais bolseiros da AOI, no sentido de estarem atentos e despertos para todas as formas de colaboração que lhes iriam ser solicitada, como sendo ainda poucos e precisando da ajuda de todos. Para tal a AOP tinha de ser um órgão atuante e influente no Olimpismo em Portugal. Solicitava ainda àquela Comissão para os elementos se manterem informados sobre o que estava a ser feito.

A criação da AOP vem assim proporcionar aos atletas, professores, dirigentes, estudiosos e amantes da Causa Olímpica em Portugal, a possibilidade, com melhores bases teóricas de promoverem a expansão dos seus ideais.

Em 15 de Fevereiro de 1987 teve lugar em Coimbra uma reunião preparatória da Comissão Instaladora, tendo posteriormente reunido nos dias 3 e 4 de Abril do mesmo ano em Lisboa, na sede do COP no seguimento da reunião do passado dia 15 de Fevereiro. Uma outra reunião foi realizada no dia 22 de Maio de 1987, também em Lisboa, no seguimento da reunião do passado dia 15 de Fevereiro. O objetivo destas reuniões era a elaboração do Projeto de Regulamento Geral da AOP e a aprovação do Regulamento Interno e do Programa de Atividades para o ano de 1987.
Em 7 de Julho de 1987, o COP convocou os seus membros para uma reunião da Assembleia Plenária a realizar no dia 16 de Julho na Sede Social na Rua Braamcamp. Curiosamente na ordem de trabalhos, mencionava a aprovação, de acordo com o Artº 39º do Estatuto do Regulamento Geral da AOP. Foi então aprovado nessa reunião o Regulamento da AOP, depois de já ter sido incluída nos Estatutos do COP.

E foi deste modo, que no dia 24 de Outubro de 1987, a Comissão Instaladora da AOP realizou a 1ª Reunião Olímpica, na Casa do Médico do Porto cuja Convocatória nº 1/87 para a 1ª Reunião Plenária, tinha o seguinte teor:

Na sequência dos trabalhos que a Comissão Instaladora da Academia Olímpica Portuguesa tem vindo a desenvolver, convoca-se Vª Ex.ª para a 1ª Reunião Plenária, que terá lugar nos próximos dias 12 e 13 de Dezembro, em Troia, com a seguinte Ordem de Trabalhos: 1 – Informações; 2 – Ratificação da proposta da Comissão Executiva do Comité Olímpico Português, da passagem da Comissão Instaladora da Academia Olímpica Portuguesa, a Conselho Diretivo Transitório; 3 – Apresentação, discussão e aprovação do Plano Anual de Atividades e Orçamento. Lisboa, 12 de Outubro de 1987. O Presidente do COP, Fernando Lima Bello.
Assim, aos 24 dias do mês de Outubro de 1987, nas instalações da Casa do Médico, no Porto, reuniu a CI da AOP, com a presença dos seguintes membros: Lima Bello, Emília Azinhais, Ribeiro da Silva, Fernando Freitas, César Pegado, Vasco Lynce, Aníbal Justiniano e Mário Martins.
Analisadas diversas hipóteses quanto ao «arranque formal» da Academia, foi decidido solicitar à Comissão Executiva do COP a convocação de uma Reunião Plenária da AOP, para os dias 12 e 13 de Dezembro de 1987, em Troia, com a seguinte Ordem de Trabalhos: 1 - Informações da CI da AOP; 2 - Ratificação da proposta da CE do COP sobre a passagem da atual CI da AOP a Conselho Diretivo transitório, até às eleições a realizar conforme Regulamento Geral da AOP (em Abril de 1989); 3 - Discussão e aprovação do Plano Anual de Atividades e Orçamento da AOP; 4 - Discussão e aprovação de propostas para a admissão de novos membros da AOP.
Para cumprimento do ponto n.º 2, deliberou-se solicitar à CE do COP a apresentação da proposta referida, que garantisse o arranque das atividades da AOP em 1988, entrando a Academia na normalidade diretiva a partir de 1989, ano em que, de acordo com o seu Regulamento Geral, se deveriam realizar eleições para o período 1989 a 1993.
No que diz respeito ao Plano de Atividades para 1988, deliberou-se que os temas em discussão em Troia fossem os seguintes, sem prejuízo de outros que o plenário julgasse de interesse abordar:
Sessão Anual da AOP; Bolsa de estudo para frequência da Academia Olímpica Internacional; Comemorações do Dia Olímpico; Participação nas atividades da «Operação Juventude»; Atividades de divulgação da «ideia olímpica»; Reuniões de sensibilização dos membros da AOP.
Para cada um destes aspetos, a Comissão Instaladora apresentaria ideias-base à Reunião Plenária. Entre elas, destacavam-se as que diziam respeito à Sessão Anual de 1988, sugerindo que a realização fosse na cidade de Lamego, de 5 a 9 de Abril, para um máximo de 25 indivíduos de idades compreendidas entre os 18 e 35 anos.

Quanto às comemorações do Dia Olímpico em 1988, tentar-se-ia realizar um programa de atividade em Coimbra, em meados de Junho, aproveitando a oportunidade para a AOP se associar ao Centenário da Associação Académica de Coimbra.

Sobre as Bolsas de Estudo para a AOI, decidiu-se que vigorasse o esquema tradicional ainda no próximo ano, de acordo com o regulamento do concurso de atribuição que tinha sido recentemente divulgado, para em 1989 a atribuição se processar de forma diferente, em princípio entre os participantes na Sessão Anual de 1988 da AOP, os quais serão convidados a candidatarem-se.

Foi ainda sugerida a hipótese da Direcção-Geral de Desportos reforçar o seu apoio ao envio de portugueses presentes anualmente em Olímpia.
O presidente da Comissão Instaladora da AOP agradeceu à Casa do Médico a colaboração dispensada, ao colocar à disposição as suas excelentes instalações, que foram atentamente visitadas por todos os participantes na reunião. Manifestou, ainda, a sua satisfação pelo bom ritmo dos trabalhos. Ficou marcada para o fim da tarde de 11 de Dezembro, em Lisboa uma nova reunião da Comissão Instaladora da AOP.

A 1ª Reunião Plenária da AOP realizou-se no fim-de-semana de 12 e13 de Dezembro de 1987, em Troia. Com ela cessou o trabalho que a CI se propôs levar a cabo, face à solicitação da Comissão Executiva do COP.
O balanço dessa tarefa foi francamente positivo, pois foram atingidos todos os objetivos que haviam sido definidos e que num prazo de tempo que, de início, talvez não se pensasse conseguir. Para além da inclusão da AOP nos Estatutos do COP e da aprovação do Regulamento Geral, a realização desta reunião constituiu mais um marco histórico na vida da AOP.

Ainda que o número de participantes não tenha sido ainda o desejável o que, de certo modo, se compreende nem por isso aquela reunião deixou de construir um importante acontecimento, não só pelo interesse e nível das intervenções, como pelas decisões já tomadas relativamente ao futuro. Participaram nos trabalhos os seguintes elementos:

Fernando Freitas, Mário Martins, César Pegado, Ribeiro da Silva, Vasco Lynce, Fernando Machado, David Sequerra, Alberto Quádrio, Lima Bello, Eduardo Trigo, Fernando Monteiro, Aníbal Justiniano, Sílvio Rafael, Teresa Sardoeira, Trovão do Rosário, Orlando Azinhais, Fernando Ferreira, Emília Azinhais, Vicente Moura, Ernesto Matos Soares, Miguel Nobre Ferreira, Paulo Silva Dias e Rui Duarte.

Pelo seu significado e importância, saliente-se a passagem da CI a Conselho Diretivo, cuja composição ficou como se segue:
Presidente: Fernando Lima Bello; Deão, Fernando Freitas; Secretário, Mário Martins; Tesoureiro, Maria Emília Azinhais; Vogais, Aníbal Justiniano, César Pegado, Manuel Ribeiro da Silva, Vasco Lynce e Miguel Nobre Ferreira.

Quanto aos assuntos constantes da Ordem de Trabalhos, os participantes reuniram-se em pequenos grupos, tendo-se debruçado e apresentado propostas relativamente aos quatro pontos do Plano de Atividades para 1988. Esses pontos diziam respeito a: 1. Sessão Anual; 2. Regulamento de Bolsas de Estudo; 3. Comemorações do Dia Olímpico; 4. Divulgação e Promoção.

Todas estas propostas foram analisadas pelo Conselho Diretivo que, para o efeito, reuniu em Coimbra no dia 23 de Janeiro de 1988. Dali saíram as linhas orientadoras da atividade da AOP para o ano de 1988.

De salientar também a aprovação pelo Plenário, por unanimidade e aclamação, da proposta do Conselho Diretivo da AOP para a admissão, como membro, de Fernando Machado. A justiça de tal admissão, pelo esforço e empenho desenvolvidos ao longo de anos para que a AOP fosse uma realidade, dispensaram quaisquer justificações: «Sr. Fernando Machado! Seja bem-vindo. Desejamos continuar a contar consigo. A Academia Olímpica Portuguesa está-lhe agradecida e honra-se de o ter entre os seus membros.»

O encerramento dos trabalhos teve a participação do Subdiretor-geral dos Desportos, João Boaventura, bem como de David Sequerra, Secretário-geral do COP e Vicente Moura, membros da Comissão Executiva do COP.
Acrescentamos ainda o programa da 1ª Sessão Anual da AOP que, ao contrário do sugerido anteriormente para a cidade de Lamego realizou-se em Vila Real de 7 a 11 de Setembro de 1988 nas instalações da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro: A Academia Olímpica Internacional e a Academia Olímpica Portuguesa; Olimpismo; História; Filosofia; Princípios; Ideologia; Administração; O Olimpismo ao longo do Século XX, Realidade atual e perspetiva futura; Os efeitos do esforço físico na infância e adolescência.

Desde 4 de Junho de 1992, que na Assembleia Plenária do COP, foi integrada a AOP como organismo autónomo, tendo por proposta de Carlos Cardoso, sido alterado o nome de Academia Olímpica Portuguesa para Academia Olímpica de Portugal, designação que se mantém até aos dias de hoje.

João Marreiros é Professor Auxiliar no Ensino Universitário

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