DOMINGO, 23-04-2017, ANO 18, N.º 6294
Manuel José
Futebol
«Luta pelo título será de metralhadora», analisa Manuel José
21:33 - 17-03-2017
Manuel José continua cáustico e frontal com os acontecimentos do futebol português. E disso deu conta esta noite, numa homenagem de que foi alvo pelo Núcleo de Aveiro da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), que celebra 20 anos de existência, por ter colocado um ponto final na carreira de treinador. O técnico encerrou a sua atividade com um total de 23 títulos, dos quais 20 alcançados em África (quatro Ligas dos Campeões, igual número de Supertaças daquele continente, seis Ligas do Egito, duas Taças daquele país e quatro Supertaças) e três em Portugal (uma Taça, uma Supertaça e um título da II Divisão). Só José Mourinho supera o técnico de 70 anos, com 24 troféus.

- Fica satisfeito por ter sido alvo desta homenagem?
- É uma satisfação, acima de tudo reencontrar gente que andou e anda no associativismo. Há quase 40 anos que andamos nisto… Comecei no associativismo na associação que precedeu a ANTF, com José Maria Pedroto, Fernando Vaz e eu no Conselho Fiscal, depois na ANTF, a mesma coisa. Nunca quis ser presidente, nem tinha vida para isso. É uma satisfação ver que o associativismo não morreu e que estes núcleos são importantíssimos para tentar aglutinar os treinadores e fazer-lhes perceber que independentemente das ambições e necessidade de trabalhar, a vida de treinador é um emprego normalmente precário, de curto prazo, dependente de resultados e de outras coisas que os ultrapassam. O que não pode impedir, de forma alguma, que os treinadores se unam e se encontram, é uma forma de as pessoas se aproximarem e não andarmos em divisões entre novos e velhos, de oriundos do terreno e da universidade. Somos todos treinadores, e depois é como o azeite, aquele que tiver mais talento vem para cima.

- Sente que estão esbatidas essas diferenças, entre treinadores com formação académica e os que surgem da sua experiência de terreno?
- O que me dizem é que não… Há de facto alguma animosidade entre os jovens e os mais velhos. Sabemos como hoje o futebol está. É trabalho precário, com preços baixíssimos. Há muita gente com necessidade de trabalhar, com comportamentos que, enfim, se percebem, mas que se lamentam. Estes núcleos são fantásticos para aglutinar as pessoas. Depois, cada qual luta pela sua vida.

- Observa que a Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) está mais forte?
- Sinto que a ANTF faz o trabalho que tem feito sempre… Não tenho um conhecimento profundo sobre esse tema, pois estive muitos anos lá fora. Acho que a classe se vai afirmando em todo o mundo, quase como uma classe de elite, pela sua formação, é uma boa classe de treinadores e que a ANTF tem feito um trabalho que não é perfeito, mas vai fazendo um trabalho que a dignifica.

- O que reserva o futuro a Manuel José?
- O meu futuro é sofá e televisão. De vez em quando vou dizer umas palermices à televisão todas as semanas, enquanto não me cansar e eles não se cansarem de mim. Deixei de trabalhar, apesar de ter tido cerca de 30 convites lá de fora e um daqui, da Académica. Mas por razões de ordem familiar não pude aceitar e coloquei um ponto final na carreira.

- O que o motivaria a aceitar um projeto?
- Estaria em condições físicas e mentais para trabalhar, mas nada me motivaria a regressar aos relvados. Questões de ordem familiar levaram-me a assumir esta decisão e a família é muito mais importante do que isso. Já fiz o que tinha a fazer pelo futebol. O José Mourinho conquistou 24 títulos, eu tenho 23, éramos os que tínhamos mais títulos. Outros técnicos virão para promover o futebol…

- Aproxima-se o clássico entre Benfica e FC POrto, que poderá decidir o título. Como está a acompanhar o Campeonato?
- O que se passa hoje no futebol começa a incomodar-me. Não tenho asas nas costas, nem sou religioso, e já tive vergonha de andar no futebol e hoje o futebol está a transformar-se numa coisa feia. Vale tudo para se conseguir ganhar, principalmente lá em cima para se ser campeão. Tudo serve… Esta coisa dos árbitros é algo impensável. Se fosse árbitro nunca mais apitava. Fazia greve, não no princípio, mas agora, que a época está a fechar, quando faltam 10 jornadas, é que ninguém devia dirigir jogos. A pressão sobre os árbitros para tirarem vantagem nos jogos deles e nos dos adversários é absolutamente indecente. Reparem: só se fala de arbitragem outra vez como nos anos 70, 80 e 90… É uma forma de pressão escandalosa, vergonhosa, e ninguém mexe o dedo para nada. O que fazem as entidades com responsabilidades? Zero. Empurram com a barriga ou assobiam para o lado. Ninguém mexe uma palha. Veja-se que para o ano só uma equipa se apurará diretamente para a Champions. Imagine-se a confusão que vai ser no próximo campeonato. Houve uma altura em se levou espingardas para o campo, agora vai ser de metralhadora…
Pedro Barros

comentários

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Branco_Velho
21-03-2017 14:00
Calabote? ah ah ah ah Na nova grafia do "português" oriundo do Brasil, grafa-se Manuel Oliveira. Quanto ao Manuel José, que continue assim, sem papas na língua. Força Manuel!!!
Áquila
20-03-2017 20:37
ALM, vives em que planeta? Tb quero ir para aí.
ABCXPTO
18-03-2017 13:18
Toda a gente se lembra que as pistolas foram levadas para dentro do campo num célebre jogo em Belém entre duas equipas que equipam da mesma cor.
Picamiolos3
18-03-2017 13:14
ALM. Querias que o homem fosse um chibo? Ele falou mas ninguém se interessou em averiguar. Tinhas vida nessa altura? Ou és um patego?
cards
18-03-2017 09:08
Se assim for sairemos vencedores pois temos mais e melhores "armas".
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