QUINTA-FEIRA, 27-04-2017, ANO 18, N.º 6298
José Neto
Espaço Universidade
Pelos caminhos da mudança…do sonho à realidade (artigo José Neto, 45)
16:29 - 07-02-2017
Redação
A figura do representante dos jogadores, EMPRESÁRIO, está presente desde a origem das primeiras competições, que remontam em Inglaterra desde a origem da modalidade (26 de Outubro de 1863 na Free Mason´s Tavern em Londres com a criação da Football Association).

A passagem dos empresários de Futebol de uma simples aceitação nacional para um reconhecimento internacional, tendo em conta as reformas operadas, pode ser dividida em 3 grandes períodos:

Do final do século XIX até aos anos 50, cujas principais competências se revertiam ao nível do aconselhamento para a aquisição de novos talentos e por isso se encontravam em nome dos próprios clubes.

Do início dos anos 60 até meados de 90 em que havia uma representação dos jogadores por parte de empresários, muito embora o estatuto de persona non grata fossem por vezes apelidados, devido à interposição dos negócios em causa.

A partir dos meados dos anos 90 e dada a necessidade de uma maior supervisão, começou por se verificar a profissionalização do setor e a respetiva regulamentação.

Do fenómeno provocado pelo acordo Bosman, abriu-se uma precedência que alterou de forma irreversível a relação do empresário entre os jogadores e os clubes. Acontece que Jean Marc Bosman, jogador discreto no campeonato belga, que em final de contrato com o RFC Liège acertou a transferência para o Dunquerque de França. O clube Belga reclamou o pagamento de uma indeminização, que viu não ser-lhe concedida pelo tribunal de Justiça das Comunidades Europeias, pelo facto do contrato ter expirado.

Entretanto uma nova geração de empresários surge no panorama internacional. Em 2001 estavam licenciados pela FIFA 631 empresários, estando inscritos no final de 2015 a quantidade 5722 desses agentes, considerados por algumas ligas uma relevância importante e ao mesmo tempo um mal necessário.

A atividade dos empresários pode ser vista em termos de mobilidade dos jogadores, o posicionamento dos clubes no mercado, advindo pelos serviços prestados um valor relativo e, por vezes, substancial nas comissões contratuais estabelecidas.
O surgimento dos mercados e a possibilidade de potenciação dos negócios aumentam de forma vertiginosa. O número de jogadores estrangeiros em ligas profissionais também aumentou desde 1995, em média 15% com destaque para o mercado em Inglaterra onde nos finais da época passada, apenas 172 jogadores, no total de 538, são ingleses, estando representados 159 países, incluindo Portugal em forma de crescendo.

Em Portugal, dos 485 jogadores, 268 são estrangeiros. Toda esta dinâmica com jogadores a serem colocados, em especial nos clubes de maior dimensão de forma a promover uma adequada adaptação ao futebol europeu de alto nível antes de seguirem a outros rumos competitivos e financeiros, aceleram as também cognominadas plataformas de passagem.

Assim é que os empresários nos dias de hoje assumem um papel central no fluxo de jogadores, estudando e adaptando-se às potencialidades dos mercados, para além da negociação dos contratos desportivos, reportam a sua intervenção na publicitação da imagem do jogador, intervindo noutras áreas como a jurídica, financeira e até mesmo imobiliária.

Surgem agora novos caminhos para a mudança com janelas de oportunidade no sentido de poder conquistar o futuro. No que concerne aos TREINADORES, verifica-se que cerca de 66% deixaram um caminho iniciado no princípio da época, tendo a quase totalidade rumado a novos desafios, estando porventura na base desta cisão, o peso insuportável das espectativas que acabam por deixar um rasto de intranquilidade e dúvida na equipa, surgindo as famigeradas chicotadas psicológicas. Confinando-se numa primeira instância aos maus resultados, claramente passíveis de gerar insatisfação dos adeptos, dos diretores e dos próprios jogadores, vê-se atribuída a máxima responsabilidade ao alvo mais fácil – Treinador. Como consequência deste estado crítico, começa-se a visualizar um ambiente adverso no balneário e fora dele, anotando-se algumas crises de identidade pela falta de disciplina e de coesão entre o grupo, sobrando situações acusatórias, geralmente apontadas a dedo.
Com a mudança de treinador assiste-se por vezes e numa fase imediata a obtenção de resultados positivos, tendo alguns jogadores a possibilidade de justificar a chamada à função (desculpabilizando-se), a direção do clube a prestar mais atenção ao apoio participativo sendo muitas vezes facultado ao novo técnico a abertura a novos jogadores para contratar, fazendo-se constar ainda a melhoria adicional de prémios de conquista.

Por isso, a contratação do treinador e demais estrutura técnica deve sempre estar condicionada a quem esteja contemplado de um perfil devidamente adequado á história e tradição de um clube, bem como a cultura e exigência dos seus diretores, associados e adeptos, aos objetivos de conquista e total rentabilização dessa identidade coletiva. Assim é que existem treinadores que são capazes de resultados admiráveis em clubes com determinada identidade e veem as suas valências a serem colocadas em dúvida noutras estruturas de distinta qualificação.

Por último, viram-se recentemente registados nos mercados de transferências uma autêntica renovação de ativos, JOGADORES, que procuram confirmar as suas competências, rumando a outros desafios perante os mais diversos objetivos de conquista.

Nesta época e no fecho do mercado de inverno, num total do já referido número de 485 jogadores da 1ª liga, registou-se um total de 87 entradas (67% estrangeiros e 33% portugueses) e 83 saídas (65% estrangeiros e 35% portugueses).

O espetáculo que o jogo de Futebol promove vê-se assim convertido numa ampla discussão em que por vezes o resultado no marcador, mais do que o apelo aos pontos conseguidos, reverte-se num negócio envolto numa cadeia de novos interesses em que os próprios modelos de treino assistem a novas conceções de jogo, registando novas tendências evolutivas com referência nos rendimentos dos seus intérpretes, quantas vezes rentabilizando o individual, desprezando o coletivo.

… e sabe-se quanto é a importância do coletivo num jogo de Futebol para a obtenção do êxito!... Daí o apelo ao excelente relacionamento de todos os elementos privilegiando a lealdade, uma definição correta e equilibrada de papéis, uma identidade coletiva demolidora, um sentimento de orgulho cooperante e participativo, um elevado sentido ético e profissional, devendo tudo isto estar exprimido na coragem, sinalizado na alegria, exaltado na dedicação para que a experimentação do sucesso seja um sinal de grandeza que salta do relvado para as bancadas daí arrancando para as avenidas, cantando: juntos somos vencedores!...

José Neto – Metodólogo do Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto/Futebol; Formador de Treinadores F.P.F.- U.E.F.A.; Docente Universitário.

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