QUINTA-FEIRA, 27-04-2017, ANO 18, N.º 6298
José Neto (Foto ASF)
Espaço Universidade
O que é um Bom Líder? (artigo José Neto, 44)
15:11 - 28-01-2017
José Neto
“Não fazer o que deve ser feito ou fazê-lo de forma incorreta, são males do mesmo tamanho”

“Conhecimento é saber a resposta … sabedoria é saber o melhor momento para a dar” , Albert Einstein

Ao longo do tempo e em especial a partir do início do sec. XX a questão da liderança tem sido alvo de estudo mais elaborado por investigadores da área das ciências humanas e sem que exista uma absoluta forma de a definir, acabam por qualifica-la como um processo comportamental que consistia em influenciar as atividades de uma equipa ou determinado setor no alcançar dos seus objetivos, incidindo pela influência interpessoal da autoridade exercida, associando a arte de educar, orientar e estimular os atletas na procura dos melhores resultados perante um ambiente competitivo e os desafios, riscos e incerteza colocados.

A partir de várias investigações e modelos explicativos, foi-se verificando uma evolução de conceitos, quer centrando-se no estudo dos traços de personalidade, na observação dos comportamentos assumidos pelos líderes e nas variáveis situacionais que influenciavam a eficácia de liderança centrado no carisma e na capacidade transformacional do líder na relação com os seus colaboradores.

A isto veem-se associados os atributos de personalidade, tendência para o domínio em relação com os demais, necessidade de influenciar as ideias dos outros, valorizando as motivações para o encorajamento do grupo, vendo no trabalho apelativo e estimulante uma promoção de sentimentos duma identidade coletiva.

Após um complexo e variado estudo do modelo multidimensional de liderança, diversos autores, nomeadamente Chelladurai, P. et al.; (1993), afirmam pela avaliação do modelo em causa que o rendimento ótimo e satisfação do grupo são atingidos quando os comportamentos exigidos reais e preferidos são congruentes.

Ainda referem que, á medida que os atletas vão evoluindo na idade e a sua experiência é um indicador a ter em conta, a preferência por comportamentos autocrática por parte do líder/treinador, utilizando o seu poder para influenciar, excluindo os liderados na tomada das suas decisões.

Numa fase de aprendizagem há uma preferência do estilo de liderança num clima de maior proximidade com o líder, proporcionando um clima de maior aconselhamento e apoio, vendo-se aumentados os níveis de confiança.
Em relação aos atletas masculinos e femininos parece haver um registo distinto de interesses, em que os atletas masculinos preferem um estilo mais autocrático e os femininos um estilo democrático, permitindo-lhes assim o poder participativo na tomada das decisões.

Os atletas com maior capacidade de serem bem sucedidos e com melhores níveis de rendimento, preferem comportamentos de instrução e treino, logo mais democrático por parte do treinador, sendo-lhes facultada a discussão perante os problemas, sugerindo alternativas e notável capacidade de cooperação.

Como nota importante em relação ao que foi referido, verifica-se que os atletas se sentem mais negativamente afetados ao nível da sua satisfação pessoal, quando o treinador não adota um estilo de orientação do treino e na competição que esteja desinserido daquele que é da sua preferência, podendo aqui ver considerado os casos de desportos individuais e coletivos e constituição do género, conforme definem e bem Weinberg e Gold (2001).

Deste modo torna-se fundamental elaborar uma avaliação de competências por parte dos jogadores no sentido de ver registado qual o estilo de treino mais congruente, preferido e percecionado.

Através duma escala de liderança, é possível elaborar uma disponibilidade compatível com a dinâmica a ser imprimida por parte do treinador no sentido de estudar as medidas de liderança, coesão e satisfação e constatar se os níveis de reforço e treino e instrução estão associados á coesão da tarefa e ao estilo de liderança do treinador pela capacidade influenciar ou não as condutas, sentimentos e competências nas tomadas da decisão em conjugação com o êxito obtido ou o inêxito referenciado, claramente julgado pela magna orientação do líder, que quantas vezes … “se veem a sacudir a água do capote”.

Há vantagens e desvantagens em qualquer dos estilos utilizados. O que determina se o estilo está mais ou menos apropriado são as características do grupo. Algumas posturas determinam a função para a qual se deve imprimir a dinâmica. Nesse sentido, volto a referir, torna-se imperioso caracterizar o grupo de forma categórica.

Os instrumentos mais utilizados para avaliar os comportamentos de liderança têm sido a E.L.D. (Escala de Liderança no Desporto), desenvolvido por Challadurai & Saleh, a partir do início da década de 1980 e é a partir daí que se poderá avançar com uma conduta extraordinariamente focada nos êxitos a alcançar.

A autoridade do treinador está consubstanciada à exigência de funções para quem submete às orientações técnicas, físicas, táticas, estratégicas, etc, o jovem ou menos jovem e o adulto na prática duma determinada modalidade. Por vezes a influência do treinador ultrapassa o contexto desportivo e passa a ser o conselheiro, o amigo mais próximo e por vezes, eles próprios não têm sequer consciência clara de como podem afetar os seus atletas.

Não existe um estilo padrão onde se possa processar a fundamentação para o êxito. O melhor líder é aquele que consegue o maior número de estilos e seja capaz de mudar de acordo com as circunstâncias existentes, com vista à melhoria e otimização da performance da equipa e da sua organização.

O bom líder sabe partilhar responsabilidades, divide com os seus colaboradores as decisões, dando-lhes liberdade de ação e sugestão. Por vezes, gerir comportamentos após os sucessos conseguidos, torna-se mais difícil que gerir inquietações após os inêxitos obtidos, estando a equipa mais disponível para alcançar as fontes para o sucesso por via das adversidades, convertendo-as em oportunidades.

Um bom líder consegue ultrapassar a barreira do “impossível” formulando objetivos de conquista difíceis e encorajadores, usando uma boa dinâmica comunicacional para a validação das suas competências.

Um bom líder é capaz de transpirar rigor e usar uma disciplina partilhada. Não usa as desculpas para esconder as suas fraquezas, nem os lamentos para afagar as suas ideias.

Um bom líder é aquele que não convence apenas pelo uso das palavras, mas aquele que é capaz de surpreender pelas atitudes.

Um bom líder é aquele que é capaz de reunir em cada gota de suor paixão, coerência, otimismo, empatia, consciência e razão.

José Neto – Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto/Futebol; Formador de Treinadores F.P.F.- U.E.F.A.; Docente Universitário.

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