QUINTA-FEIRA, 23-03-2017, ANO 18, N.º 6263
Gustavo Pires
Olimpismo
O Relatório do Chefe da Missão Olímpica (artigo de Gustavo Pires, 51)
22:58 - 18-01-2017
Redação
Os Jogos Olímpicos (JO) de Londres (2012) decorreram de 28 de Julho a 2 de Agosto e o Chefe de Missão - de seu nome Mário Santos -, apresentou o respetivo relatório a 30 de Outubro de 2012. O dito foi imediatamente divulgado, quer dizer, pouco mais de um mês e meio depois do termo dos JO.

Ora bem, os JO do Rio de Janeiro (2016) decorreram de 3 a 21 de Agosto de 2016 e o Relatório do Chefe de Missão José Garcia, embora se saiba que já foi entregue no Comité Olímpico de Portugal (COP), já passaram cinco meses e ainda não foi tornado público. Porquê? Do que é que o presidente do COP está à espera? Das eleições? Porquê? O relatório compromete alguém? Como é que esta situação pode estar a acontecer quando se sabe que o Relatório do Chefe de Missão é um documento de fundamental importância para corrigir as Políticas Públicas para o(s) próximo(s) Ciclo(s) Olímpico(s). O que é que o Governo tem a dizer sobre o assunto?

As anomalias são sempre significativas, por isso, este inaceitável atraso na divulgação do Relatório do Chefe de Missão significa que o COP, entre condecorações, colares olímpicos e “honoris causa”, encontra-se numa situação de profunda Paralisia Estratégica. Nestas circunstâncias, somos levados a especular que o Relatório do Chefe de Missão, perante o que se passou, em geral, durante o Ciclo Olímpico e, em especial, durante os JO do Rio de Janeiro (2016), se trata de um autêntico KO Estratégico às Políticas Públicas que, em matéria de Desenvolvimento do Desporto, têm vindo a ser prosseguida desde o XV Governo Constitucional, “brilhantemente” chefiado por Durão Barroso.

Recordamos que, ao tempo, o COP, numa decisão a todos os títulos absurda porque contra os princípios que decorrem da Carta Olímpica a que estava e está obrigado, abdicou da capacidade de, na qualidade de parceiro institucional do Governo, influenciar positivamente o desporto nacional. Em alternativa, optou por um poder fátuo, caduco e impopular, travestindo-se numa espécie de repartição pública de contabilidade ao serviço da tutela, com resultados francamente medíocres e a custos impróprios para os contribuintes que estão a pagar em duplicado o mesmo serviço.

A Paralisia Estratégica caracteriza-se por ser uma situação em que uma organização, por se encontrar diminuída do ponto de vista mental, moral e operacional, fica impedida de atuar em função do seu credo, da sua vocação, da sua missão e dos objetivos que deve prosseguir. Quer dizer, encontra-se numa situação de KO Estratégico provocado por erros internos, por forças adversas ou por circunstâncias do ambiente de dificuldades e atritos em que tem de operar. Só nesta perspetiva é possível compreender a incapacidade do COP apresentar ao País, para além do relatório do Ciclo Olímpico do Rio de Janeiro, o relatório da Missão Olímpica.

Mas, a bem ver, a situação, não se trata só do último Ciclo Olímpico. Os portugueses, que relativamente aos últimos três Ciclos Olímpicos tiveram de pagar mais de mil milhões de euros para o desporto nacional, merecem ser informados acerca da avaliação das Políticas Públicas prosseguidas que, para além de uma débil prática desportiva de base, conduziram a uma das piores prestações de sempre nos JO do Rio de Janeiro (2016).
Entretanto, toda esta situação leva-nos a reforçar a ideia de que a atual liderança do COP se encontra completamente desabilitada para garantir, com competência e de acordo com a Carta Olímpica e a Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto, o desenrolar do Ciclo Olímpico de Tóquio (2020) bem como, com a necessária dignidade, organizar a Missão aos Jogos da XXXII Olimpíada. Por isso, é preocupante que, na ausência de qualquer balanço dos resultados do Ciclo Olímpico do Rio de Janeiro e de um simples Programa Eleitoral, a atual liderança do COP já tenha dado a entender ser candidata às próximas eleições.

Ao cabo de mais de um ano de governação, perante o desinteresse do Governo em tirar o desporto em geral e o MO em particular da Paralisia Estratégica em que se encontram, construindo a prometida Nova Agenda para o Desporto, resta-nos concluir que, afinal, a anunciada nova agenda é tão só mais do mesmo, quer dizer, mais do instituído no XV Governo Constitucional chefiado por Durão Barroso cujos resultados estão bem à vista.

Gustavo Pires é professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana

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