SEGUNDA-FEIRA, 27-03-2017, ANO 18, N.º 6267
José Neto (Foto ASF)
Espaço Universidade
A Formulação de Objetivos como foco regulador para a obtenção do êxito (artigo José Neto, 43)
15:50 - 05-01-2017
José Neto
A qualificação dos objetivos de conquista é um dos focos que de uma forma bem ampla se institucionalizam no início duma determinada competição, quer seja Campeonato, Taça, etc, vendo-se associado a momentos específicos do decorrer da mesma, como agora que estamos a atravessar uma passagem de ano, no intervalo dum campeonato, ou no apuramento e discussão de fases finais de outras provas em apreço.

Para que se obtenham resultados devidamente documentados, será importante fazer uma qualificação do rendimento da equipa e dos seus constituintes, podendo ser objeto de desempenho a capacidade desafiadora da sua envolvência.

A conquista de objetivos a serem concretizados num resultado positivo, está inerente à valorização das carreiras desportivas e naturalmente às recompensas que daí advêm, muito em especial a valorização dos contratos dos seus ativos, muito em especial, agora que as transferências do mercado estão em equação. Ainda em especial atenção, o ajustamento às tendências evolutivas de novos recursos económico financeiros pelos quais permitem a aquisição e reforço de talentos, propiciando novos meios capazes de potenciar a qualidade do jogo.

A formulação de objetivos de conquista atua quase sempre como foco regulador para a aquisição de competências bem definidas: ganhar um campeonato, atingir uma final duma taça e vencê-la, subida de divisão, participar em Ligas europeias, etc., faz parte das metas prescritas ou estratégias promocionais dum bom estado de performance e sua gestão de comportamentos para atingir o sucesso.

Sempre se pode associar à causa da formulação dum objetivo, como sendo uma estratégia de mobilização de fontes energéticas e funcionais, qual dínamo condutor associado à envolvente capacidade de persistência para a conquista do pretendido, selecionando de forma mais clara os melhores meios para o conseguir.


Para além disso, quando um atleta tem a capacidade de atingir objetivos reais e coerentes de conquista, a vontade de ganhar ultrapassa o medo de falhar e está mais disponível para vencer e nesse estado de confiança reside uma capacidade energética que emerge como fonte propulsora para a admissão do êxito.

Ainda a implicação pessoal de perseguir um compromisso ajuda a ultrapassar as dificuldades que se lhe possam apresentar e a obter uma regular satisfação pelo espírito de sacrifício experienciado.

Como referimos, os objetivos variam de equipa para equipa e desta mesma, de jogador para jogador. Um jogador que que pretenda atingir o valor de internacional, tem de se preocupar em não ser apenas titular da sua equipa, mas apresentar as melhores prestações de forma continuada, jamais esquecendo que não poderá chegar ao topo sem passar pela base, sendo várias as etapas intermédias que podem ser decompostas no planeamento.

Em termos práticos, poderemos enunciar a avaliação do grau de eficácia duma equipa em termos de finalização, a percentagem do domínio de posse da bola, a valorização do resultado em situação de vantagem no marcador, a capacidade de neutralização de bola perante o adversário, etc, como em termos individuais, poderemos justificar tantos quantos os elementos necessários para constituir um ranking de sucesso na atribuição da sua prestação.

Verifica-se através de vários estudos já realizados, que uma grande parte de atletas bem - sucedidos, são mais capazes de atingir e controlar o sucesso em causas onde a estabilidade impera, o sentimento de orgulho e auto estima vigora e a experiência decorrente das participações efetuadas o regista, vendo-se aumentado o seu grau de comprometimento. Aliado a isto, a capacidade de envolvência de pessoas significativas que possuem uma identidade ganhadora, permite absorver um estado de referências positivas, pela imediata transferência de comportamentos por modelagem comportamental.

Seguindo as referências de (Hardy e Grace, 1989; Gould, 1993; Cruz 1997; Sequeira, 2007 e Neto, 2011, et al), anoto em termos práticos algumas valências ou princípios orientadores, suficientemente capazes para a consecução de objetivos de conquista:

- A dinâmica imprimida nos treinos deve sempre evidenciar sentimentos de competência de forma a promover ações tático-técnicas com base nos êxitos experimentados.

- Reforçar o apoio comunicacional, promovendo elogios verbais e não verbais onde se processe o encorajamento, apoios e outras estratégias assertivas de confronto.

- Formular objetivos de rendimento por oposição nos objetivos de resultado. O melhor jogo que termina numa derrota pode gerar satisfação se o padrão de rendimento foi elevado (esta derrota poderá ser mãe de muitas vitórias). Do mesmo modo quando um fraco rendimento termina com vitória, pode gerar insatisfação, podendo ser o pronúncio de sequentes derrotas.

- Estabelecer objetivos devidamente mensuráveis, usando fichas de avaliação capazes de obter uma classificação em termos de rankings descritivos de sucesso.

- Apurar datas bem definidas para a concretização dos objetivos, procurando uma definição clara dos mesmos, podendo e devendo ser difíceis e encorajadores, mas suficientemente realistas para serem atingidos.

- Estabelecer objetivos a curto, médio e longo prazo – época, mensais, semanais, diários, treino. A produção da eficácia está na possibilidade de transitar a conquista dum objetivo a curto prazo para a sequente evolução do comportamento. Exemplo: para efetuar um bom treino tenho de ter um bom descanso e alimentação adequada; um bom treino permite a convocatória para o jogo e um bom jogo permite a continuidade seletiva, podendo até obter a internacionalização.

- Formular objetivos positivos, de forma a selecionar o que se pretende atingir e esquecer situações para as quais devo evitar: passes positivos, remates com sucesso para o golo, jogadas padrão que conferiram o êxito, etc…

- Assegurar que os objetivos individuais não entrem em conflito com os objetivos da equipa, aditando o comprometimento pessoal na sua realização.

- Ser capaz de se auto avaliar, registando os índices de rendimento e as estratégias para os atingir. A imagem do atleta deve estar devidamente definida, isto é, transferir aquilo que é para aquilo que espera ser, revisitando o padrão pessoal de comportamento para a excelência.

A formulação de objetivos constitui sem dúvida um instrumento ou estratégia eficaz para quem pretenda ser bem sucedido, no sentido de clarificar espectativas e aumentar os índices motivacionais e ganhos de confiança, elevar as capacidades de atenção e concentração, vendo de forma mais concludente a transferência do rendimento em sucesso.


José Neto – Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto/Futebol; Formador de Treinadores F.P.F.-U.E.F.A.; Docente Universitário.

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