SEXTA-FEIRA, 23-06-2017, ANO 18, N.º 6355
José Neto
Espaço Universidade
Competições campeonatos nacionais versus Jogos de seleções (artigo José Neto, 39)
20:15 - 10-11-2016
Perante um estado de crítica referente a rendimentos superiormente (ou não), obtidos e que justificam (ou não), resultados plenamente alcançados e cujos jogadores por motivos das suas convocatórias em jogos das seleções de seus países, intervalam 7 a 15 dias o processo competitivo nos seus clubes de origem, pode ser um assunto de reflexão na planificação ou estruturação do modelo de treino desportivo a adotar.

Reportando-me apenas aos 3 clubes nacionais que mais proporcionam às suas seleções o maior número de eleitos, temos o seguinte quadro:

F.C. Porto (10 internacionais) – Danilo e André Silva, (seleção A), para jogar com a Letónia, dia 13 de Novembro; Ruben Neves e Diogo Jota, (sub 21), para jogar com a República Checa a 11 de Novembro e Holanda a 15 de Novembro; Layún, Herrera e Corona para jogar com EUA e Panamá a 12 e 16 de Novembro, respetivamente; Maxi Pereira para jogar com Equador a 10 de Novembro e Chile a 15 de Novembro; Brahimi para jogar com Nigéria a 12 de Novembro e Oliver Torres para jogar com a Austria a 15 de Novembro.

S.L. Benfica (8 internacionais) – com Pizzi e Nelson Semedo (seleção A), para jogar com a Letónia a 13 de Novembro; Gonçalo Guedes e André Horta (sub 21), convocados para o jogo com República Checa e Holanda, respetivamente a 11 e 15 de Novembro; Raúl Gimenez para jogar com EUA a 12 de Novembro e Panamá a 16 de Novembro; Lidelof para jogar com a França a 11 de Novembro; Carrilho para jogar com Paraguai a 10 de Novembro e Brasil a 15 de Novembro e Zivkovic para jogar com Noruega e Sérvia a 11 e 15 de Novembro respetivamente.

No caso do Sporting (10 internacionais) – com Bryan Ruiz e Campbell, para jogar com Trindade e Tobago a 11 de Novembro e EUA a 15 de Novembro; Patrício, Adrian, William e Gelson para jogar com Letónia a 13 de Novembro; Zeegelar e Bas Dost, para o jogo com a Bélgica a 9 de Novembro e Luxemburgo a 13 do Novembro; Ruben Semedo (sub 21), para jogar com a República Checa a 11 de Novembro e Holanda a 15 de Novembro e Coates para jogar com Equador a 10 de Novembro e Chile a 15 de Novembro.

Ora bem, jogadores a serem sujeitos a uma média de 8 a 10 dias de interrupção de rotinas presenciais de treino no seu clube de origem e pelo facto de passarem a ser enquadrados noutros perfis de exigência técnica, tática, competitiva e emocional, com distintas equipas técnicas e por vezes com diferentes objetivos de conquista, podem ver comprometidas algumas respostas comportamentais, nomeadamente ao nível do espírito de coesão de grupo, que nalguns casos o vapor do êxito propaga e aquece, e noutros casos a marca do inêxito dissimula e constrange.

Depois temos os jogos das respetivas seleções a serem realizados (quando para tal, os jogadores são ou não chamados a intervir), a definição do resultado conseguido, (positivo ou negativo) e a consequente resposta referente ao rendimento obtido, sabendo-se que em todas as situações, as consequências dum rendimento superior, conduz a futuros e melhores desempenhos, são mais desafiadores e perduram mais no tempo.

É claro que tudo isto pode ser um elemento de estudo e reflexão para a retoma de funções ao clube de origem, não falando tão pouco de uma ou outra lesão ou algo que possa ocorrer como possível indisponibilidade a curto prazo, pois como temos vindo a referir em termos de planeamento, gerir comportamentos após os êxitos conseguidos é completamente distinto de gerir frustrações após os inêxitos obtidos.

A anotar ainda os locais dos jogos realizados, as viagens de longas durações, as alterações climáticas detetadas e dos consequentes fusos horários a ultrapassar pelo jet legs existente, que globalmente conduzem a situações de dessincronização dos ritmos biológicos, gerando manifestações de fadiga, maior dificuldade de concentração, maior irritabilidade ao desgaste, maior perceção à ameaça, diminuição do estado de alerta, alteração do ritmo cardíaco, etc…

Felizmente que quer ao nível das seleções, quer ao nível dos clubes, verificamos a existência de equipas pluridisciplinares de suporte, cada vez mais autenticadas de rigor e competência técnica e científica que são autênticos baluartes na readaptação dos jogadores para a excelência.

Mas, por demais metodologias físico atléticas, fisiológicas e funcionais que se dispõem hoje em dia na recuperação desses atletas, tenho cá para mim que o estado de autoconfiança, o desejo e motivação para a partilha e consolidação dos caminhos do sucesso, o estado de alma, o espírito de equipa e o eco de presença daqueles que lhe estão próximos, ainda é capaz de provocar uma força suplementar aglutinadora para a consecução dos êxitos anteriormente obtidos e que por vezes qualquer processo por mais científico que o possa suportar ainda não consegue justificar o que à vista desarmada parece justificável.

Permitam-me uma nota de apreço muito singular para o Professor Doutor José Carlos Noronha e a liderança da Unidade de Saúde e Performance (U.S.P.) das seleções, associando-se-lhe outro craque da área da fisiologia de seu nome Professor Doutor João Brito.
Quando se tem apreço por alguém, não é fácil articular em palavras que pelo seu significado são merecedoras. Um simples olhar por vezes transforma-se numa longa viagem sentida de afeto que só o silêncio é capaz de explicar. Talvez por isso o Professor José Carlos Noronha cultive essa nobreza do seu silêncio, não um silêncio de desespero mas a expressão do esplendor que habita no seu olhar, categoricamente sereno e humilde.

Creio que todos somos ou podemos ser instrumentos facilitadores do reencontro com a vida e como sempre me habituei em converter em sentimentos de estima todos aqueles que transitam nos bons caminhos do meu relacionamento humano, olho para o Professor Doutor José Carlos Noronha e vejo uma pessoa de bem, cujos traços de identidade roça a fidalguia, negligencia a apatia, fortalece o entusiasmo e está na primeira linha para o combate do infortúnio, para ajudar a reacender a chama do sucesso. Que o digam os atletas de nível internacional de diversas modalidades (em especial do Futebol), de 35 países diferentes, do Dubai à China, da Rússia à Inglaterra, da Austrália ao Japão e é claro de Portugal e Espanha, sendo neste país vizinho e só na modalidade de Futebol, uma dúzia que experimentou através do ato cirúrgico a readmissão total das suas competências – o nosso campeão “Cristiano Ronaldo” das lesões, como de forma tão ilustrativa é conhecido.
Ainda falta explicar uma das bases fundamentais que estiveram na assunção do Éder, por um lado ao ter estado nos eleitos selecionados pelo também campeão dos campeões Fernando Santos e por outro lado, capaz de disputar com categoria e raça o jogo da final, convertendo com um golaço o sonho do Europeu, encorpando uma labareda de emoções verdadeiramente contagiantes e que jamais a história deixará de evocar. Talvez um dia … sim, um dia … talvez!...

José Neto – Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto/Futebol; Formador de Treinadores F.P.F.- U.E.F.A.; Docente Universitário

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