DOMINGO, 23-04-2017, ANO 18, N.º 6294
Olimpismo
Olimpismo Líquido (artigo de Gustavo Pires, 45)
19:15 - 10-10-2016
Ao Comité Olímpico de Portugal (COP), de acordo com a Carta Olímpica, reconhecida pelo próprio Estado português através da Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto, compete promover os princípios e valores fundamentais do Olimpismo no País “em particular nos domínios do desporto e da educação, através da promoção de programas de Educação Olímpica a todos os níveis…”.

Ao Estado, de acordo com a Constituição da República, em nome dos interesses nacionais e do direito dos portugueses à prática desportiva, compete observar o Movimento Olímpico, fundamentalmente através do sucesso das políticas desenvolvidas pelo COP de acordo com a Carta Olímpica e a própria Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto. Ao COP compete, junto dos poderes públicos, reivindicar as condições propícias, não para ganhar medalhas olímpicas, porque tal não faz parte das funções que lhe são atribuídas pela Carta Olímpica, mas para promover os princípios e valores fundamentais do Olimpismo através dos mais variados programas a fim de contribuir para a realização de uma sociedade mais justa e mais fraterna.

Assim sendo, se não faz qualquer sentido que o COP pretenda assumir-se como uma estrutura interfacial entre o Estado e as Federações Desportivas também não faz qualquer sentido o Estado, por incapacidade ou desinteresse da Tutela em cumprir a suas obrigações constitucionais, delegar competências inalienáveis no COP. As competências do COP estão bem expressas no capítulo IV da Carta Olímpica que no seu articulado não investe os Comités Olímpicos Nacionais (CONs) com competências no domínio da “preparação olímpica”. Desde logo, porque não faz qualquer sentido e é contraproducente a existência de um projeto de “preparação olímpica” à margem do alto rendimento e do próprio desenvolvimento de cada modalidade em particular e do desporto em geral. Assim sendo, não se pode aceitar a atual situação em que não se percebe onde começam as competências e as responsabilidades do COP, das Federações e da Tutela.

A partir da ideia de “modernidade líquida” desenvolvida pelo sociólogo Zygmunt Bauman diremos que a situação líquida, promíscua e pantanosa, que hoje caracteriza o Sistema Desportivo deve ser ultrapassada através de um equilíbrio dialético de interesses entre: (1º) O público e o privado; (2º) A generalização da prática desportiva e o alto rendimento; (3º) O Desporto Escolar e o Desporto Federado; (4º) A atividade física e o desporto; (5º) As modalidades que pertencem ao Programa Olímpico e as que não pertencem; (6º) Os grandes clubes e os pequenos clubes; (7º) Os grandes centros urbanos e as periferias; (8º) A economia social e a economia do lucro; (9º) As modalidades individuais e as coletivas; (10º) A Escola e o Clube; (11º) Os recursos públicos e os recursos privados, entre outras oposições. É nelas que devem ser encontradas as soluções promotoras do desenvolvimento e progresso de que o desporto nacional necessita. Por isso, seria bom que, no pântano conceptual que hoje caracteriza o discurso desportivo, em que tudo é tudo e o seu contrário. Ao mesmo tempo, seria útil que se atendesse à ideia de Heráclito (540-480 a.C) quando nos diz que nada pode ser pensado sem o seu contrário porque, na natureza, nada há de permanente a não ser o conflito gerador de evolução, de mudança, de desenvolvimento e de progresso. Só no dinamismo do conflito positivo da luta de contrários, pode ser encontrada a euritmia do equilíbrio dinâmico do desenvolvimento e do progresso do desporto. Quer dizer que, na modernidade líquida em que o desporto nacional vive, ou se encontram soluções claras suportadas em referenciais de ordem ética e moral ou o desporto caminhará para a sua própria destruição, como, em algumas situações, já se está a verificar.

Nível Desportivo. No desporto, o equilíbrio dinâmico do desenvolvimento e do progresso é-nos dado pelo conceito de Nível Desportivo. Porque, é na euritmia do conceito de Nível Desportivo que é possível estabelecer a dinâmica dos equilíbrios internos e externos dos Sistemas Desportivos de acordo com o princípio universal da harmonia dos fins prosseguidos relativamente à economia dos meios utilizados. Quer dizer que, em termos de desenvolvimento, não se trata de satisfazer o gozo da artificialidade do número de medalhas olímpicas que os dirigentes, na mais pura irresponsabilidade, gostam de anunciar ao povo, trata-se de saber se os resultados conseguidos no alto rendimento estão de acordo com a verdadeira prática desportiva que acontece no País. Porque, o rendimento sem prática caracteriza, tão só, um Sistema Desportivo fluido, volátil, incerto, inseguro, ambíguo e, consequentemente, protofascista. Então o desporto passa a ser um simples instrumento do utilitarismo lúdico com que os regimes políticos se entretêm a animar os respetivos países.

Medalhas Olímpicas. Nos últimos doze anos, nunca existiu nem interesse, nem vontade, nem coragem para, verdadeiramente, avaliar os resultados dos Jogos de cada Ciclo Olímpico a fim de determinar se os respetivos resultados pecavam por excesso ou por defeito ou se estavam de acordo com a situação desportiva real do País. Quer dizer, nunca ninguém se interessou em saber se a elite real se adequava à elite correspondente. Nestes termos, só pela mais profunda imprudência e ingenuidade se pode estabelecer que um país vai conquistar um determinado número de medalhas olímpicas ou quaisquer outros resultados sem que se considere os circunstancialismos do ambiente interno e externo em que essas medalhas vão ser conseguidas. Porque, cinco medalhas, como aconteceu em 2005, ou seis medalhas como foram anunciadas para o Rio (2016), tanto podem significar um estrondoso êxito como um retumbante fracasso. O Olimpismo não deve ser transformado num espaço de valores fluidos, de burocracia circunstanciada em que as mais deprimentes situações nos domínios da ética, do conhecimento e da cultura passam a ser legítimas no âmbito do relativismo que tomou conta da consciência social que permite que à revelia da Constituição diversos grupos sociais sejam excluídos do acesso à prática desportiva. Entre nós, a institucionalização da Casa Olímpica da Língua Portuguesa no Rio de Janeiro representa bem a dimensão líquida que caracterizou o Ciclo Olímpico do Rio de Janeiro em que o desporto deixou de estar ao serviço da generalidade dos portugueses para passar a alimentar uma cultura “Kitsch” de estética social mais do que controversa.
Desporto e Desenvolvimento Humano. Portugal não se deve envolver numa política desportiva em que procura competir com os demais países na estatística das medalhas, quer eles sejam ricos ou pobres, tenham muita ou pouca população, ou gastem muito ou pouco dinheiro com as elites desportivas. Mas Portugal deverá, em alternativa, competir com todos os países na prossecução de uma cultura de desenvolvimento de onde até podem resultar medalhas que não sejam determinadas pelo mero acaso. Para isso, o discurso do desenvolvimento tem de deixar de se sustentar numa verborreia de contradições em que, por desconhecimento dos mais simples conceitos de base relativos ao desenvolvimento do desporto, os argumentos são utilizados sem critério, sem disciplina e sem rigor, pelo que aquilo que ontem era verdade, no dia seguinte pode passar a ser mentira e vice-versa.

Assumir as responsabilidades… com verdadeiras consequências. Hoje, se, por um lado, as responsabilidades do Estado estão, inaceitavelmente, a serem diluídas na corporação desportiva ao ponto do Governo, em matéria de desporto, já não responder perante os portugueses, por outro lado, o poder da corporação desportiva já não se sente sequer na obrigação de responder seja a quem for porque se sente superior a todo e qualquer controlo social. Em conformidade, o Presidente do COP, depois do lastimoso fracasso da participação portuguesa nos Jogos Olímpicos em função dos próprios objetivos por ele determinados, depois de assumir a responsabilidade pelo desaire, daí não tirou as devidas ilações informando o País de que, perante o fracasso da sua liderança, não voltaria a candidatar-se à presidência da instituição. Pelo contrário, o presidente do COP, na “sociedade líquida” em que vivemos, onde tudo acaba por se ajustar a tudo, já anunciou estar disponível para mais quatro anos de mandato e, segundo ele próprio diz, com o beneplácito da corporação desportiva. Infelizmente, o Movimento Olímpico está a ser envolvido na lógica da “sociedade líquida” caracterizada pelo “fim das utopias” que caracterizam os projetos de longo prazo em benefício da jogada do momento oportuno.

A Sociedade líquida. A sociedade líquida deturpa o exercício da liderança transformando-o num simples exercício do poder da autoridade em benefício de grupos de interesse e em prejuízo do desenvolvimento social. Na véspera de partir para o Rio de janeiro o presidente do COP mostrou uma significativa preocupação com o “dress code” a que o protocolo o obrigava – “noblesse oblige”. Entretanto, Rui Bragança partiu para o Rio com um problema relativamente às bolsas a que tinha direito. Em consequência, até se pode considerar a hipótese de ter sido perdida uma medalha olímpica. E como a sociedade líquida obriga a que sejam as circunstâncias que se devem ajustar aos interesses de cada um, não é de estranhar que, entre outras, aconteçam aberrações como os “Lusofonia Games”, perante a indiferença geral. Por isso, temos de perguntar: No imediatismo que caracteriza a sociedade líquida o que será o Movimento Olímpico desprovido de utopia e de longo prazo?

As vítimas de um Olimpismo líquido. A responsabilidade do atual estado de coisas não é: (1º) Dos atletas que, como se viu com Rui Bragança e todos aqueles que foram impedidos de participar na equipa olímpica de futebol, são as principais vítimas da sociedade líquida em que vivemos; (2º) Dos treinadores que estão sujeitos a todas as surpresas e vicissitudes como se viu com João Ganço; (3º) Da generalidade dos dirigentes federativos que, de há doze anos a esta parte, no exercício das suas funções, estão privados das competências que lhes permitem ter uma ação geral relativamente à modalidade que superintendem.
As consequências de um Olimpismo líquido. Hoje, graças à anarquia líquida que tomou conta do Sistema Desportivo: (1º) Os clubes estão envolvidos numa guerra fratricida; (2º) As Federações Desportivas estão privadas do exercício pleno da vocação; (3º) O COP extravasa as suas próprias competências; (4º) O Governo promete uma “nova agenda para o desporto” sem fazer a mínima ideia daquilo que pode ser uma “nova agenda para o desporto”.

Avaliar com coragem. Quando se pretende avaliar os resultados dos JO do Rio (2016) tem de haver coragem para dizer que não são os últimos quatro anos que estão em causa mas sim os últimos doze anos dos quais fazem parte três edições dos JO que não cumpriram minimamente as expetativas que os próprios responsáveis do COP, à partida, anunciaram. Por isso, a responsabilidade pelo estado de confusão generalizada do desporto nacional pertence ao atual modelo de desenvolvimento instituído em 2004/2005 por José Constantino enquanto presidente do Instituto do Desporto, e Hermínio Loureiro enquanto Secretário de Estado do Desporto ao tempo dos governos de Durão Barroso e Santana Lopes. O referido modelo nunca foi capaz de promover a harmonia necessária entre os fins prosseguidos nos Contratos Programa assinados e os extraordinários meios postos à disposição do COP que acabaram por ser subtraídos às Federações Desportivas.

Em alternativa… um muro de lamentações. Entretanto, a generalidade dos discursos mais ou menos corporativos procura justificar o desastre através das consequências sem se atrever a atacar a verdadeira causa. E cai num autêntico muro de lamentações: (1º) O desporto tem pouco dinheiro; (2º) A educação física tem poucas aulas; (3º) O Desporto Escolar tem poucos alunos; (4º) As Escolas têm poucas instalações; (5º) O País tem poucos clubes; (6º) Os portugueses têm pouca prática desportiva; (7º) ou, entre muitas outras lamúrias, os atletas têm poucos subsídios e patrocínios. Este é o discurso das consequências que, na maior das hipocrisias, tem vindo a ser feito de há dezenas de anos a esta parte sem que a situação se tenha alterado minimamente a montante, quer dizer, no âmbito das causas.

A contradição da ditadura das medalhas. E o presidente do COP, num documento infelizmente de conteúdo e redondo na forma, e vazio de conteúdo enviado para as Federações Desportivas a fim de no próximo dia 11 se realizar a avaliação dos JO do Rio (2016) e preparar os de Tóquio (2020), também embarcou na ladainha intragável das consequências sem verdadeiramente se atrever a referir as causas. E porquê? Porque, o modelo vigente, que é a principal causa pelo estado em que o desporto nacional se encontra, foi por ele engendrado em 2004/2005. E, agora, sem se aperceber ou importar na contradição em que cai, afirma no referido documento: “Estamos, por isso, mediaticamente sujeitos e condicionados à ditadura das medalhas. Avalia-se a participação olímpica quase exclusivamente pelo que é mediaticamente relevante: as posições de pódio.”!

A ilógica do desenvolvimento líquido do desporto. É necessário relembrar que foi o atual presidente do COP que, enquanto presidente do Instituto do Desporto de Portugal, em 2005, instituiu a “ditadura das medalhas” quando, com pompa e circunstância, ao serviço dos Governos de Durão Barroso e de Santana Lopes, assinou um contrato programa em que o COP se obrigava, em troca de cerca de 14 milhões de euros, a conquistar 5 medalhas nos JO de Pequim (2008). Portanto, se como ele diz “os condicionalismos estruturais no desenvolvimento desportivo do país comprometem um rigoroso escrutínio social dos resultados dos programas de preparação olímpica pelos órgãos de comunicação social, mais ou menos especializados, mas também pela comunidade científica e pelas organizações desportivas” é porque foi o atual presidente do COP a instituir uma “lógica líquida” de desenvolvimento do deporto em que se reajustaram os recursos destinados ao desenvolvimento do desporto incluindo o alto rendimento a uma novilíngua designada “preparação olímpica”, como se pudesse existir qualquer preparação olímpica desintegrada do desenvolvimento e do alto rendimento. O problema é que o discurso da “chuva de medalhas olímpicas” era aquele que os políticos mais queriam ouvir. Em consequência, foi instituído um modelo de desenvolvimento do desporto errado na hora certa.

À Margem das competências das Federações Desportivas. Mas o discurso do presidente do COP ainda se percebe menos quando se considera que, tendo ele próprio tido a oportunidade de mudar a “dinâmica líquida” que introduziu no desenvolvimento do desporto em 2005, aquando da recente proposta de revisão dos Estatutos da instituição, pelo contrário, sem considerar a própria Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto, a “ditadura das medalhas” foi reforçada com uma nova alínea em que, subtraindo competências às Federações Desportivas, se privilegia a missão do COP no quadro da preparação olímpica e, consequentemente, na obtenção de medalhas olímpicas, em prejuízo de uma cultura de promoção do desporto e da valorização dos princípios e dos valores olímpicos de que o País tanto necessita e que, de acordo com o capítulo IV da Carta Olímpica, constituem a principal missão do COP.

A Carta Olímpica. Nos tempos líquidos atuais, o problema é que a Carta Olímpica faz parte de uma sociedade sólida de referências éticas e de valores que está a ser destruída. Pelo que não nos podemos surpreender que a revisão dos Estatutos do COP pouco tenha a ver com a Carta Olímpica ao ponto de institucionalizar um Conselho de Ética que, ao ser formado por cinco elementos dos quais, obrigativamente, três são licenciados em Direito, não passa de um cripto-Conselho Jurídico muito mais conveniente no quadro de um Olimpismo líquido que, na base de um relativismo ético-jurídico, tem vindo a ser, desde 2004, institucionalizado no País. Em consequência está a surgir no desporto português uma espécie de “dirigente líquido” que do MRPP ao CDS-PP ganha a forma que mais lhe convêm o que lhe permite escolher os valores a serem respeitados em função das circunstâncias que se devem adaptar aos seus interesses. E, assim, vemos dirigentes desportivos anos a fio agarrados ao poder apesar da sua gestão estar crivada de fracassos. Apesar disso, na liderança líquida que tomou conta do desporto, os fracassos são rapidamente transformados em vitórias pelo que os ideais olímpicos estão, simplesmente, a serem transformados em oportunismos olímpicos. Estamos assim perante uma ideologia líquida que recusa a fazer julgamentos éticos porque tudo passou a ser relativismo.

O drama do desporto português. E, assim, o drama do desporto português passa pela trágica situação de: (1º) A Tutela política ter abdicado das suas funções de monitoragem e controlo, entre outras, em matéria de alto rendimento desportivo com a dramática situação de deixar de ter uma visão global de controlo sobre o desporto e a relação direta com as Federações Desportivas; (2º) O COP ter-se desviado da sua verdadeira missão, assumindo-se como: (a) um intermediário que só serve para consumir recursos, atrapalhar o trabalho das Federações Desportivas; (b) um “bode expiatório” das olímpicas desilusões dos portugueses; (3º) As Federações Desportivas estarem completamente descapitalizadas e isoladas dos normais contactos com a Tutela. Em consequência, deixaram de poder equacionar os problemas do alto rendimento na lógica do desenvolvimento das respetivas modalidades; (4º) Os clubes, que são os principais responsáveis pelo desenvolvimento dos programas de treino e enquadramento dos atletas, estarem a ser ignorados quando não provocados como aconteceu com o clube que mais atletas coloca na Missão Olímpica, o SL Benfica; (5º) Os atletas, num grande número de situações estarem a ser considerados como mercadorias que, depois de consumidas, podem ser descartadas. Eles deixaram de ser sujeitos da prática desportiva para passarem a ser objeto. Em conformidade, de acordo com as novas circunstâncias, também os atletas procuram adotar as circunstâncias líquidas à sua realidade que passa pela maximização da sua própria satisfação.

Quem controla quem? Ou ninguém controla ninguém? De notar ainda que a referida reunião de avaliação, tendo em atenção o Sistema Desportivo líquido em que o País vive, vai acontecer a partir de uma surpreendente organização conjunta entre o COP e o Instituto Português do Desporto e Juventude! Na realidade, bem vistas as coisas não é tão surpreendente quanto isso na medida em que no sistema desportivo líquido instituído em 2004/2005 predominam as conexões de relações frágeis que ao serem caracterizadas pela superficialidade, a volatilidade e a conveniência conjuntural do que pela solidez dos princípios e dos valores podem ser descartadas a qualquer momento. Por isso, as Federações Desportivas e os Clubes deviam estar do outro lado da barricada a defenderem princípios e valores do desporto e os seus próprios direitos consagrados na lei. Desgraçadamente estão acomodados e a deixarem-se levar por um caminho que, como o gato Cheshire explicou à Alice, os vai conduzir a lado nenhum.

Conclusão para uma avaliação falhada. É claro que da reunião de avaliação, a menos que as conclusões tenham sido elaboradas previamente, nada vai ocorrer para além das habituais lamúrias, como é natural numa reunião corporativa em que poderão participar com uma agenda aberta dezenas de interessados. Dela vai, certamente, resultar muito pouca ou nenhuma substância mas em contrapartida uma considerável profusão de “selfies”. É pena. A ausência de referenciais e de projeto de vida é, hoje, o fim último da sociedade líquida. O problema é que Olimpismo líquido, a prazo, significa, tão só, a destruição do próprio Movimento Olímpico. Até porque, sem princípios e sem valores, sem Clubes e sem Federações Desportivas o Movimento Olímpico deixa de ter sentido.

Gustavo Pires é professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana

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