SEGUNDA-FEIRA, 27-03-2017, ANO 18, N.º 6267
Eduardo Monteiro
Espaço Universidade
Diferendo Euroleague Basketball – Fiba/Europa: Os grandes vencedores são os Clubes (artigo de Eduardo Monteiro, 8)
13:14 - 13-09-2016
Eduardo Monteiro
Terminado o braço de ferro entre a Euroliga e a Fiba/Europa, com recurso aos tribunais pelo meio, os grandes vencedores são os Clubes da “Bola ao Cesto” deste controverso Continente Europeu que não se entende nas mais pequenas coisas mesmo no mundo do Desporto. Prevaleceu o superior interesse das instituições mais importantes no sistema desportivo europeu (os Clubes) que, para além de participarem nas competições nacionais, também conseguem conquistar apoios para competirem nas competições internacionais, para prestígio da modalidade e dos seus mais directos intervenientes (os Jogadores).

Em termos práticos, tudo ficou quase na mesma, as boas competições que existiam, organizadas pela Euroleague Basketball, saíram reforçadas e as da Fiba/Europa, daqui em diante, têm uma grande oportunidade de mostrar o que valem. O Basquetebol Europeu tem um enorme potencial, através dos seus Clubes e, como tal, existe espaço suficiente para as diferentes competições entre clubes como se tem constatado de alguns anos a esta parte. Também, ficou bem claro que os clubes profissionais têm autonomia para constituírem as suas próprias Ligas e estas, por sua vez, organizar os seus quadros competitivos.

As federações nacionais e continentais não devem, querer, ser os donos da modalidade. Os seus estatutos são perfeitamente elucidativos que o trabalho a realizar tem a ver com o desenvolvimento do basquetebol nos escalões de formação e não a organização das competições profissionais. Assim, não devem entrar na via dos protagonismos fáceis e rápidos que não conduzem a lado nenhum. Se querem protagonismo metam-se na política e deixem o desporto em paz.

A mais importante competição entre clubes é a Euroliga, tendo como principal patrocinador a Companhia de Aviação da Turquia, daí a designação oficial de “2016-17 TURKISH AIRLINES EUROLEAGUE”, que passou a ter a participação de 16 dos mais prestigiados Clubes de Basquetebol da Europa: Anadolu Efes Istanbul (Turquia), Brose Bamberg (Alemanha), Crvena Zvezda Telecom Belgrade (Sérvia), CSKA Moscow (Rússia), Darussafaka Dogus Istanbul (Turquia), EA7 Emporio Armani Milan (Itália), FC Barcelona Lassa (Espanha), Fenerbahce Istanbul (Turquia), Galatasaray Odeabank Istanbul (Turquia), Laboral Kutxa Vitoria Gasteiz (Espanha), Maccabi FOX Tel Aviv (israel), Olympiacos Piraeus (Grécia), Panathinaikos Athens (Grécia), Real Madrid (Espanha), Unics Kazan ( Rússia) e Zalgiris Kaunas ( Lituânia).

É uma liga tipo NBA, disputada em 30 jornadas, durante a fase regular, em que todos jogam contra todos em duas voltas. Tem início a 13 de Outubro de 2016 até 7 de Abril de 2017. As oito equipas melhor classificadas ficam apuradas para os playoffs que, por sua vez, serão disputados entre 18 de Abril e 2 de Maio de 2017, à melhor de 5 jogos. Os 4 vencedores destas séries ficam apurados para a `Final Four´ marcada para os dias 19 e 21 de Maio.

A segunda competição europeia de maior prestígio entre clubes é a Eurocup, que em termos de marketing passará a ter a designação oficial de “2016-17-7DAYS EUROCUP” que também continua a ser organizada pela Euroleague Basketball. Tendo um formato competitivo diferente da Euroliga, o que já vinha acontecendo no passado recente, nesta prova participam os 24 Clubes que, não tendo acesso à Euroliga, se candidataram e foram aceites. Para a disputa da fase regular, as equipas foram divididas em 4 grupos, jogando entre si (casa e fora) a duas voltas, 10 jornadas entre 12 de Outubro e 14 de Dezembro de 2016. Através de sorteio os grupos foram assim constituídos:

Grupo A – AEK Atenas (Grécia), Cedevita Zagreb (Croácia), Grissin Bon Reggio Emilia (Itália), Herbalife Gran Canaria (Espanha), Nizhny Novgorod (Sérvia) e Stelmet Zielona Gora (Polónia).

Grupo B – Alba Berlin (Alemanha), Dominion Bilbao Basket (Espanha), Foxtown Cantú (Itália), Khimid Moscú (Rússia), Lietuvos Rytas (Lituânia) e Partizan mt:s (Sérvia).

Grupo C – Banco di Sardegna Sassari (Itália), Buducnost Voli (Montenegro), FC Bayern Munich (Alemanha), UCAM Murcia (Espanha), Unicaja Malaga (Espanha) e Zenit St. Petersburgo (Rússia).

Grupo D – Dolmiti Energi Trento (Itália), Hapoel Bank Yahav Jerusalem (Israel), Lokomotiv Kuban (Rússia), Ratiopharm Ulm (Alemanha), Union Olimpija Ljubijana (Eslovénia) e Valencia Basket (Espanha).

A segunda fase, denominada TOP 16, decorrerá entre 4 de Janeiro e 8 de Fevereiro de 2017, sendo as 16 equipas divididas em 4 grupos (E, F, G, H) com a disputa de 6 jogos por equipa (casa e fora) apurando os 2 primeiros classificados de cada grupo para os quartos de final. Os quartos de final serão disputados no sistema de playoffs, à melhor de 3 jogos, entre as 8 equipas apuradas, de 28 de Fevereiro a 8 de Março de 2017. De igual modo, se processam as meias finais com as 4 equipas apuradas, à melhor de 3 jogos, entre 14 e 22 de Março. As finais do “7Days Eurocup” efectuam-se também, à melhor de 3 jogos, de 28 de Março a 5 de Abril, entre os dois clubes vencedores das meias finais.

Estes 40 Clubes são, em princípio, os melhores do continente europeu e pertencem aos seguintes países: Espanha (8), Rússia (5), Itália (5), Turquia (4), Alemanha (4), Sérvia (3), Grécia (3), Israel (2), Lituânia (2), Croácia (1), Polónia (1), Eslovénia (1) e Montenegro (1). Esta ordenação por países, em termos de qualidade dos seus clubes, com pequenas excepções, não anda muito longe do ranking europeu das suas selecções de seniores masculinos, actualizado após os Jogos Olímpicos Rio-2016: 1º Espanha, 2º Sérvia, 3º França, 4º Lituânia, 5º Turquia, 6º Rússia, 7º Croácia, 8º Eslovénia, 9º Grécia, 10º G.Bretanha, 11º Alemanha, 12º Finlândia, 13º Macedónia, 14º Itália, 15º Letónia, 16º Israel e 17º Polónia.

Entretanto, a FIBA-Europa, depois de ter, em termos jurídicos, “levado uns açoites” resolveu criar um organismo independente para organizar a prova denominada “The Basketball Champions League”, com um sistema competitivo, um pouco à semelhança do que se passa no futebol, no qual o Campeão Nacional de Portugal (FC Porto) e o vice-campeão (SL Benfica) não têm acesso directo e, como tal, têm que participar numa fase de qualificação com Juventus (Lituânia) e Varese (Itália).
Quando, esta nova competição “The Basketball Champions League” não integra directamente na fase regular dois Clubes, com o passado do FC Porto e SL Benfica nas competições europeias de basquetebol e admite clubes classificados a meio da tabela de países sem ligas de basquetebol, não merece qualquer credibilidade. Esta situação só é possível devido ao pouco prestígio do nosso basquetebol além fronteiras, como reflexo dos maus resultados obtidos a nível internacional e actual posição no respectivo ranking.

No que diz respeito ao sistema competitivo, desta nova competição criada sob o patrocínio da Fiba-Europa, é uma perfeita desilusão e não traz nada de novo. Não é aliciante para os clubes, não é motivante para os jogadores e treinadores, não é cativante para o público e financeiramente vai ser um desastre completo. Existem muitas outras alternativas competitivas que podem ser organizadas pelos clubes portugueses e os nossos vizinhos espanhóis que podem valorizar muito mais os nossos clubes e os jogadores portugueses. Só é preciso é puxar um pouco pela cabeça e não andar a reboque de dirigentes que nada sabem de desporto e muito menos de basquetebol.

Resta-nos a consolação de saber que, embora o nosso basquetebol não tenha qualquer expressão nem sequer interna, em contrapartida, em termos de dirigentes, estamos muito bem representados em diversas comissões internacionais.

Eduardo Monteiro é ex-treinador do SL Benfica e das Seleções Nacionais

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