QUARTA-FEIRA, 26-07-2017, ANO 18, N.º 6388
Eduardo Monteiro
Espaço Universidade
NBA: Modelo de Organização das Competições (artigo de Eduardo Monteiro, 6)
16:08 - 11-07-2016
Eduardo Monteiro
Nos EUA, a National Basketball Association (NBA) é uma liga profissional constituída por 30 equipas distribuídas, equitativamente, por duas zonas geográficas a Conferência do Este que engloba 3 Divisões (Atlântica, Central e Sudeste) e a Conferência do Oeste da qual fazem parte outras 3 Divisões (Noroeste, Pacífico e Sudoeste). Cada divisão tem 5 equipas que pertencem às regiões do país enunciadas.
Conferência do Este:

- Divisão do Atlântico (Toronto, Boston, New York, Brooklyn e Philadelphia);
- Divisão Central (Cleveland, Indiana, Detroit, Chicago e Milwakee);
- Divisão do Sudeste (Miami, Atlanta, Charlotte, Washington e Orlando).
Conferência do Oeste:
- Divisão do Nordeste (Oklahoma City, Portland, Utah, Denver e Minnesota);
- Divisão do Pacífico (Golden State, L.A.Clippers, Sacramento, Phoenix e L.A.Lakers);
- Divisão do Sudoeste (San Antonio, Dallas, Memphis, Houston e New Orleans).
Cada equipa realiza 82 jogos (todos contra todos) durante a época regular, em casa e no recinto dos adversários. As oito equipas melhor classificadas em cada conferência são apuradas para os respectivos playoffs.
O sistema de playoffs é por eliminatória, à melhor de 7 jogos, disputado entre o 1º e o 8º classificado, 2º e 7º, 3º e 6º, 4º e 5º. A equipa que vencer 4 jogos elimina o seu adversário directo. O modelo de competição da NBA, através dos playoffs, na fase posterior à época regular, é utilizado práticamente em todo o mundo e, não só, no basquetebol. Outros desportos colectivos utilizam esta fórmula porque possibilita o prolongamento da época desportiva, através de um quadro competitivo, rigoroso para os intervenientes e espectacular para os adeptos, como reflexo dos resultados alcançados na época regular.

Para se dar um exemplo, do grau de dificuldade desta competição façamos uma pequena análise ao que aconteceu nas duas últimas fases finais (2015 e 2016) quando as equipas finalistas foram exactamente as mesmas, os Golden State Warriors, do Estado da Califórnia, apurado pela Conferência do Oeste e os Cleveland Cavaliers, do Estado do Ohio, representante da Conferência do Este.

Durante a época regular 2014-15: os Golden State Warriors alcançaram 67 vitórias contra 15 derrotas tornando-se, assim, campeões da Conferência Oeste. Por sua vez, Os Cleveland Cavaliers obtiveram 53 vitórias contra 29 derrotas assegurando a conquista da Conferência Este.
Nas finais de 2015, os Golden State Warriors sagraram-se campeões da NBA pela primeira vez nos últimos 40 anos. Depois de estarem em desvantagem (1-2) no início das finais, conseguiram dar a volta e vencer os 3 jogos seguintes, sendo 2 fora de casa. André Iguodala foi o grande herói desta fase final, atendendo a que sempre que esteve em jogo os Warriors superaram os Cavaliers por uma diferença de 62 pontos, enquanto nos minutos em que esteve no banco dos suplentes tiveram um saldo negativo de 19 pontos. O seu companheiro de equipa Stephen Curry, MVP da época regular, no tempo em que jogou a diferença também foi positiva (52 pontos). Iguodala que não tinha entrado no cinco inicial nos três primeiros jogos, passou a efectivo no quarto jogo e a partir daí tudo mudou, devido ao bom trabalho defensivo realizado sobre Lebron James cujas percentagens de lançamentos de campo diminuíram bastante. Mas o seu rendimento em termos ofensivos também foi decisivo, pois fez uma média de 16,3 pontos e 4 assistencias por jogo e uma percentagem de 40% em lançamentos triplos (9 em 14 nos quartos períodos). As suas exibições tiveram uma enorme influência na conquista do título da NBA, razão pela qual foi eleito MVP das finais.

Os Cleveland Cavaliers podem queixar-se da pouca sorte que tiveram com a lesão de Kyrie Irving, base All Star, logo no primeiro jogo das finais ficando afastado dos restantes jogos daquela derradeira fase, juntando-se deste modo a Kevin Love na enfermaria, com uma lesão no ombro. Lebron James tudo fez para levar a equipa ás costas, mas não era possível fazer melhor sem a colaboração dos colegas lesionados, que são jogadores habituais na selecção nacional norte americana. Marcou 215 pontos, o que dá uma média de 35,8 pontos por jogo, o que não é suficiente para conquistar títulos na NBA, se não fôr secundado por um ou mais companheiros de equipa.

A época regular de 2015-16, correu o melhor possível aos Golden State Warriors (73 vitórias e 9 derrotas) o que permitiu bater o record histórico de Michael Jordan e companhia (72-10) com os Chicago Bulls, na época de 1995-96. A confirmação de Draymond Green como jogador All Star e as grandes exibições dos Splash Brothers, designação atribuída aos jogadores Stephen Curry e Klay Thompson, internacionais USA, pela eficácia dos seus lançamentos de longa distância, em que a bola cai directamente no fundo da rede do cêsto, criaram um sentimento de vencedores antecipados do campeonato da NBA.
Curry é o primeiro jogador da história da NBA a ultrapassar os 300 triplos numa época desportiva e, em 23 de Janeiro de 2016, num encontro com os Sacramento Kings, Klay Thompsom marcou 37 pontos no terceiro período, novo record da NBA, com a concretização de 9 triplos e 13-13 em lançamentos de campo. No concurso de triplos do All Star de 2016, Curry e Thompson foram os finalistas a grande distância dos outros concorrentes. Estes dois jovens jogadores são, actualmente os melhores lançadores de longa distância (3 pontos) da NBA e a continuarem a encestar com a facilidade e precisão que demonstraram durante estas duas últimas épocas, poderão vir a ser os melhores lançadores da história do basquetebol profissional norte americano.

Por seu lado, os Cleveland Cavaliers não começaram a época tão bem como os seus mais directos adversários, os Warriors, e a 24 de Janeiro de 2016, quando se encontravam com 30 vitórias e 11 derrotas, o seu treinador David Blatt´s foi despedido sem nenhuma razão aparente a não ser a sua não aceitação por Lebron James. James é, neste momento, o jogador mais completo da NBA e em todo o planeta, mas tem um problema de liderança que ultrapassa as funções de jogador e se introduz nas de treinador, ou seja, ninguém tem mão nele. Apesar de David Blatt´s ter sido o treinador que melhor conjunto de resultados obteve com os Cavaliers (83-40), em ano e meio como Head Coach e ter um currículo impressionante na Europa, não foi condição suficiente para ser aceite por James e foi mesmo à vida, como se costuma dizer. De seguida, o adjunto Tyronn Lue foi nomeado treinador principal, mas apenas para orientar os jogos, pois Lebron ficou com plenos poderes na direcção da equipa. O que não se lhe pode acusar é de falta de coragem pois arriscou tudo o que havia para arriscar. Com os jogadores na mão, introduziu as alterações que entendeu e ajustou o grupo á sua forma de jogar, já que em campo era ele que comandava todas as acções colectivas.

Com 57 vitórias e 25 derrotas na época regular, os Cleveland Cavaliers venceram a Conferência do Este, apenas com uma vitória mais do que os Toronto Raptors, o que lhes valeu o factor casa em relação a todos os outros adversários da respectiva conferência. Nos playoffs derrotaram Detroit (4-0), Atlanta (4-0) e Toronto (4-2), num total de 12 jogos ganhos e 2 perdidos, enquanto os Warriors também venceram Houston (4-1), Portland (4-1) e Oklahoma (4-3) na Conferência do Oeste, totalizando 12 vitórias e 5 derrotas.

Nas finais da NBA 2016, os Golden State, considerados os grande favoritos face às exibições e resultados alcançados durante toda a época, rápidamente chegaram aos 3-1, o que os deixava a uma vitória do título. O que aconteceu a seguir foi uma reviravolta impensável na história da NBA. A dupla James/Irving, aproveitou a ausência de Draymond Green no 5º jogo , por castigo, que estava a ser o melhor jogador dos Warriors e a lesão de Andrew Bogut, poste australiano, fundamental em termos defensivos, e puxaram dos seus galões e neutralizaram os Warriors. Venceram os três jogos seguintes (5º e 7º fora de casa), para espanto do mundo do basquetebol, que nunca tinha visto uma reviravolta igual, ou seja, passar de 1-3 para 4-3 numas finais da NBA, sem o factor casa a seu favor. Lebron James foi eleito o MVP das finais de 2016 com uns dados estatísticos sensacionais e uma média por jogo, nunca antes alcançada por um jogador nesta fase do campeonato: 29,7 pontos, 11,3 ressaltos, 8,9 assistências, 2,6 roubos de bola e 2,3 intercepções de lançamento.

Depois de meio século de espera, finalmente, uma equipa profissional de Cleveland conquistava um título nacional numa das maiores ligas de desporto profissional dos USA. Lebron James, quando se apercebeu que tinha ganho as finais de 2016 da NBA, não conseguiu conter as lágrimas, pois tinha acabado de cumprir a promessa que fez quando há dois anos regressou aos Cavaliers e à sua terra natal, localizada no nordeste do estado de Ohio. Se já era um ídolo por estas paragens a partir de agora é uma espécie de ET, que veio do espaço, fazer aquilo que ninguém acreditava que fosse possível. Só que, desta vez, esteve muito bem acompanhado por Kyrie Irving, base oriundo da Universidade de Duke cujo treinador é Mike Krzyzewski campeão olímpico e mundial pelos USA, que demonstrou em campo toda a sua categoria ao longo destas finais.
Lebron James, aos trinta e um anos de idade, já conquistou 3 campeonatos da NBA, tantos como Michael Jordan com a mesma idade, foi MVP da época regular por 4 vezes contra 3 de Jordan, jogou 13 épocas na NBA contra 9 de Michael e já esteve presente em 7 finais da NBA contra 3 de Jordan. É o único jogador no mundo que pode alcançar os feitos de Michael Jordan se continuar a jogar por mais uns anos.

Assim, ficamos com a convicção que este modelo de competição, com uma fase inicial ao longo da época regular com jogos a duas voltas entre todas as equipas, apurando os mais bem classificados para uma segunda fase disputada no sistema de playoffs tem grandes virtudes, não só a nível competitivo mas também económico. Práticamente todas as federações de basquetebol já o utilizam em todos os continentes com enormes reflexos positivos, havendo federações de outros desportos colectivos que também já o adoptaram como é o caso do andebol, hóquei em patins e voleibol.

Eduardo Monteiro é ex-treinador do SL Benfica e das Seleções Nacionais

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