SEGUNDA-FEIRA, 27-03-2017, ANO 18, N.º 6267
José Neto
Espaço Universidade
«Corações ao alto… e fé em Deus» (artigo de José Neto, 29)
16:36 - 03-05-2016
José Neto
Tenho observado alguns comportamentos dos jogadores perante algumas competições em que não tanto pelo apelo ao rendimento mas pela importância no resultado dos jogos a realizar, fazendo depender para as suas vidas a história que o futuro os elevará ou esquecerá.

Perante alguns factos devidamente autenticados pelos seus intervenientes, levou-me a concluir que o comportamento dos jogadores após alguns êxitos conseguidos não é assim tão distante após as frustrações obtidas … só que à medida que o tempo da competição vai encurtando, pressente-se que alguns vão caminhando para um beco emocionalmente traidor na gestão desse mesmo TEMPO e, logo espreita um peso insuportável da sua gestão na aliança do saber ser para o que tem para fazer.

A instabilidade provocada pelos resultados, que por vezes acaba por ser uma pedra de toque para a mudança numa renascida dinâmica empreendedora do jogo realizado, torna-se também substancialmente insuficiente para superar a adversidade catastrófica desse TEMPO que as suas circunstâncias o autenticaram.

Sabe-se que a capacidade humana para se adaptar e superar adversidades é fenomenal e até parece que há equipas que consomem esta seiva de expetativa voluntária onde se acolhe o entusiasmo, após a derrota. Porém o relato da consciência provocado pelos fatores adversos, acaba quanto a mim por ser determinante, para outras equipas que não suportam o peso da emoção duma derrota, deixando a sangrar uma ferida do resultado obtido, ainda em estado latente e com reflexos nos resultados que se lhe seguem.

Como refiro por diversas vezes, o estado de alma como eco libertador de consciência pode gerar festa e tragédia, esperança e medo, dúvida e razão...e só movido de um estado de crença ancorado numa consciência libertadora, poderá transformar o sonho em realidade, onde possa habitar o sucesso.

Como também por vezes tenho constatado, a voz asfixiante de espectativas elevadas e sem padrões comportamentais de exigência para o facto, pode arrastar consequências trágicas, originando uma maior dificuldade de concentração, diminuição de um estado de alerta, onde espreita a visita certa da crise de raciocínio, provocando um estado de negligência e desânimo.

Uma equipa possuída de um estado de crença que esteja ajustada ao nível de competências já exercidas e sendo estas nefastas, pode entrar num estado de vida competitiva híper vigilante e que geralmente conduz a um estado de fadiga crónica, que estará mais próxima da derrota, pois entra em contradição para aquilo que pretende e quer fazer, mas que não tem argumentos devidamente sustentados para o realizar com êxito.

Bruce Lipton (2015) referia que “as nossas crenças atuam como filtros numa máquina fotográfica, mudando a forma como selecionamos o que pretendemos que seja feito”. Podemos por isso alterar o potencial energético de forma a assegurar a constituição das estratégias para a obtenção da excelência.

O estado crítico de uma equipa que se bate para não perder, geralmente coloca-se numa posição mais defensiva, comprometendo o ato de decidir com mais astúcia. Encontrando-se mais limitadas as suas reservas de energia, perante o conflito de lutar para não perder, acaba por sair derrotada.

Por isso a necessidade de cultivar a exaltação do rendimento e “esconder” as consequências do resultado, aplicando estratégias operacionais de treino global (controle dos pensamentos, reformulação de objetivos de conquista, controle emocional, etc…), focando-se menos nas expectativas e mais no sujeito que as usa, pois quantas vezes para certos “artistas” as consequências tornam-se mais importantes do que as causas e todos sabemos que são as causas que geram as consequências!... mas isto é outro assunto que no âmbito da processologia de treino no Futebol ainda aquece “em lume brando”…

Em termos da obtenção dum resultado que permita o alcance da vitória, encontramos as equipas que mais sabem experienciar mentalmente os caminhos de êxitos anteriormente conseguidos, esse património que está presente no habitáculo do sucesso (subconsciente).

Quem for capaz de emocionalmente resolver as exigência das prática competitiva, não tanto das capacidades físico – atlético – técnico – táticas, mas identificadas dum estado de confiança nas ações a converter, na alegria em as realizar, no orgulho em as satisfazer, poderá estar mais próxima do êxito porque entre o sentir, o pensar e o executar não existem fronteiras.

Creio que estamos num tempo de grandes reformulações para a mudança em termos de metodologia de treino que uma estrutura devidamente profissionalizada jamais deveria deixar de incluir nas suas dinâmicas, chamem-lhe Gabinete de Inteligência Competitiva, ou outra.

É possível operacionalizar a constituição dum dossier de avaliação de várias competências no sentido de atestar comportamentos, ajustar desejos, invocar convicções e sentimentos e inserir tudo isto na estrutura do treino semanal e que por via da observação e análise se podem fazer constar nas boas causas para o sucesso. Deixei esta temática bem expressa com alguns exemplos práticos no artigo da “bola on line” com o título “Emoções - Comportamento - Rendimento - Resultado”, o qual aconselho a visitar e caso necessário anotar algo que possa servir de crítica para o muito que ainda haverá para fazer neste domínio.

É claro que existem fatores aglutinadores e também dispersores que não devemos descurar nesta abordagem para a construção do sonho para o êxito ou o pesadelo da desgraça. Claro está que para a conquista do sucesso, jamais se pode ignorar a força contagiante dos adeptos com manifestações renascidas duma crença amplamente partilhada, convertendo o orgulho cooperativo numa identidade coletiva demolidora e que os ecos de CAMPEÕES, CAMPEÕES … NÓS SOMOS CAMPEÕES, acabam por rasgar as gargantas até altas e repetidas madrugadas.

José Neto – Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto/ Futebol; Formador de Treinadores F.P.F. – U.E.FA.; Docente Universitário.

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