DOMINGO, 23-04-2017, ANO 18, N.º 6294
José Neto
Espaço Universidade
Chicotadas Psicológicas - Parte I (artigo de José Neto, 8)
16:50 - 18-05-2015
José Neto
…sem organização não há regras … sem regras não há disciplina … sem disciplina não há resultados e … sem resultados não há sucesso!...

…E …quando os objetivos não são conseguidos e o peso insuportável das expetativas deixam um rasto de intranquilidade, a equipa entra numa espiral de dúvida sobre si própria ocasionando um estado crítico em que o medo de perder supera a vontade de ganhar, sobrando para o elo mais fraco a possibilidade de romper a já frágil componente congregadora de readmissão de comportamentos e dando origem às tão famigeradas “CHICOTADAS PSICOLÓGICAS.”

Todos sabemos que o Futebol se nos apresenta como um espetáculo muito especial, transitando para as evidências do alto rendimento discussões alargadas, clamando um foco atencional generalizado em que o falhanço dum golo de baliza aberta, os passes errados, um falta que não é sancionada e no imediato um turbilhão de ira , medo e raiva. A labareda de impropérios avança sem identidade da bancada para o centro da luta, onde toda uma gente, aproveitando a onda de azedume e oportunidade, clama para si a verdade, tantas vezes traída de justiça e coerência.

Também que a prática do Futebol e seus altos níveis de exigência para a função, permitem-lhe a existência de faltas com um grau de dificuldade, que , só o recurso à decomposição múltipla de imagens é que permitirão à posteriori confirmar a correta decisão do juiz do jogo. No entanto, quando “mal sancionadas” salta para a praça pública a ocasião para a qualidade de desempenho de quem o dirige, orienta e joga. Arrumam-se mesas redondas repletas de entendidos em tudo e no que mais de futebol todos sabem, estendendo o dedo acusador perante o febril interesse clubístico do que viram no campo, muitas vezes sem lá terem estado ou que nem sequer viram quando lá estiveram.

Nesta sequência do maior espetáculo do mundo e sendo o Futebol uma atividade, como refere Javier Marias ...” onde não basta ganhar, mas ganhar sempre” e continua : “ um escritor, um arquitecto, um músico, numa obra apenas, podem dormir um sesta depois de terem criado um grande romance, um maravilhoso edifício, um disco inesquecível.O Futebol, ao contrário, não aceita o descanso nem o divertimento e de pouco serve possuír um extraordinário palmarés ou ter conqistado um título no ano anterior ...ter sido melhor ontem, já não interessa hoje, para não falar amanhã. A alegria passada nada pode fazer contra a angústia presente. Também não há durante muito tempo tristeza ou indignação, que de um dia para o outro se podem ver substituídas pela euforia e santificação”!...

Como sabemos, a modalidade de Futebol, pela sua dinâmica prática constitui um dos fenómenos desportivos e sociais com superior importância, constituindo os clubes um foco de pressão permanente pela conquista de resultados positivos, sendo o Treinador nas funções que lhe estão adstritas o principal responsável pela gestão operacional para o rendimento na obtenção do sucesso.

Quando os resultados dos objectivos propostos não são conseguidos, processa-se a quebra de laços e daí a demissão do Treinador., como alvo número um a abater.

As causas inerentes às célebres Chicotadas Psicológicas confinam-se em primeira instância aos maus resutados, sendo estes passíveis de gerar a insatisfação dos adeptos, dos directores e dos próprios jogadores, visualizando-se um ambiente adverso quer no balneário, quer fora do mesmo, instalando-se uma crise de identidade coletiva comprometedora., gerando-se a substituição nem sempre explicada à luz das verdadeiras causas.

Como consequência a esta alteração de estatuto regenerador de liderança, assiste-se muitas vezes a uma fase imediata de aquisição de resultados positivos, tendo alguns jogadores (até aí suplentes) a possibilidade de justificar a chamada à função (desculpabilizando-se), a direcção do clube a prestar mais atenção e apoio participativo, possibilitando , quantas vezes , ao novo Técnico, a abertura a novos jogadores a contratar, fazendo-se constar ainda a melhoria adicional de prémios de conquista.

Imediatamente me acorre à ideia algumas questões que na minha prespectiva se tornam , pertinentes :

1- haverá necessidade de equacionar um perfil ideal para um treinador?
2-saber muito de técnica e táctica é uma condição necessária para se ser um bom treinador?
3-a experiência como jogador de alto nível torna-se fundamental para se assumir como treinador mais preparado para o sucesso?
4- a história e tradição dum clube, bem como a cultura e exigência dos seus directores, associados e adeptos, implicam a contratação dum treinador com um perfil especial?

Na 2º parte desta temática ( após terminar a época) tentarei refletir nas respostas , anexando um estudo realizado no decorrer desta época que poderá ajudar a compreender as percentagens de êxito conseguido ou inêxito obtido pela alteração de direção técnica (chicotada psicológica).

José Neto
Metodólogo Treino Desportivo
Especialista de Psicologia aplicada ao Futebol
Formador Treinadores F.P.F./ U.E.F.A.
Docente Universitário

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