QUINTA-FEIRA, 23-03-2017, ANO 18, N.º 6263
Luís Vilar, professor e coordenador de Desporto da Universidade Europeia
Espaço Universidade
A preparação física e tática no futebol em discussão na Guarda
23:14 - 20-11-2014
Luís Vilar
Teve lugar nos passados dias 14 e 15 de novembro o Congresso Internacional de Exercício e Performance Desportiva, organizado em parceria pelo Instituto Politécnico da Guarda e o Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD). Um dos temas que captou maior interesse foi a análise de performance no Futebol. Neste âmbito, as investigações efetuadas pelos professores Christopher Carling do Lille Football Club (França) e Hugo Folgado da Universidade de Évora (Portugal) geraram uma discussão interessante sobre a importância da preparação física e tática das equipas de futebol.

Na manhã do dia 14, Christopher Carling apresentou medições da atividade física dos jogadores em competição nas diferentes ligas de futebol, e as recomendações que fornece ao treinador do Lille para este desenvolver a sua equipa. Foram discutidos resultados referentes à distância total percorrida pelos jogadores, os intervalos de intensidade predominantes desse mesmo deslocamento, a intermitência do seu esforço, etc. De entre as inúmeras conclusões, importa salientar as seguintes:

1. Quanto maior a qualidade da Liga de Futebol, menos distância correm os seus jogadores. Por exemplo, na Liga dos Campeões da UEFA os jogadores correm significativamente menos do que na Premier League; e é nas ligas de futebol Escandinavas que os jogadores correm mais quilómetros por jogo.

2. Nas últimas cinco temporadas, o Lille terminou apenas uma vez em 1º lugar da Ligue 1 (2010/11). Curiosamente, esta foi a época desportiva em que os seus jogadores correram menos distância por jogo.

Da parte da tarde, Hugo Folgado apresentou os resultados do acompanhamento de uma equipa de Futebol ao longo da pré-temporada. Utilizando a tecnologia de GPS ao longo de 8 semanas de treino, conseguiu quantificar características físicas do deslocamento dos jogadores e também a dimensão tática da sua coordenação. Concluiu que:

1. Ao contrário do que seria expectável, os jogadores correm menos de jogo para jogo ao longo de toda a pré-temporada.

2. O deslocamento dos jogadores em jogo vai sendo mais sincronizado à medida que a pré-temporada se vai desenrolando.

Ao analisar-se os resultados de ambas as investigações, percebemos que muitas vezes no futebol os jogadores correm menos, não porque estão mal preparados fisicamente, mas porque estão bem preparados do ponto de vista tático. Ou seja, a evolução ao nível do posicionamento dos jogadores em campo permite-lhes ter de correr menos (e a uma intensidade mais baixa) para chegar ao local certo mais cedo que os adversários. Estes resultados têm repercussões elevadas sobretudo para equipas com elevada densidade no calendário competitivo: interessa-lhes estar bem taticamente para desgastarem-se o menos possível, e poderem ser de novo competitivos a curto prazo (3/4 dias). Já dizia Johan Cruyff: ‘No futebol não interessa correr muito, importa estar no sítio certo à hora certa...’

Luís Vilar é investigador e coordenador de desporto da Universidade Europeia.

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