SEGUNDA-FEIRA, 25-07-2016, ANO 17, N.º 6022
Eusébio
EUSÉBIO (1942-2014)
Morreu Eusébio
08:01 - 05-01-2014
Eusébio da Silva Ferreira, 71 anos, morreu na madrugada de domingo, dia 5, por volta das 3.30 horas, vítima de paragem cardiorrespiratória.

O antigo jogador, e embaixador do futebol português pelo mundo, já vinha dando sinais de saúde debilitada, tendo estado internado em junho de 2012 no Hospital da Luz, na sequência de um acidente vascular cerebral (AVC) que sofreu na Polónia. Eusébio estava em Poznan, a acompanhar a seleção nacional durante o Campeonato da Europa de futebol, quando se sentiu mal e foi internado num hospital daquela cidade polaca.

Considerado um dos melhores jogadores de todos os tempos destacou-se ao serviço do Benfica e da Seleção Nacional, tendo sido determinante na conquista do terceiro lugar no Campeonato do Mundo de 1966.

O «Pantera Negra» era conhecido pela sua velocidade, técnica e pelo seu poderoso e preciso remate de pé direito.

Eusébio da Silva Ferreira nasceu em Lourenço Marques, a 25 de Janeiro de 1942 no Bairro de Mafalala, atual Maputo, Moçambique.

Eusébio jogou pelo Benfica 15 dos seus 22 anos como jogador de futebol. Ainda hoje detém o recorde de golos dos encarnados com 638 golos em 614 jogos oficiais.

No Benfica ganhou 11 Campeonatos Nacionais (1960-1961, 1962-1963, 1963-1964, 1964-1965, 1966-1967, 1967-1968, 1968-1969, 1970-1971, 1971-1972, 1972-1973 e 1974-1975), 5 Taças de Portugal (1961-1962, 1963-1964, 1968-1969, 1969-1970 e 1971-1972), 1 Taça dos Campeões Europeus (1961-1962) e ajudou a alcançar mais três finais da Taça dos Campeões Europeus (1962-1963, 1964-1965 e 1967-1968).

Foi o maior marcador da Taça dos Campeões Europeus em 1965, 1966 e 1968. Ganhou ainda a Bola de Prata sete vezes (recorde nacional) em 1964, 1965, 1966, 1967, 1968, 1970 e 1973. Foi o primeiro jogador a ganhar a Bota de Ouro, em 1968, façanha que mais tarde repetiu em 1973.

Eusébio recebeu várias distinções nacionais e estrangeiras ao longo da vida, entre elas os colares de Mérito Desportivo (1981) e de Honra ao Mérito Desportivo (1990), além da «Águia de Ouro», o mais alto galardão do Benfica, em 1982.
Redação

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Como Phelps a ajudou a escapar da anorexia
Estrela de Diamante Já se sabe que as irmãs Serena e Venus Williams são um sucesso mundial além-fronteiras, mas para os Jogos do Rio há outra dupla que pretende dar que falar: Bronte e Cate Campbell. E se a primeira segue à regra os passos da irmã, Cate é o orgulho dos australianos: em Brisbane, fixou um novo recorde do mundo dos 100 metros livres, com a marca de 52,06 segundos, superando a alemã Britta Stefen. Entrou na história da natação aos 16 anos, quando ganhou as primeiras medalhas olímpicas - bronze nos 50 metros livres e na estafeta 4x100 m livres, em Pequim, 2008. Depois seguiu-se Londres, e o tão aguardado ouro olímpico… Quem a viu e quem a vê. Em criança sonhava em ser bailarina, hoje é uma campeã Olímpica de natação. Culpa da mãe que não a deixou fugir ao seu destino. Tal como Cool Runnings, o seu filme de eleição, um dos filmes olímpicos mais populares, Cate, é aos 24 anos, a grande promessa australiana para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. «Uma medalha de ouro é uma coisa maravilhosa, mas se não fores suficiente sem ela, nunca irás ser suficiente com ela». Medalhas não a assustam, mas mais do que o ouro Olímpico, a atleta quer deixar uma marca na história. PORCO DE ESTIMAÇÃO E GALINHAS Filha de Jenny e Eric, uma enfermeira e um economista sul-africanos, Cate Campbell nasceu a 20 de maio de 1992 em Blantyre, Malawi (África Ocidental), quando o pai por lá arranjou trabalho num banco. Ao início seriam apenas dois anos, mas acabaram por ficar dez. A viver numa casa sem televisão, Cate entretinha-se com os animais. «Tínhamos perus, coelhos, cães, gatos, galinhas. Todas as manhãs era como uma caça ao ovo da Páscoa», as galinhas punham ovos pela casa fora. O preferido de Cate e Bronte, porém, é o Pepper, um porco de estimação. Mas o que mais gostava era da piscina, onde deu os primeiros passos com a ajuda da mãe, que na escola se distinguiu no nado sincronizado. Cate vivia num paraíso em Malawi, mas em 2001, e com o aumento da família, mudou-se para a Austrália. O PRIMEIRO OURO NOS JOGOS OLÍMPICOS DE LONDRES Cate Campbell é a mais velha dos cinco irmãos: Bronte (22), Jessica (19), Hamish (17) e Abigail (13). Adversárias dentro da piscina e amigas fora dela, as irmãs Campbell compartilham muito mais do que o amor pela natação - são adeptas de ginástica artística e de saltos ornamentais, e seguem uma dieta exageradamente rica em proteínas, à base de atum e ovo. Em 2012, Cate e Bronte cumpriram um sonho de infância, quando nos Jogos Olímpicos de Londres, competiram na mesma modalidade, uma realidade que não acontecia há 40 anos. A última vez que uma dupla de irmãos australianos se classificava para uma edição dos Jogos Olímpicos, aconteceu em 1972, com os nadadores Neil e Greg Rogers. E foi precisamente em Londres, nos Jogos Olímpicos, que Cate conquistou a primeira medalha de ouro, ao sagrar-se campeã Olímpica na estafeta 4x100 m livres. Cate começou a dar nas vistas aos 16 anos, nas Olimpíadas de 2008, em Beijing, (Pequim), quando ganhou as primeiras medalhas: bronze nos 50 metros livres e na estafeta 4x100 m livres. Em 2013, no Mundial de Barcelona, as irmãs Campbell foram mais uma vez, os destaques da Seleção feminina australiana, e Cate conquistou o título Mundial nos 100 metros estilo livre. NO PÓDIO EM KAZAN Fora das piscinas, Cate e Bronte vivem juntas num apartamento em Bowen Hills, nos subúrbios de Brisbane, Queensland, que fica a cinco minutos a pé do centro de treinos - Valley Pool - a casa que criou grandes estrelas olímpicas: Kieren Perkins, Libby Trickett, Susie O´Neill, Hayley Lewis, Samantha Riley. «Juntas, elas são mais fortes: Cate não seria tão boa sem Bronte e Bronte não poderia ser tão boa sem Cate», comentou Simon Cusack, o treinador, que as acompanha duas vezes por dia, seis dias por semana. «É uma relação quase instintiva dos seus corpos com a água». Ao longo dos anos, Cate foi construindo um currículo de respeito: três medalhas olímpicas (duas de bronze e uma de ouro), e sete em Campeonatos do Mundo absolutos (entre 50, 100 e 4x100 m livres). Quanto a Bronte, era frequentemente questionada: «Quando é que ultrapassas a tua irmã?». E a resposta não tardou. Em 2015, nos Campeonatos do Mundo de Natação, em Kazan (Rússia), as irmãs voltaram a encontrar-se no pódio, e só Bronte escreveu a história, ao sagrar-se campeã Mundial dos 200 metros livres. E, pela primeira vez, duas irmãs - medalhadas de ouro e bronze - subiram ao pódio da mesma prova individual. A CAMINHO DO RIO… É caso para dizer que, Cate não vai sozinha ao Jogos Olímpicos do Rio, Bronte também vai la estar. Novamente as irmãs Campbell, aspirantes a serem o melhor duo de irmãs a competir. Serena e Venus Williams são as suas concorrentes mais diretas. Mas quem levará a medalha para casa? O ouro Olímpico ainda é um mistério, mas Cate tem os pés bem assentes na terra. A campeã Olímpica começou o mês de julho da melhor forma, ao fixar em Brisbane um novo recorde do Mundo dos 100 metros livres. A marca conseguida – 52,06 segundos – superou em 0,01 o até aqui melhor tempo, na posse da alemã Britta Steffen, desde 2009. «Aconteceu quando eu menos esperava». Seja quando menos espera, ou na hora de levantar a medalha, é em Hamish que Cate pensa, o seu grande herói, o irmão que sofre com paralisia cerebral. «Nós olhamos para ele e não consegue alimentar-se sozinho, ir à casa de banho sozinho, não se consegue vestir sozinho, ele não nos consegue dizer quando tem fome ou sede, ele não consegue ver». Hamish, agora com 17 anos, tem o desenvolvimento aproximado de uma criança de três e precisa de cuidados 24 horas por dia. Cate costuma pensar no irmão durante as provas, e diz para si mesma que é só uma corrida, «na vida há coisas bem piores do que perder». ANOREXIA, UMA DOENÇA SILENCIOSA Em 2010, Cate apanhou uma febre viral que se traduziu numa grave fadiga. Passou um ano quase a dormir, sem conseguir treinar. Mas esse não foi o único pesadelo que viveu. Por se considerar demasiado gorda, não gostava de si cada vez que se olhava ao espelho, Cate entrou em paranoia, e chegou a perder cerca de 10 quilos. Tudo começou quando começou a ver os anúncios das modelos da Victoria´s Secret, bonitas e magras. Cate não conseguiu ignorar a beleza escultural que os seus olhos alimentavam, nem mesmo as revistas de moda, embaladas com modelos em corpos minúsculos. Apesar de ser uma campeã Olímpica consagrada, os títulos e a fama não a conseguiram salvar. Decidiu ser magra, aliás, demasiado magra, o que significava perder peso, e por pouco não perdeu também a sua identidade. QUANDO PHELPS LHE SALVOU A VIDA Cate Campbell começou por seguir uma dieta onde, cada alimento que consumia, era analisado até ao ultimo pormenor – por dia, só lhe permita comer até 1000 calorias. Os amigos começaram a ficar preocupados e a sua preocupação tornava o seu sonho possível. A obsessão por comida era tal, que o corpo começou a dar sinais. «Eu estava a ficar cada vez mais doente». Tal como Cate, Michael Phelps não é apenas um campeão dentro de água, e foi precisamente o medalhista Olímpico que lhe salvou a vida. Ao ler o capítulo do livro Beneath The Surface, lançado por Phelps, onde relatava o trauma da irmã Hilary, também uma nadadora que depois de uma lesão nas costas, sofreu um distúrbio alimentar, Cate acordou para a realidade. Não podia continuar assim. Nas palavras de Phelps, tentou recuperar a vida. «Nadadoras magras não são boas nadadoras». E Cate era uma campeã nas piscinas. Com a ajuda da mãe, a australiana consultou uma nutricionista, e entre 2011 e 2012 recuperou a sua forma, e a sua saúde. «Eu decidi ser saudável e feliz, porque eu estava miserável. Eu sentia-se cansada, doente, irritada, todas essas coisas. Eu nunca quis entrar num estado de anorexia ou bulimia, mas estava psicologicamente afetada…». ...
Estilos e Espantos No Rio pode haver Michael Phelps em versão feminina. Pelo menos, essa é a promessa que ela própria, a Katie Ledecky não descarta. Sim, mesmo que no apelido não pareça é americana, o Ledecky vem-lhe do avô checo que para lá fugiu dos comunistas, no rescaldo da II Guerra Mundial. Aos seis anos começou a nadar, e aos 15 conquistou o ouro nos 800 metros livres nos Jogos Olímpicos de Londres. Mais espanto ainda, foi o que fez nos Mundiais de Kazan, ao tornar-se a primeira nadadora a conquistar o outro numa só edição dos Mundiais nos 200, 400, 800 e 1500 metros, bem como na estafeta de 4x200... Michael Phelps tinha sete anos quando a mãe decidiu inscrevê-lo numa piscina, o «único sítio capaz de conter a sua energia caótica». Sete anos depois das primeiras braçadas, foi o próprio Phelps que o disse: «quase que me sinto em casa quando estou dentro de água. Ali eu desapareço do mundo. É onde eu pertenço». O resto? É o que se sabe: foram 22 medalhas (18 de ouro) por ele conquistadas, um nome que para sempre será lembrado como uma lenda Olímpica. Michael Phelps é dos nomes mais esperados nos Jogos Olímpicos do Rio, tornando-se o primeiro atleta olímpico a integrar a seleção americana em cinco edições dos Jogos Olímpicos, igualando o feito de Dara Torres, dona de quatro medalhas olímpicas de ouro. Será no Brasil que, a lenda da natação vai encerrar uma carreira sem paralelo no desporto. Embora um deus nas piscinas, na vida pessoal, Phelps tocou por várias vezes o inferno. Tudo começou após anunciar a despedida nos Jogos de Londres. Sem treinar, foi detido ao conduzir sob o efeito de álcool, em alta velocidade. Em Setembro de 2014, acabou suspenso por seis meses (já havia sido detido pelo mesmo motivo em 2004), o que o impediu de disputar o Mundial de Kazan, em 2015, onde Katie Ledecky foi estrela. O ENCONTRO COM O ÍDOLO NUMA FILA DE AUTÓGRAFOS Sobre ela, não há muito a dizer: «Cada vez que entra na água, é como um recorde mundial», foi desta forma que Phelps elogiou Ledecky, a sua compatriota de apenas 19 anos. Katie começou a nadar aos seis anos, por influência do irmão. Dizem que o truque de uma mentalidade vencedora é pensar em ganhar, sempre em ganhar, ser obcecado por vitórias, títulos, medalhas e conquistas, mas Katie não começou assim. No primeiro teste, via-se mais espuma e água descontrolada do que algo parecido com nadar, muito menos em crawl, ou estilo livre. No fundo, Katie não sabia o que estava a fazer, apenas queria brincar, era uma criança feliz. Perdeu a primeira corrida, no final, perguntaram-lhe o que lhe passava ela cabeça enquanto estava a tentar dar umas braçadas. «Nada!», respondeu. Mas Katie não convenceu. Três anos depois de mal saber nadar na primeira prova, Katie apareceu na fila de uma sessão de autógrafos, à espera da sua vez para conhecer e tirar uma fotografia com o ídolo, Michael Phelps. Tinha 9 anos e, com 14, já estava na mesma equipa que o campeão olímpico detentor de 22 medalhas olímpicas. «Foi um momento bastante surreal, quando pensei que o tinha conhecido na altura em que estava a começar a nadar…». Meses depois, chegava a Londres, os primeiros Jogos Olímpicos da sua carreira – Katie tinha apenas 15 anos (quatro meses e dez dias no dia da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos) - era a mais nova da equipa e da comitiva americana (530 atletas). Da memória, um momento eterno – quando tirou os óculos e viu no ecrã o seu nome – tinha acabado de vencer a medalha de ouro nos 800 metros livres, a única prova em que estava inscrita, com o tempo de 8.14,63 minutos, mais de quatro segundos de vantagem sobre a concorrência. Sozinha e sem ninguém à frente, é assim que Katie Ledecky costuma terminar as provas em que participa. A INFÂNCIA COM…MICHAEL JORDAN Nasceu em Washington, DC, como Kathleen Genevieve Ledecky, a 17 de março de 1997, mas rápido o mundo a conheceu apenas por Katie Ledecky. Tal como a sua mãe, Mary Gen Hagan, uma nadadora da Universidade do Novo México, quis saber a sensação de estar dentro de água, mas foi pelo irmão que continuou. Michael, três anos mais velho, também é um apaixonado pelas piscinas. Estudante na Universidade de Harvard, deixou as competições para a irmã, o seu maior orgulho. Katie cresceu entre os grandes do desporto, onde por várias ocasiões entrou nas brincadeiras de Michael Jordan, parceiro do seu tio (Jon Ledecky) na administração dos Washington Wizards, equipa da NBA. FUGIDO DA GUERRA PARA LAVAR PRATOS Um ano depois dos Jogos Olímpicos de Londres, Katie já não se contentava apenas com mais um título. Em 2013, nos Mundiais de Barcelona, a campeã americana conquistou cinco. Nos Mundiais de 2015, em Kazan, na Rússia, Katie bateu todos os recordes: depois do título nos 400 metros livres no primeiro dia, triunfou nos 1500 metros e com mais um recorde do mundo, batendo a sua própria marca estabelecida nas eliminatórias da véspera. Ledecky até tinha batido o recorde no dia anterior quase por acidente — «provavelmente o recorde mais cool da minha carreira», disse - e na final, voltou a ser o que se esperava dela, dominadora da primeira à última piscina, terminando com o tempo de 15.25,48 minutos, menos 2,33 segundos que a sua anterior marca. Foi o sexto título mundial (o segundo em Kazan) para a americana, que, pouco depois de triunfar na prova mais longa em piscina, ainda conseguiu a qualificação para a final dos 200 metros. Já na outra prova em que está inscrita, os 800 metros (onde conquistou o primeiro lugar), Katie é considerada a grande favorita, e deverá, ainda, integrar a estafeta norte-americana dos 4x200m livres. «Não sou capaz de abrandar em nenhuma prova», e não abrandou. «É das melhores nadadoras em estilo livre que já vi. Uma vez treinei com ela, em Colorado, e fez com que eu parecesse que estava parado. Ela voou sobre mim», revelou Ryan Lochte. «A sério, ela quase que nada como um homem. A braçada longa e curva, cada vez mais forte durante a corrida», afirmou Michael Phelps. Destinada ao êxito desde criança, Katie herdou a garra do seu avô paterno, Jaromir Ledecky, um checo que em 1947 chegou aos Estados Unidos, depois da Segunda Guerra Mundial para lavar pratos e aprender inglês. Fê-lo tão bem, que terminou com um doutorado em economia na Universidade de Nova Iorque. Isso, além de uma considerável fortuna. UM FENÓMENO DAS PISCINAS Em quatro anos, Katie já conquistou o mundo. Depois do inesperado outro Olímpico em Londres, com apenas 15 anos, as melhores braçadas que deu numa piscina, viram-se em Kazan, onde conquistou o ouro nos 200m, 400m, 800m e 1500m livres (feito que nenhum outro nadador havia conseguido numa só edição dos Mundiais), bem como na estafeta de 4x200m livres. Em 2013, Katie conquistara cinco títulos nos Mundiais de Barcelona). Bater recordes a torto e a direito, uns atrás dos outros, para ela é um hobbie, uma paixão que lhe dá medalhas, mas que lhe rouba o tempo. Depois do brilharete Olímpico, voltar à normalidade tornou-se uma tarefa impossível. Após os Mundiais, Katie decidiu congelar a matrícula na Universidade de Stanford, uma das melhores dos Estados Unidos, para se focar na preparação dos Jogos Olímpicos do Rio. Em janeiro, Katie participou num meeting em Austin, nos Estados Unidos da América, onde bateu o recorde mundial dos 800 metros livres, com o tempo de 8.06,86 minutos. A campeã olímpica bateu o seu próprio recorde, de 8.07,39, marca que tinha sido cronometrada em agosto do ano passado, durante os Mundiais de natação, que decorreram em Kazan. NO RIO COM MICAHEL PHELPS «Claro. Queres nadar daqui a uma hora?», respondeu-lhe Katie, depois de Michael Phelps a ter desafiado para uma corrida, durante um evento em que coincidiram no Arizona. Não chegaram a correr. «Não, quero nadar agora, que acabaste uma prova e estás cansada», atirou o medalhado olímpico. Katie mesmo assim disse-lhe que sim. Mas conta a história que Michael Phelps não apareceu. «De outro mundo». Foi assim que Bob Bowman, o mentor de Phelps, qualificou Katie Ledecky. O recordista de medalhas olímpicas voltou a elogiar a compatriota. «Ela tem fome de títulos. É bom vê-la a dominar de forma continuada». Em comum com Phelps, para além de ser uma das maiores estrelas em ascensão na natação, Katie Ledecky tem o facto de se ter estreado nuns Jogos Olímpicos aos 15 anos. A diferença é que, enquanto o nadador de Baltimore foi quinto nos 200 metros mariposa, em 2004, Katie conquistou o ouro logo à primeira tentativa, nos 800m de Londres 2012. E se os acordes de piano são a sua inspiração, é dentro de água que Katie dá música à concorrência. É preciso voltar aos anos 60 e 70, para encontrar uma nadadora que se assemelhe ao seu potencial – Debbie Meyer, batizada na América como a diva, quando nos Jogos Olímpicos do México, em 1968, ganhou os 200, 400 e 800 metros, tornando-se a primeira mulher a ganhar três ouros Olímpicos num só edição. Para os Jogos Olímpicos do Rio, se Phelps conta fazer história em cinco provas, Katie vai mais longe, e são seis as medalhas que pretende levar para casa. Ledecky detém nove dos dez melhores tempos de sempre dos 800 metros e apresenta-se como a grande candidata a revalidar o título olímpico - na prova em que vai estar uma portuguesa, a Tamila Holub, vice-campeã europeia de 800 metros e campeã europeia de 1500 de juniores. ...
Estilos e Espantos 10 de julho de 2016 - o dia em que Portugal entrou para a história como campeão europeu através de um pontapé fulminante de um herói julgado improvável, o Eder. E depois da angústia que foi ver-se Cristino Ronaldo caído no relvado em lágrimas na sequência da dura entrada de Payet que o inutilizou e de ele sair do campo de lágrimas no rosto também o que se viu foi o «patinho feio a transformar-se em cisne» e o que aqui se conta é a história desse patinho feio que se transformou em cisne depois de aprender a jogar futebol num lar de acolhimento e quando, por lá, partia os vidros das janelas, levava puxões de orelhas... Há coisas que só existem no futebol. Há momentos que só se vivem uma vez na vida. A noite foi de festa mas há uma memória que não me sai do pensamento, o contentamento daquele adepto com quem me cruzei. Ele próprio estava incrédulo, não por Portugal ter sido campeão europeu, mas sim por Portugal ter sido campeão curopeu com um golo de Éder. Aquando da convocatória de Fernando Santos, Éder foi o mais criticado, mesmo assim, seguiu viagem para Paris. Em solo francês, antes da final estivera em campo apenas cerca de 20 minutos, quando Portugal mediu forças frente à Islândia e Áustria. Mas como o Stade de France é o palco de todas as emoções, Fernando Santos quis arriscar, arriscou nele, já Ronaldo tinha tido um feeling - e a antes de ele entrar em campo, disse-lhe, certeiro: «Vai, que vais marcar o golo da vitória» - e foi, o golo histórico, o seu primeiro pela seleção em competições oficiais. AS JANELAS QUE PARTIU NO LAR DE ACOLHIMENTO A avó Ricardina Lopes não conseguia desviar o olhar das fotografias do seu menino, o neto que viu nascer e tanto amor lhe deu, naquele Bairro da Ajuda, em Bissau, mas que cedo viu partir para Lisboa, com os pais, em busca de um futuro melhor. Éderzito António Macedo Lopes nasceu na Guiné-Bissau, a 22 de dezembro de 1987. Podia ter escolhido representar a Seleção do seu país de origem, mas a Guiné apenas foi o país onde nasceu. Nunca mais voltou. Portugal acolheu-o como um filho, e como bom filho, escolheu as cores de Portugal, o país que lhe ensinou o melhor que a vida lhe deu: o futebol. Filho de pais pobres, Éder, como o tratam os companheiros, chegou a Portugal aos três anos de idade, e aos oito, foi entregue a um Orfanato em Coimbra, onde foi criado. Na altura, os pais não tinham condições para o criar. A chegada ao Lar Girassol não foi fácil, Éder não conseguia perceber porque não podia ficar com os pais, tal como os seus amigos. Por ali, para esquecer as mágoas de uma infância inconstante, Éder começou a jogar futebol… e a partir algumas janelas. «Jogávamos futebol lá no pátio e eu parti muitos vidros. Tive alguns castigos por causa disso. Uns puxões de orelhas, uns raspanetes, ir para cama mais cedo, não ver televisão. Por outro lado, chegaram a tirar-me do futebol por causa das notas e o treinador do Adémia foi ao colégio pedir para eu jogar», contou o jogador numa entrevista ao Mais Futebol. AS FEBRAS À BORLA QUANDO MARCAVA GOLOS Éder começou a carreira no Adémia, clube nos distritais de Coimbra, equipa que formava jogadores. Mesmo quando não treinava durante a semana, castigado pelos vidros que partia no lar de acolhimento, Éder não faltava aos jogos no fim-de-semana. Mas não era só pelos jogos, mas sim pelo amigo, um talhante, adepto fervoroso do Adémia. «Por cada golo que eu marcava oferecia-me uma febra. Então, no final da época, fazíamos sempre uma almoçarada com as febras todas». As vidraças viraram golos, e Éder teve de subir a pulso até à Liga para chegar à Académica. E chegou a ser caso de polícia depois de desertar a meio da noite do hotel onde estava a ser negociada a sua transferência para Inglaterra, a meio da época 2011-12. Mas já lá vamos. Depois de aprender as bases no Adémia, onde foi parar pelo incentivo de um professor que o lá levou a fazer testes, Éder, chegado a sénior, transferiu-se primeiro para o Oliveira do Hospital e depois para o Tourizense aos 18 anos, altura em que o clube o aliciou com um contrato de 400 euros por mês (o seu primeiro ordenado). Do primeiro salário, a maior parte foi enviada para a mãe. EM COIMBRA COM ANDRÉ VILLAS-BOAS Éder já não era aquele menino irrequieto que, na escola costumava participar em torneios escolares para alimentar a paixão do futebol. Era já um jovem no auge da maturidade que queria fazer carreira no futebol, depois de ter conseguido a dupla nacionalidade e firmar-se português. E consegui-o, tinha chegado à Académica de Coimbra, clube que militava na primeira divisão do campeonato português. Quatro épocas no emblema conimbricense permitiram-lhe lidar com treinadores como Domingos Paciência, André Villas-Boas, Jorge Costa ou Pedro Emanuel e, talvez por isso, Éder deixou-se contagiar pela mesma ambição e vontade de ganhar que reconhece nos técnicos com quem aí trabalhou. Os anos passados na Académica foram bastante proveitosos e o destino acabou por colocá-lo na rota do Braga, cidade onde, inclusive, havia vivido por um curto espaço de tempo durante a sua infância. A CHAMADA À SELEÇÃO DE PAULO BENTO Sem grande concorrência ao seu nível, Éder conquistou desde logo o seu espaço e tornou-se num dos titulares indiscutíveis da formação arsenalista, facto que lhe proporcionou a chamada à Seleção Nacional, comandada por Paulo Bento, na convocatória frente ao Azerbaijão, a 11 de setembro de 2012. Em Braga, Éder viveu um período conturbado, com algumas lesões pelo meio, o que lhe permitiu dar o salto – o Swansea, da Premier League inglesa chamou por ele, mas Éder não se conseguiu afirmar, acabando por ser emprestado ao Lille, da Primeira Liga francesa na época de 2015, de forma a não perder o lugar na carruagem dos convocados para o Euro 2016. SUSANA TORRES, UM ANJO DA GUARDA Éder, herói português, imaculado anjo de Cristiano Ronaldo, mas por muito tempo, a alcunha que melhor lhe serviu foi Ederbayor, ou não tivesse o Emmanuel Adebayor (jogador togolês) como ídolo, um avançado que combina, no seu estilo aparentemente desengonçado, força física com mobilidade, mas que dança com uma agilidade felina a cada golo que marca. E no Stade de France, Éder mostrou toda a sua garra, toda a sua força, uma identidade nacional que já se fazia sentir ao serviço da Académica. Mas o percurso para se firmar no futebol não foi fácil. Fragilizado com as criticas e descrente no seu futebol, Éder chegou a ponderar desistir do seu sonho, só não o fez porque conheceu Susana Rodrigues Torres, uma antiga bancária de Viana do Castelo, que se tornou a sua mentora desportiva de alta performance. E foi a Susana, que Éder fez questão de dedicar o golo, o golo que fez Portugal Campeão Europeu. «É a minha treinadora de alta performance, vocês deviam conhecê-la…». E o Mundo já conheceu Susana. «Este jogador, que na altura colocava em causa a sua carreira desportiva, comentou comigo o seu sonho de criança e acabámos por lançar um desafio um ao outro: ele transformava o sonho num objetivo a seis meses, e eu dar-lhe ia todas as ferramentas que possuía para o ajudar a conquistar esse objetivo. Foram seis meses de trabalho intensivo e no fim o jogador rumou a uma das ligas mais exigentes do mundo». Para Fernando Santos, o futebol de Portugal foi «simples como as pombas e prudente como as serpentes», quanto a Éder, foi ele mesmo, o mesmo rapaz que em criança chegou a um lar de acolhimento e alimentou o sonho longe dos pais. Ali fez vários irmãos, na Seleção fez outros quantos. Certo é, que todos eles partilham a mesma opinião: o patinho feio virou cisne, e Portugal nunca mais irá esquecer o 10 de Julho, e o Éder também não - porque foi o dia que lhe deu o que se calhar poucos achavam que ele poderia agarrar em Paris: a imortalidade, o nome em grande na história - por ter sido dele o golo que fez de Portugal campeão da Europa. ...