QUARTA-FEIRA, 29-06-2016, ANO 17, N.º 5996
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destaques

Olhares A lei é só uma: todos os heróis, antes da fama passaram por um revés na sua caminhada rumo ao estrelato. E Lewandowski não foi diferente. Outrora rejeitado e humilhado, conseguiu em apenas nove minutos fazer o que ninguém esperava dele: ganhar um jogo com uma manita que só Cristiano Ronaldo entende na perfeição. Este polaco de 27 anos sabia que tinha jeito para o futebol, só não sabia que iria bater um recorde que estava na posse de um ex-futebolista do Belenenses, isto no que diz respeito às seis principais Ligas Europeias. Gilberto Vicente, nascido em 1918 em Portimão, fez cinco golos em 18 minutos quando defrontou o Vitória de Guimarães, num encontro a contar para a 2ª jornada do campeonato nacional em 1943. Depois dele só Kubala, que na década de 50, apontou cinco golos em 19 minutos, numa goleada do Barcelona sobre o Sporting de Gijón. Mas Lewandowski fez mais…Oleg Salenko precisou de 60 minutos para marcar cinco golos no Rússia-Camarões durante o Mundial de 1994; Lionel Messi fez o mesmo em 59 minutos contra o Bayern Leverkusen na Liga dos Campeões; Carlos Eduardo precisou de 52 minutos na Liga francesa; Cristiano Ronaldo assinou uma manita em 74 minutos perante o Espanhol, enquanto Jardel e Nuno Gomes fizeram o mesmo em 89 e 76 minutos contra Salgueiros e Leça, respetivamente. Mas há um nome na história de Portugal que muitos já ouviram falar mas pouco conhecem: Fernando Peyroteo, antigo avançado do Sporting que marcou cinco golos por doze vezes na carreira. Não demorou os nove minutos de Lewandowski, mas tal como o polonês sempre acreditou no seu valor, e mais do que isso, no futebol. Robert Lewandowski entrou para o livro de recordes do Guinness pela sua inacreditável proeza frente ao Wolfsburgo, ao tornar-se o primeiro jogador do Bayern de Munique a sair do banco de reservas e marcar cinco golos em apenas nove minutos, num só jogo. E se Pep Guardiola levantou as mãos à cabeça sem saber o que responder, Philippe Lahm, ainda queria mais. «Ele teve mais duas oportunidades, devia marcado sete golos...». E no Europeu Lewandowski? O avançado polaco ainda não marcou em França, mas Ronaldo não pode tirar os olhos dele: desde a época 2011/12 que quebra sempre o jejum à quinta partida oficial. E a quinta partida oficial é precisamente amanhã frente a Portugal… ...
Estilos e Espantos Fernando Madeira nadou a seu lado na vez em que Carlo Pedersoli esteve mais perto de ir à luta pelas medalhas nos 100 metros livres dos Jogos Olímpicos. Quatro anos antes, fora a Londres na equipa de polo aquático de Itália que de lá saiu com a medalha de ouro. Mas, muito mais vez e mais brilhante – mas não foi a natação que lhe deu a eternidade. Aliás, nem foi como Carlo Pedersoli que a conseguiu – foi como Bud Spencer, o Bambino que era, bonacheirão, o compincha de Trinitá. Esse nunca mais morrerá. O outro, o Carlos Pedersoli morreu em Roma, a última palvra que soltou foi: - Obrigado! E o que aqui se conta sobre a sua vida é um espanto, acredite… Fernando Madeira, nadador do Sport Algés e Dafundo, saiu da quarta eliminatória de 100 metros nos Jogos Olímpicos de Helsíquia, em 1952, em sexto lugar com 1.02,6 minutos – e nessa sua série apurados para as meias finais foram o americano Dick Cleveland, o japonês Hiroshi Suzuki e o italiano Carlo Pedersoli, os três que a nadaram a menos de um minuto. Pedersoli falhou o acesso à final – e a medalha de ouro ganhou-a Clarke Scholes. Ainda aluno da Michigan State University – haveria de tornar-se depois ator do Grosse Pointe Theatre, aparecendo, a cantar e a dançar, em peças como Cabaret ou Cactus Flower, Barefoot in the Park ou Arsenic and Old Lace. (Sim, nessa arte, Pedersoli não lhe haveria de dar meças, sequer...) Não, Scholes já não competiu nos Jogos Olímpicos de 1956, Pedersoli sim – e voltou a falhar a final por uma nesga. (A razão, haveria de revelá-la, depois, desconcertante...) O OUTRO PORTUGUÊS? MORREU A CORRER DE AUTOMÓVEL... Dessa vez em Melbourne, Carlo Pedersoli já não teve portugueses a nadar contra si. Guilherme Patrone, que também estivera em Helsínquia, ganhou os 100 metros nos campeonatos de Portugal, mas não conseguiu mínimos olímpicos. Não, não era apenas nadador, também fazia corridas de automóveis. Filho de Emílio António de Carvalho Duarte, latifundiário que fora um dos fundadores do Amora FC, Guilherme Patrony de Carvalho Duarte (que para a história da natação entrou como Patrone com o e em vez do y) tinha já a espreitá-lo cruel destino: a 6 de fevereiro de 1958, ao disputar a Volta a Portugal em Automóvel acidente à beira de Odemira matou-o, estava a caminho dos 28 anos… Meses antes, Pedersoli, que também fora brilhante jogador de pólo aquático (campeão de Itália pela Lazio e muito mais aliás, fora por lá que se dera a sua estreia olímpica…) ainda não deixara as piscinas – para ir agarrar a eternidade a outro lado (e com outro nome…)mas estava quase. (E isso e muito mais é o que a seguir se vai contando, surpreendente, talvez ou não...) ...