SEGUNDA-FEIRA, 23-01-2017, ANO 17, N.º 6204
O
Loures
Cante Alentejano: Dois anos como Património da Humanidade
18:28 - 05-11-2016
Foi realizado o tributo a uma das duas manifestações musicais populares de Portugal a obter o estatuto de Património Imaterial da Humanidade, o Cante Alentejano (a outra é o Fado), num momento em que se cumpre o 2.º aniversário desde o anúncio emitido pela UNESCO, confirmando esse estatuto.

O evento foi organizado na Biblioteca Ary dos Santos, em Sacavém, pela Liga dos Amigos da Mina de São Domingos, sita na mesma cidade, e apresentou um programa dividido pela manhã e tarde deste sábado.

A sessão matinal teve como tema ’O Cante Alentejano, Sua Origem, História e Salvaguarda‘, com os trabalhos a serem antecedidos com uma visita guiada informal das entidades políticas e governamentais presentes, de forma a aferir a excelência das instalações da biblioteca recentemente inaugurada, e contou com uma mesa onde se sentaram, além do presidente da entidade organizadora, Fernando Vaz, Miguel Honrado, secretário de Estado da Cultura, Filipe Santos, presidente da União de Freguesias de Sacavém e Prior Velho, Manuel Martins, da Casa do Alentejo, e Bernardino Soares, presidente da Câmara Municipal de Loures.

Um apontamento coral da responsabilidade do Grupo Coral da Liga dos Amigos da Mina de São Domingos abriu os trabalhos antes de Fernando Vaz apontar para a «necessidade da salvaguarda do Cante enquanto Património Imaterial da Humanidade, conscientes de que esta classificação atribuída pela UNESCO pode não ser eterna caso o Cante perca a sua essência», sendo seguido pela exposição de José Rodrigues dos Santos, professor jubilado/investigador da Universidade de Évora, subodinada ao tema ‘Origens e História do Cante’.

O secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, congratulou-se pelo «cumprimento do objetivo de que o Cante seja manifestamente uma cultura tradicional e introduzida ao nível da distintividade». Já o autarca municipal de Loures, Bernardino Soares, sublinhou o facto de o tributo ter lugar em Sacavém, «uma cidade com uma profunda ligação à realidade do trabalho, de pessoas provenientes de vários pontos do País, em especial do Alentejo».

«Sacavém está profundamente ligada à realidade do Cante», concluiu, tendo sido secundado pelo presidente da União de Sacavém e Prior Velho, Filipe Santos, que alertou para «o dever de valorizar, preservar e defender este tipo de iniciativas».

Seguiu-se José Roque, vice-presidente da MODA (Associação do Cante Alentejano), que se encarregou do assunto ‘Salvaguarda do Cante Alentejano’, finalizando a sua intervenção com a necessidade de «este património continuar a ser registado para que não haja o risco de se ver apropriado por outros que o façam junto da Sociedade Portuguesa de Autores e assim façam com que os mais antigos, de 70 e 80 anos que sempre cantaram, tenham de pedir autorização para o fazer».

Na Oficina do Cante procedeu-se a uma experiência com audiência, com troca de impressões, orientada por José Rodrigues dos Santos, Manuel Martins e também José Marques, ensaiador e cantador.

Foi ainda projetado o filme ’Alentejo Alentejo’, de Sérgio Tréfaut antes da atuação de três Grupos Corais de Évora e Cuba e da Liga dos Amigos de São Domingos.

Fotos: Miguel Santos/ASF
Rafael Batista Reis

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