«Não me deito sem ver o sol» - Williams

Snooker 07-05-2018 23:02
Por António Barroso, em Inglaterra
O galês Mark Williams, de 43 anos, que na noite desta segunda-feira conquistou, pela terceira vez na sua carreira (depois de 2000 e 2003) o título de campeão mundial de snooker, ao vencer o escocês John Higgins, por 18-16, na final do Mundial, cumpriu parcialmente o prometido, de surgir perante os jornalistas nu, e estava nas nuvens por, 15 anos depois, viver «sensação única».

«Da última vez que fui campeão, comi no Donner Kebab, com batatas fritas, e fui para a cama. Agora não: não há hipótese alguma de me ir deitar sem o sol raiar, quero festejar. Estou nas nuvens, é uma sensação única. E pensar que há um ano estava para me retirar. Nunca pensei chegar aqui de novo», afirmou Mark Williams, na concorrida conferência de imprensa final, onde os cotovelos foram armas: todos queriam registar o momento da prometida aparição de um campeão mundial em pelota à imprensa do planeta.

Mas Williams surgiu embrulhado numa toalha do sponsor da prova, a BetFred. E pediu desculpa por isso.

«Oh malta, sabem que eu vinha, mas o Barry Hearn [chairman da World Snooker] é que insistiu. Nunca me senti sob pressão na final. Curiosamente, antes sempre relaxado. Senti mais pressão ante Barry [Hawkins, meias-finais]. Nem mesmo depois de, com 17-15, falhar aquela rosa que me dava a vitória. Fui para a cadeira a falar para os meus botões foi só uma bola, tens de te recompôr e voltar a tentar!. Poucos jogadores, depois de Higgins, fabuloso, me voltar a sacar mais um frame, conseguiriam aquela entrada para vencer um Mundial. Isso deixa-me feliz», disse.

E deixou elogios para Higgins. «Vejam bem a quantidade de parciais que eu parecia ter ganho e ele conquistou. É, digo-o aqui, o melhor do Mundo a resgatar frames que parecem perdidos. Não, com esta classe, nem Ronnie, nem Hendry. Fiquei aliviado quando fiz o 16-15. Pensei que os meus dias tinham acabado, e afinal… olhem, sabe muito melhor do que em 2003, saboreio muito mais agora. E em 2019 cá estarei, já estou ansioso. É inacreditável, nem consigo pensar que ganhei isto três vezes», concluiu um Mark Williams cujo humor também lhe daría título de campeão.

Higgins ainda a digerir

Já o vice-campeão mundial, pelo segundo ano consecutivo, o escocês John Higgins, admitiu a frustração de perder duas finais consecutivas, 2017 e 2018. «É duro. E dor é dor, mas nada a fazer. Mark foi inacreditável a descobrir vermelhas para embolsar, impossíveis, de todo o lado. É inacreditável! Está a jogar muito mais do que em 2000 ou 2003», afirmou o feiticeiro de Wishaw aos jornalistas.

A recuperação, disse, fracassou na final por uma questão psicológica paquidérmica: nunca conseguiu, mesmo depois de empatar a 7-7 e 15-15, passar para a frente no marcador. «Tive má escolha de jogadas e algumas mesmo más nos dois parciais a seguir ao 15-15. Culpa minha, Mark aproveitou bem. Já nem esperava que ele falhasse aquela rosa cm 17-15, mas depois, outra vermelha que só ele viu que entrava no meio resolveu: está intratável. Parabéns para ele. Eu prometo voltar no próximo ano», concluiu John Higgins.

Mas o escocês não abalou sem uma palavra para o domínio que a class of 92 - ano em que tanto ele, como Mark Williams, como Ronnie O’Sullivan se estrearam no profissionalismo – continuam a ter nas mais importantes provas, no Mundial e no main tour. «Ding Junhui acabará por vencer um Mundial, tal como Judd Trump ou Kyren Wilson. O futuro é deles. Mas eu prometo voltar para o ano», declarou o fantástico tetracampeão mundial (1998, 2007, 2009 e 2011) à despedida.
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