Williams a três passos do ‘tri’ Mundial (15-10)

Snooker 07-05-2018 16:53
Por António Barroso, em Inglaterra
O galês Mark Williams, de 43 anos, sétimo da hierarquia e bicampeão mundial (em 2000 e 2003), concluiu muito perto do seu terceiro título, com uma vantagem de 15-10, a terceira sessão da final do Campeonato do Mundo de Snooker, ante o escocês John Higgins, de 42 anos, tetracampeão mundial (1998, 2007, 2009 e 2011), quinto do ranking e atual vice-campeão mundial, em Sheffield (Inglaterra).

Depois de ter arrematado os três últimos parciais na 2.º sessão, na noite de domingo, para cavar nova vantagem sobre o feiticeiro de Wishaw - chegou à sessão desta tarde, a penúltima, a liderar por 10-7 um jogo em que chegou a 4-0 e 5-1 mas viu Higgins reagir até 7-7 - Wilo foi diabólico em combinações e a proveitar uma sucessão de erros do pior John Higgins que se viu nos últimos dois anos no teatro dos sonhos.

O escocês falhou bolas relativamente fácil, com uma taxa de sucesso a embolsar que chegou a rondar os 76 por cento… para 94 por cento do welsh potting machine, implacável a castigar e punir com entradas ganhadoras o seu velho rival a caminho do tricampeonato, 15 anos depois de ver levantado o caneco aqui pela última vez, e igualar os três títulos de Mark Selby no Crucible.

Depois dos três frames finais de domingo, Mark Williams, com combinações bem conseguidas e vermelhas de toda a maneira e feitio, arrematou os primeiros quatro parciais para, ao intervalo desta 3.ª sessão, dobrar o marcador: 14-7, com o Mundo atónito e incrédulo com o sonoro estoiro do escocês, a quem os duelos brutais com Judd Trump e Kyren Wilson, e a recuperação até 7-7 da véspera parecem ter esgotado reservas no tanque.

Subitamente, e com todos de olhar espantado no Crucible pelo desnível inesperado, passou a ser verosímil não haver sessão à noite: era Williams ganhar os outros quatro parciais da tarde…

Uma coisa é ser batido, outra é fazer figura de corpo presente. E esta foi a imagem que melhor encaixa do que foi Higgins na primeira parte da sessão da tarde desta segunda-feira. Chegou a ser penoso vê-lo impotente, na cadeira, a sentir o peso do Crucible… e o chão a fugir-lhe debaixo dos pés.

Higgins é e será sempre um dos maiores de sempre, razão pela qual o jogo de sentido único a que, atónito, o Mundo assistia, semeou silêncio. Custa vê-lo assim, apesar de nada jamais beliscar o prestígio de um dos grandes embaixadores desta variante do desporto e deste espetáculo de excelência.

Ante um campeoníssimo como também é Williams, com 20 títulos de ranking, perder é normal, mesmo se do outro lado John tem… 30 títulos na carreira em provas de ranking.

Alívio para quem pagou para ver à noite demorou

Só no 22.º parcial, após o intervalo da sessão e quase duas horas após o recomeço das hostilidades à mesa esta 2.ª feira é que os 980 espectadores que, com um ano de antecedência, (em 2017) pagaram 70 ou 100 libras (80 a 113 euros) para ver a última sessão desta edição do Mundial puderam respirar de alívio: afinal, iria mesmo realizar-se.

Depois de múltiplas oportunidades falhadas, John Higgins ganhou um frame - coisa que não tinha feito nos sete anteriores – e garantiu que haverá sessão noturna, com até um limite de dez parciais possíveis para disputar. Mas poderão ser só três, caso Mark os vença, para depois avançar para o momento que o Mundo anseia por registar: o prometido strip tease de Mark Williams na conferência de imprensa do campeão.



No 23.º parcial, primeiro sinal de impaciência de Williams, a bater com a mão na mesa, furioso por, em break de 65, e ao procurar espalhar as encarnadas, ter ficado sem hipótese de embolsar.

Bela vermelha longa do escocês, que se mandou com tudo para a mesa (o que se lhe pedia, o que havia a fazer) valeu sangue no torso de Williams: Higgins resgatou-lhe um parcial que dói, com break de 72 pontos a limpar a mesa: 9-14, estava vivo, não se rendia, o bom e velho Higgins, e as notícias da sua morte eram ainda, como imortalizou Mark Twain ao ler a notícia do seu funeral no jornal, «manifestamente exageradas».

Reação à campeão: para um 147

Com Higgins embalado na segunda metade da sessão, a conquistar dois parciais de rajada, e o público do seu lado (querem é ver uma negra, claro), o escocês embalou e provou a fibra: nova vermelha longa, e entrada de 80 pontos, a tentar a máxima (147 pontos), mas a falhar a 11.ª vermelha após dez encarnadas e outras tantas pretas no buraco. Mas a resposta estava dada… e 10-14.

Vencer o último significava empatar a sessão 4-4 e devolver a emoção ao embate destes dois colossos. Mas Williams também o sabe, ou não andasse cá, e tal como Higgins, há 26 anos a encantar: arrancou entrada de 50 pontos, ainda falhou uma preta, mas Higgins não fez melhor e, à segunda, o galês selou o 15-10, ampliar a vantagem que trazia da véspera (venceu a sessão da tarde por 5-3) e ficar a três parciais da meta: 15-10.

A final do Mundial, prova maior da época 2017/18 da World Snooker, conclui-se a partir das 19 horas desta segunda-feira, com a quarta e última sessão, num duelo, recorde-se, à melhor de 35 frames: vence o primeiro a chegar a 18 (de 18-10 a possíveis 18-17 para qualquer um deles).

O Mundial, prova maior da época 2017/18 da World Snooker, tem transmissão para Portugal (EuroSport), distribui 1,968 milhões de libras (2,22 milhões de euros) de prémios: o campeão embolsa 425 mil libras (480.449 euros), o vice-campeão leva 180 mil libras (203.484 euros).

Final do Campeonato do Mundo, esta 2.ª feira:

John Higgins-Mark Williams, 10-15 (19 horas, conclusão)
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