Williams vira final do Mundial na frente (10-7)

Snooker 06-05-2018 22:49
Por António Barroso, em Inglaterra
O galês Mark Williams, de 43 anos, sétimo da hierarquia e bicampeão mundial (em 2000 e 2003), fechou a noite deste domingo em vantagem (10-7) a 2.ª sessão da final do Campeonato do Mundo de Snooker, que o opõe ao escocês John Higgins, de 42 anos, tetracampeão mundial (1998, 2007, 2009 e 2011), quinto do ranking, atual vice-campeão mundial, em Sheffield (Inglaterra)

Com o Mundo em suspenso para comprovar se, caso vença, Mark Williams surge nu na conferência de imprensa segunda-feira à noite, como prometeu, erros de parte a parte permitiram a Higgins, mais sereno como é seu timbre - e que depois de 0-4 conseguiu acabar a primeira sessão com bem mais lisonjeiro 3-5 – oportunidade de encostar ao rival.

O feiticeiro de Wishaw perdeu posição para continuar a embolsar a 46-9 e Williams, cuja música escolhida para a entrada no teatro dos sonhos, o clássico , de Tom Jones, tem também, e por si só, o condão de pôr toda a gente bem disposta, está temível: break de 72 e limpou a mesa para o 6-3. Depois do escocês ter tido três chances para o 4-5, foi punido. Duro.

Williams teve hipóteses de começar a pontuar no 10.º parcial, desperdiçou-a e deu a Higgins o oxigénio que este bem precisava, e por duas vezes: o escocês chegou a 51-0, o galês falhou vermelha após 26 pontos. Após batalha tática, John fez 4-6.

E com o futebolista Michael Carrick a ver da primeira fila, Higgins mostrou as carradas de classe que lhe permitem recuperar nas grandes ocasiões sem acusar qualquer pressão, antes como se estivesse a jogar com os amigos da sua rua: centenária de 127 pontos, para encostar a 5-6.

Um enorme chouriço - bola encarnada a entrar no meio, empurrada por outra (a que Williams jogou) que saltara ao contacto da branca – permitiu ao galês somar até 12… e ver o reverso da medalha: ao jogar à azul e espalhar encarnadas, a rosa quis também ir descansar noutro buraco.

Mas mesmo estes dois ases que há 26 anos encantam no main tour acusam o Crucible: Higgins também deixou encarnada a cair à porta de um buraco. O dragão galês somou 37 (49-12), até colar a branca atrás da castanha e deixar o escocês em apuros, para selar, depois, o 7-5.

Uma vermelha falhada por muito por Williams permitiu a Higgins, no recomeço, continuar, tijolo a tijolo, a reerguer-se depois do 0-4 na sessão inaugural. Mesmo a perder o rumo após 29 pontos, novo tiro lá do fundo permitiu selar o 6-7.

Sobe e desce como no carrossel

Depois, azar para Wilo: ía embalado após vermelha milimétrica para um dos buracos do meio, mas ao embolsar rosa a branca também caprichou em ir dormir noutro dos seis poisos do pano verde. E Higgins arrancou, brilhante, nova centenária: mais 117 pontos, limpeza de mesa brutal, para 7-7. Desvantagem inicial esfumara-se nesta maratona.

A raiva ou descarga de tensão com que Higgins pareceu embolsar a preta final neste 14.º parcial teve resposta pronta de Mark Williams, que sentiu o toque. E para mostrar a Higgins que também tem uma parede para derrubar, limpou a mesa com classe para segunda centenária de seguida do jogo: 118 pontos, com os fãs sem bilhete sentados no chão da praça a aplaudir, em delírio. Show… e 8-7.

Neste nível estratosférico, que o irlandês Dennis Taylor, nos seus comentários para a BBC, definiu como one mistake snooker - um erro chega para o rival arrematar o frame numa visita à mesa – continuaram os dois gigantes e quarentões.

No 16.º parcial, Higgins falhou preta do seu ponto a 35-0… e Williams, com break de 64 pontos, selou o 9-7 e a certeza de que, com apenas mais um frame por se jogar, chegaria à terceira sessão em vantagem.

Higgins poderia pensar que tinha feito o mais difícil ao empatar 7-7, mas a final é tão longa que não admite descompressão: sobe um, desce o outro, como no carrossel. Ainda dará muitas voltas.

Como Williams percebeu logo a seguir: ía em 48 pontos, arriscou continuar, deixou uma aberta a um John Higgins frio e cerebral a capitalizar, e o escocês teve a ocasião que precisava para o 8-9.

John foi até aos 43 pontos, arriscou desencostar a última encarnada (com a castanha colada) ao embolsar a penúltima vermelha… mas a castanha entrou num buraco. Falta e Williams na mesa para, cínico como se impõe, e impiedoso, selar o 10-7 após estupenda colocação para a amarela final.

A final do Mundial conclui-se na segunda-feira, dia 7 do corrente mês, com a terceira sessão a partir das 14 horas (oito frames), e a decisão, na quarta e última parte do embate, a partir das 19 horas (possíveis dez frames).

O Mundial, prova maior da época 2017/18 da World Snooker, tem transmissão para Portugal (EuroSport), distribui 1,968 milhões de libras (2,22 milhões de euros) de prémios: o campeão embolsa 425 mil libras (480.449 euros), o vice-campeão leva 180 mil libras (203.484 euros).

Final do Campeonato do Mundo, este domingo:

John Higgins-Mark Williams, 7-10

Final do Campeonato do Mundo, 2.ª feira:

John Higgins-Mark Williams, 7-10 (14 e 19 horas)
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