Credores da dívida preparados para negociar com o governo

Moçambique 13-11-2017 20:54
Por Antonio Mavila, Maputo
O representante legal do grupo que representa os detentores da dívida pública de Moçambique diz que os credores estão preparados para avançar com as negociações sobre os pagamentos em falta e resolver o `default´.

«Estamos preparados para avançar com Moçambique e os seus conselheiros na solução do Grupo Global de Detentores de Títulos de Dívida de Moçambique (GGMB, na sigla em inglês) que envolve a subordinação dos empréstimos legalmente suspeitos da Mozambique Asset Management (MAM) e da Proindicus, que estão sujeitos a garantias que foram consideradas ilegais e que devem ser rejeitadas pelo Governo», disse Thomas Laryea, ao jornal o País.

Em declarações à agência de informação financeira Bloomberg, o advogado na firma britânica Cooke Robotham disse que o GGMB tem mantido discussões informais com os conselheiros e com o Governo, que terão expressado vontade de continuar estas discussões.

Existe «um alinhamento de visões», acrescentou o representante dos detentores da dívida pública moçambicana, concluindo que «a situação avançou».

As declarações de Laryea deixam antever que o Governo moçambicano terá aceitado dar prioridade ou, pelo menos, separar os credores em dois grupos: os que detêm títulos de dívida pública e os investidores que, através do Credit Suisse e do VTB, emprestaram dinheiro às empresas públicas MAM e Proindicus.

A separação era um dos pontos exigidos pelos credores da dívida para aceitarem uma negociação dos pagamentos em falta, quase de certeza com uma redução dos valores e um alargamento dos prazos de pagamento. Até agora, o Governo tem sempre manifestado a vontade de agregar todos os credores numa única plataforma.

O escândalo das «dívidas ocultas» surgiu em Abril de 2016, com a divulgação pelo jornal norte-americano Wall Street Journal de empréstimos avalizados, mas não divulgados pelo Estado, no valor de 622 milhões de dólares à Proindicus e 535 milhões à MAM, atirando Moçambique para uma crise.
Ler Mais

Últimas Notícias

ATENÇÃO: Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Saiba mais