Cultura guineense «é um dos principais obstáculos a maior participação das mulheres», alerta antiga ministra

Guiné-Bissau 12-10-2017 17:05
Por Redação
A cultura da Guiné-Bissau, a pouca solidariedade entre mulheres e a educação são dos principais obstáculos a maior participação das mulheres nas esferas de tomada de decisão, disse Filomena Tipote, da Voz di Padi.

Filomena Tipote falava no âmbito de uma conferência que decorreu em Bissau para analisar os obstáculos à participação das mulheres nas esferas de decisão.

Segundo a antiga ministra da Defesa, os reais obstáculos a um maior envolvimento da mulher na tomada de decisões passam pela cultura do país, nomeadamente através da problemática da pressão social.

«É onde entra tudo que está relacionado com a cultura. Por exemplo, nós temos a esquerda e a direita, a esquerda é o lugar da mulher, e a direita é o lugar do homem, e toda a vida social é definida nos ritos de iniciação», disse.

«Portanto», continuou, «mesmo que a mulher seja ministra ou Presidente está sujeita à esquerda e à direita. E este é o nó do problema. Temos de falar com aquelas pessoas que definem a vida social, o papel da mulher».

Outro aspeto que condiciona as mulheres é a religião, que, segundo Filomena Tipote, define que tudo depende do marido e, por essa razão, as mulheres preferem promover os maridos, garantindo assim o seu bem-estar.

«Não é a imposição de quotas que vai resolver os problemas de dotes de casamento, do papel cultural da mulher. É preciso admitir que a paridade é limitativa porque só vai beneficiar algumas mulheres em Bissau e não as mulheres na sua totalidade», defendeu ainda.

Para a antiga ministra, a barreira pode ser ultrapassada se houver uma aposta na educação e se trabalhar com as pessoas que impõem as regras sociais nos diferentes grupos étnicos.

O encontro foi realizado na sequência de uma consulta a mais de 600 pessoas em Bissau e nas regiões do país no âmbito do projeto ‘Caminhar para um Novo Equilíbrio na Guiné-Bissau: Criar espaços para uma verdadeira participação das mulheres na gestão pacífica dos conflitos e governação’.
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