Jovens angolanos ´formam-se` nas ruas de Luanda a consertar telemóveis

Angola 13-08-2017 13:37
Por Lusa
A reparação de telemóveis pelas ruas de Luanda é hoje um ofício para centenas de jovens que, mesmo sem qualquer formação técnica, garantem solucionar qualquer avaria a partir de 1.000 kwanzas (cinco euros).

Mesa posta com telemóveis, ´tablets´ e outros instrumentos eletrónicos, sinalizam a presença dos «mestres», como são tratados pelos clientes, em qualquer bairro ou mercado da capital angolana, na sua maioria jovens.

É no mercado dos Congoleses, no distrito do Rangel, arredores de Luanda, onde é possível encontrar a maior concentração desses técnicos, muitos dos quais levam até dez anos na profissão, que descrevem como «rentável» para suportar a família.

«Temos muitos clientes e os dias aqui têm sido razoáveis. Reparamos telemóveis e cobramos em função da avaria que o aparelho apresentar, sendo que no caso de ´iPhone´ os preços são relativamente mais puxados», contou à Lusa Baptista Lumba.

Há sete anos naquele tradicional mercado de Luanda, Lumba explica para arranjar um telemóvel pode cobrar entre 1.000 kwanzas (cinco euros), quando a avaria «for mínima», ou o triplo quando são equipamentos «de alta tecnologia».

«Aqui os preços são mais puxados porque há visores que vão dos 120.000 aos 240.000 kwanzas [615 a 1.230 euros]», explica o «mestre», de 43 anos.

Assume não ter formação na área, mas apenas «talento» para consertar telemóveis. Uma espécie de dom que lhe rende por vezes entre 20.000 e 30.000 kwanzas (100 a 150 euros) por dia. Um rendimento líquido, já que apenas cobra a mão-de-obra, cabendo aos clientes comprar os acessórios necessários.

«Como não somos vendedores de acessórios, dependemos ou cobramos apenas a mão-de-obra e ganhamos esse valor. Porque comprar acessórios sobretudo daqueles telefones que não têm mais conserto é complicado», acrescentou.

Nos Congoleses também trabalha Zola Makiesse, um técnico que por «curiosidade» aprendeu a arranjar telemóveis e já leva agora oito anos de ofício.

Conta que, em tempo de crise, os clientes reduziram significativamente e hoje atende cerca de cinco e seis clientes por dia, atividade que realiza de segunda a sábado, prometendo solucionar qualquer avaria.

«Por uma avaria mínima cobramos 2.000 kwanzas [10 euros], mas se for um telemóvel de última geração, é a partir de 5.000 kwanzas [25 euros]. Dependendo naturalmente da sua avaria», sublinhou.

Segundo o técnico, a quebra e troca de visor é uma das avarias mais comuns e também caras de solucionar. «Cobramos um valor mais puxado porque temos de adquirir as respetivas peças, que custam caro, sobretudo aquelas que veem do exterior», disse.

«O meu rendimento diário é segredo e depende sobretudo da afluência dos cliente», apontou ainda.

Já Diogo António leva apenas quatro meses de atividade e contou à Lusa que diariamente repara entre sete e oito telemóveis, cobrando a partir de 1.000 kwanzas de «mão-de-obra».

«Há telefones que os acessórios são mais caros, com visores a custarem entre os 30.000 e 40.000 kwanzas [155 a 205 euros], cobramos a mão-de-obra 5.000 kwanzas, mas dependendo, há telefones digitais que os acessórios são 2.000 kwanzas e cobramos entre 1.000 e 1.500 kwanzas [cinco a sete euros]», sustentou.

Igualmente sem qualquer formação em eletrónica, o jovem «mestre», de 31 anos, explica que está no mercado dos Congoleses «a batalhar pela vida», para sustentar a família.

«Não tenho nenhuma formação no ramo, aprendi mesmo aqui com os colegas. Não sabia sequer abrir um telemóvel, eles ensinaram-me e hoje domino o ofício e para qualquer avaria, encontramos a solução», concluiu.
Ler Mais

Nas últimas 24 horas

Desporto

Destaques

ATENÇÃO: Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Saiba mais