SÁBADO, 27-08-2016, ANO 17, N.º 6055
«A perder por 1-5, o que nos passou pela cabeça não foi agradável» - Carlos Pinto
Paços de Ferreira Carlos Pinto, treinador do Paços de Ferreira, enalteceu a forma abnegada como a equipa se entregou à luta depois de estar a perder por 1-5 com o Vitória de Guimarães. «Entrámos muito bem no jogo, c
Portugal perde com Espanha (1-2)
Futsal A seleção portuguesa de futsal perdeu esta sexta-feira com a Espanha, por 1-2, em Guadalajara, no quarto jogo de preparação para o Campeonato do Mundo Colômbia-2016. Ré apontou o golo da equipa das
Segunda jornada abre com dois empates
Espanha O Deportivo da Corunha empatou esta sexta-feira, sem golos, no terreno do Bétis, e ascendeu provisoriamente à liderança da Liga espanhola, com quatro pontos. Bruno Gama foi titular na equipa galega
«Podemos pensar que estamos na Champions» - Mourinho
Manchester United José Mourinho considera que os adversários do Manchester United na Liga Europa, nomeadamente, Fenerbahçe e Feyenoord, nada ficam a dever a muitas equipas que vão disputar a próxima edição da Liga dos
Marselha vence pela primeira vez no campeonato
França O Marselha conseguiu esta sexta-feira a primeira vitória da época na Liga francesa, ao derrotar o Lorient, por 2-0, no Stade Vélodrome, em partida referente à terceira jornada. Cabella (19) e Gomis
«Temos de ser mais pragmáticos na zona de decisão» - Rui Vitória
Benfica Rui Vitória, treinador do Benfica, fez esta sexta-feira a antevisão do encontro do próximo sábado com o Nacional, na Madeira, e defendeu que a sua equipa tem de ser mais «pragmática», apesar de saber
«Temos margem para melhorar» - Ancelotti
Bayern Munique Carlo Ancelotti recusa embandeirar em arco com a categórica vitória (6-0) do Bayern na receção ao Werder Bremen, na jornada inaugural da Liga alemã. «Foi um bom começo de Bundesliga. Marcámos cedo
«Reação ao golo a frio demonstra o grande caráter desta equipa» - Pedro Martins
Vitória de Guimarães Pedro Martins aplaudiu a resposta assertiva do Vitória de Guimarães ao golo madrugador do Paços de Ferreira no D. Afonso Henriques, apontado aos 45 segundos de jogo. «Foi uma boa exibição, não tão
Vitória de Guimarães vence Paços de Ferreira (5-3)
Liga O Vitória de Guimarães venceu esta sexta-feira o Paços de Ferreira, por 5-3, no Estádio D. Afonso Henriques, encontro que abriu a terceira jornada da Liga.
Zidane responde a Piqué
Real Madrid Na antecâmara do sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, Gerard Piqué fez votos para que o Barcelona tivesse como adversários equipas de menor nomeada como as que, na ótica do defesa-central,
Médio Amadou Diawara contratado ao Bolonha
Nápoles O Nápoles, adversário do Benfica na fase de grupos da Liga dos Campeões, anunciou, esta sexta-feira, a contratação do médio defensivo Amadou Diawara, ex-Bolonha. O jogador de 19 anos, natural da Gu
Jorge Baltazar no top-10 da prova de PreO
Orientação Realizou-se esta sexta-feira em Tolvmanstegen, na Suécia, a segunda etapa da prova de PreO do campeonato do Mundo de Orientação de Precisão. Jorge Baltazar, estreante em Mundiais, terminou a prova
Treinador do Norwich sobre Nélson Oliveira: «Tem tudo o que procuramos»
Benfica Alex Neil, treinador do Norwich, justificou esta sexta-feira, em conferência de Imprensa, a aposta na contratação de Nélson Oliveira a título definitivo. «O negócio será concluído dentro de um ou d
Lotação esgotada para o encontro com o Benfica
Nacional O jogo entre Nacional e Benfica contará com lotação esgotada, no Estádio da Madeira, segundo avança o clube insular no seu site. O Nacional informou que os últimos bilhetes foram vendidos esta tard
Capitães convocam adeptos para o clássico
Sporting Adrien Silva, Rui Patrício e William Carvalho, na qualidade de capitães de equipa, apelaram ao apoio dos adeptos do Sporting no clássico de domingo (18 horas) com o FC Porto, em Alvalade. «Sporting
«Não estamos contentes, vamos reagir» - Coubronne
Olhanense Cumpridas quatro jornadas da Liga 2, o Olhanense ocupa a penúltima posição, com os mesmos pontos (1) de Covilhã, Leixões e Freamunde. Apesar de a situação não ser favorável, neste momento, o capitã
Restam 700 bilhetes para o clássico
Sporting O Sporting coloca este sábado à venda os derradeiros 700 bilhetes para o clássico com o FC Porto, domingo, às 18 horas, no Estádio José Alvalade, referente à terceira jornada da Liga. Os ingressos,
«Temos demonstrado luta, garra e união e os resultados vão aparecer» - Ricardo Ribeiro
Académica É pela voz de um dos reforços para a presente temporada que surgem mais ventos de esperança para a campanha da Briosa na Liga 2. Ricardo Ribeiro, guarda-redes que esta época trocou Belém por Coimbra,
Nani convocado pela primeira vez
Valência Nani foi, esta sexta-feira, convocado pela primeira vez para um jogo oficial do Valência, clube para o qual se transferiu neste mercado de transferências. O internacional português encontra-se entr
Diogo Jota fica com o número 19
FC Porto Diogo Jota, anunciado esta sexta-feira como jogador do FC Porto até final da época, na condição de emprestado pelo Atlético Madrid, vai envergar a camisola número 19 dos azuis e brancos.
Diogo Jota oficializado
FC Porto Diogo Jota é, oficialmente, jogador do FC Porto. O anúncio foi feito, ao final da tarde desta sexta-feira, através das plataformas do clube nas redes sociais. O extremo, de 19 anos, chega ao Dragão
João Sousa defronta Burgos e Gastão Elias joga com Stakhovsky no US Open
Ténis João Sousa, 36.º da hierarquia mundial, vai defrontar Victor Estrella Burgos, tenista da República Dominicana e 84.º do ranking, na primeira ronda do Open dos Estados Unidos, ditou esta sexta-f
Sirigu anunciado como reforço
Sevilha O Sevilha anunciou, esta sexta-feira, a chegada do guarda-redes italiano Salvatore Sirigu, proveniente do Paris Saint-Germain. Sirigu, de 29 anos, chega por empréstimo de uma temporada, sem opção d
Recurso que pedia agravamento da pena de Pistorius foi rejeitado
África do Sul A justiça sul-africana rejeitou, esta sexta-feira, um recurso do Ministério Público que defendia um agravamento da pena aplicada ao antigo atleta sul-africano Oscar Pistorius, condenado a seis anos de
«Jonas? Temos jogadores e dinâmicas que podem ganhar jogos» - Rui Vitória
Benfica Satisfeito por voltar a contar com o contributo de Jonas, Rui Vitória deixa claro que o plantel do Benfica oferece alternativas válidas ao avançado brasileiro. «Jonas é um belíssimo jogador, é o me
Ministro do Desporto garante «total empenhamento» na luta contra doping
Cabo Verde O ministro do Desporto de Cabo Verde garantiu, na abertura da reunião do Conselho Regional Antidopagem (ORAD), que decorre entre esta sexta-feira e sábado, na cidade da Praia, que as autoridades do pa
UEFA atribuiu distinção aos dragões
FC Porto A UEFA concedeu ao FC Porto uma distinção que premeia o seu modelo organizativo na última edição da Youth League. O «Best Match Organization» foi atribuído pelo organismo aos dragões, que na época
Jonas van Genechten ganha etapa em `sprint´ com grupo reduzido
Volta a Espanha O belga Jonas Van Genechten (IAM) foi, esta sexta-feira, o vencedor da sétima etapa da Volta a Espanha em bicicleta, que se disputou ao longo de 158,5 quilómetros, entre Maceda e Puebla de Sanabria, i
Douglas e André integram preparação do clássico
Sporting Douglas e André realizaram esta sexta-feira, na Academia do Sporting, em Alcochete, o primeiro treino às ordens de Jorge Jesus. O defesa-central, recrutado aos turcos do Trabzonspor, e o avançado,

classificações

Liga
Liga 2
3. ª jornada
4. ª jornada
classificação
4. ª jornada
5. ª jornada
classificação
11-09
FC Porto
-
V. Guimarães
11-09
Sporting
-
Moreirense
11-09
Marítimo
-
Rio Ave
11-09
Belenenses
-
Nacional
11-09
P. Ferreira
-
Estoril
11-09
SC Braga
-
Boavista
11-09
Chaves
-
V. Setúbal
11-09
Feirense
-
Tondela
11-09
Arouca
-
Benfica
28-08
Aves
11:15
Benfica B
Sport TV
28-08
Académica
16:00
União
28-08
Portimonense
16:00
Covilhã
28-08
Freamunde
16:00
Porto B
28-08
Académico
16:00
V. Guimarães B
28-08
Olhanense
16:00
AD Fafe
28-08
Braga B
17:00
Famalicão
28-08
Penafiel
17:00
Cova Piedade
28-08
Leixões
17:00
Varzim
28-08
Santa Clara
17:00
Gil Vicente
29-08
Sporting B
16:00
Vizela
Sporting TV
J
V
E
D
G
P
1
V. Guimarães
3
2
0
1
7-4
6
2
FC Porto
2
2
0
0
4-1
6
3
Sporting
2
2
0
0
3-0
6
4
Moreirense
2
1
1
0
4-1
4
5
Benfica
2
1
1
0
3-1
4
6
V. Setúbal
2
1
1
0
3-1
4
7
Boavista
2
1
1
0
2-0
4
8
SC Braga
2
1
1
0
2-1
4
9
Arouca
2
1
0
1
2-2
3
10
Feirense
2
1
0
1
2-3
3
11
Chaves
1
0
1
0
1-1
1
12
Rio Ave
2
0
1
1
2-4
1
13
Tondela
2
0
1
1
1-3
1
14
Belenenses
2
0
1
1
0-2
1
15
P. Ferreira
3
0
1
2
4-7
1
16
Nacional
1
0
0
1
0-2
0
17
Estoril
2
0
0
2
0-3
0
18
Marítimo
2
0
0
2
0-4
0

Ver classificação detalhada
J
V
E
D
G
P
1
Portimonense
4
3
1
0
7-3
10
2
Santa Clara
3
3
0
0
5-2
9
3
Porto B
4
3
0
1
6-4
9
4
Cova Piedade
3
2
1
0
3-1
7
5
Penafiel
4
2
1
1
4-3
7
6
Gil Vicente
4
1
3
0
4-3
6
7
AD Fafe
3
1
2
0
7-5
5
8
Famalicão
4
1
2
1
6-5
5
9
Aves
3
1
2
0
5-4
5
10
Braga B
4
1
2
1
5-4
5
11
Vizela
4
1
2
1
6-6
5
12
Benfica B
4
1
2
1
4-5
5
13
União
4
1
2
1
2-3
5
14
Varzim
3
1
1
1
4-3
4
15
V. Guimarães B
3
1
1
1
3-3
4
16
Académica
4
1
1
2
2-3
4
17
Sporting B
4
1
1
2
6-8
4
18
Académico
4
0
2
2
2-4
2
19
Freamunde
3
0
1
2
2-4
1
20
Leixões
3
0
1
2
1-3
1
21
Olhanense
4
0
1
3
4-8
1
22
Covilhã
4
0
1
3
2-6
1

Ver classificação detalhada
O salto da morte, promessa de indiana para o Rio...
Estilos e Espantos Podia ser um conto de fadas, mas é a história de vida de Dipa Karmakar. Cresceu num ambiente pobre, num país cujo nome não vinha no mapa, até agora. Karmakar tornou-se a primeira ginasta do seu país a classificar-se para uma edição dos Jogos Olímpicos. Do anonimato saltou para a fama, depois de em 2014 ter sido a primeira indiana a conseguir uma medalha nos Jogos da Commonwealth, em Londres. Uma coisa já se sabe: no Rio vai fazer o salto Produnova, o mais desafiador da ginástica feminina. É perigoso? É. Mas nada que abale quem se lançou à ginástica como se lançou: sem apoios financeiros, a treinar no meio de ratos… Aos 22 anos, Dipa Karmakar é uma das poucas ginastas que consegue fazer o que Elena Produnova fez - a campeã russa que que integrou a equipa que conquistou uma medalha de prata durante os Jogos Olímpicos de 2000, em Sydney. E foi precisamente a ginástica de Elena que em 1995 deu nome ao salto – Produnova – a primeira a saltá-lo, um dos saltos mais difíceis do Código de Pontuação da Ginástica Feminina. E se para Karmakar os Jogos do Rio são uma estreia, para Oksana Chusovitina, com a vida já cheia de história, são um desafio - pois, aos 41 anos, ainda pode conquistar uma medalha de ouro. A LEUCEMIA DO FILHO Oksana Chusovitina entrou para história da ginástica ao tornar-se a primeira atleta da modalidade a caminho da sétima edição dos Jogos Olímpicos debaixo de três bandeiras diferentes. A primeira aparição de Chusovitina em competições dos Jogos Olímpicos aconteceu em Barcelona (1992), onde na estreia conquistou o ouro, como ginasta da Equipa Unificada, que reunia atletas que compunham a Comunidade dos Estados Independentes das antigas repúblicas da União Soviética. Nos jogos seguintes, em Atlanta (96), Sydney (2000) e Atenas (2004), Chusovitina representou o Usbequistão e em Pequim (2008) e Londres (2012) participou com atleta alemã. Mas para os Jogos do Rio, a ginasta de 41 anos, vai voltar a levantar a bandeira do Usbequistão. Chusovitina nasceu a 19 de junho de 1975, em Bucara, Uzbequistão, mas em 2002, a atleta que tinha feito uma pausa na carreira por ter sido mãe, viu-se obrigada a mudar-se para a Alemanha precisamente por causa de Alisher, o filho, na altura com dois anos de idade, quando lhe foi diagnosticado uma leucemia. Chusovitina tinha 27 anos quando adquiriu a nacionalidade germânica e voltou a competir para conseguir pagar os tratamentos e remédios caríssimos do filho. «Se eu não voltasse a competir, ele não sobreviveria. Simples assim, não tinha escolha». A PRIMEIRA VEZ NOS JOGOS OLÍMPICOS Chusovitina começou a praticar ginástica com oito anos, e apresenta-se no Rio como uma das atletas mais velhas em competição. Mas para ela a idade é apenas um número, já que o espírito é igual ao de Dipa Karmakar, a primeira atleta indiana a levar a ginástica aos Jogos Olímpicos. Nascida em Tripura, no nordeste da Índia, a vida de Karmakar mudou radicalmente depois de ter conquistado a medalha de bronze nos Jogos da Commonwealth em Glasgow. «As pessoas começaram a tratar-me como uma celebridade. Onde quer que vá as pessoas pedem autógrafos e querem tirar fotos comigo». E em 2015 não foi diferente: Karmakar voltou a conquistar o bronze durante o Campeonato de Ginástica que decorreu na Ásia. «Desde que eu me tornei uma celebridade em Tripura, sinto que tenho mais para dar ao meu povo. Eles têm-me dado tanto amor, eu sinto a necessidade de retribuir-lhes. Podia ser competindo por uma medalha Olímpica, de modo a que eles nunca se esqueçam que houve uma menina chamada Dipa Karmakar, que lhes deu algo que talvez ninguém mais poderia ter-lhes dado». Karmakar é a primeira ginasta indiana a qualificar-se para os Jogos Olímpicos. Sim, homens já houve: em 1964, mas os seis que competiram em Tóquio não precisaram passar por nenhum processo de classificação. CHUVA E RATOS NO GINÁSIO De origens humildes, a jornada de Karmakar até aos palcos da fama é baseada em trabalho e dedicação. Cresceu no seio de uma família pobre, filha de um treinador de halterofilismo (que treinou atletas nas Ilhas Andamão) e de uma dona de casa. Dipa Karmakar começou a praticar ginástica aos seis anos, mas ao contrário de muitas atletas, não foi por amor à modalidade, mas sim por incentivo do seu pai. O início da carreira não foi fácil para Karmakar – sem apoio financeiro do Governo, a atleta treinava num ginásio sem condições, onde havia ratos a passearem por entre os equipamentos, e de inverno, as chuvas inundavam o pavimento. Karkamar não tinha calçado à altura, e na primeira competição em que participou, teve que usar roupa emprestada. «Só depois das minhas vitórias internacionais é que as pessoas começaram a entender o valor da ginástica. Hoje, sou tão respeitada quanto uma atleta no Japão ou China». O SALTO DA MORTE «Um movimento em falso e pode morrer ali mesmo…». Esta é a frase que melhor resume os perigos que Karmakar enfrenta, cada vez que sobe para a barra de equilíbrio. Mas como a ginasta costuma dizer, para conseguires algo na vida, tens que correr riscos. Dipa Karmakar nasceu num dia histórico, a 9 de agosto de 1993. E foi precisamente num dia 9 de agosto (de 1942), que Mahatma Gandhi lançou o movimento Quit India - (ou Deixem a Índia, ou Saiam da Índia) contra o Reino Unido, na busca pela independência, durante a Segunda Guerra Mundial, e acabou na prisão (no Palácio de Aga Khan, em Pune). Karmakar não defendeu os direitos civis dos índios, nem tão pouco se tornou líder de um movimento de independência da Índia como fez Gandhi, mas para levar o nome do seu país aos Jogos Olímpicos arriscou a vida. Se ao Produnova lhe chamam o Salto da Morte, também lhe o Everest da ginástica. Karmakar já o fez e promete que vai repeti-lo no Rio. Se chegará para medalha ou não, logo se verá, é uma das curiosidades que a ginástica vai ter... ...
Estilos e Espantos É a principal esperança da Irlanda para defender o título nos Jogos Olímpicos do Rio, e nem sequer é profissional. Katie Taylor começou a praticar boxe aos 12 anos, mas aos 10 já tinha um par de luvas à sua espera, na academia do pai. Além do ouro conquistado em Londres, na categoria de 60 kg, Taylor conta com cinco Mundiais e seis Europeus. Católica fervorosa, coloca Deus acima de tudo, e antes de cada combate lê a bíblia. Fora dos ringues, é figura de televisão, revistas e anúncios de automóveis, e já foi convidada a encontrar-se com Barak Obama. É no boxe que Taylor faz sucesso, mas em criança chegou a participar em provas de atletismo e foi capitã da equipa de futebol… Não se imagina a viver em qualquer outro lugar que não seja em Bray. Bray é a sua casa. Bray é a sua família. Foi em Bray, Irlanda, a terra da sua mãe, que Katie Taylor nasceu, a 2 de julho de 1986. Foi ali, perto do mar, que começou a dar os primeiros passos, e aos nove anos, já revelava ser uma promessa no desporto. Para Katie, a mãe é o seu porto seguro. É Bridget que cuida da sua dieta diária. Já Peter, o pai, um inglês nascido em Leeds e campeão de boxe de pesos pesados, é quem a acompanha pelo Mundo fora, em cada competição, em cada medalha que leva para casa. O PRIMEIRO PAR DE LUVAS AOS 10 ANOS Na escola, Katie era uma criança calma e tímida, aos olhos da mãe, que encontrou no desporto, a sua forma de se comunicar com o Mundo. Katie á a mais nova dos quatro irmãos (Sarah, Lee e Peter). E era precisamente com os irmãos mais velhos que Katie brincava em criança, também eles praticantes da modalidade. Começou no boxe aos 12 anos, treinada pelo pai, na academia Bray Boxing Club, mas aos 10, Katie já tinha um par de luvas à sua espera. O boxe estava-lhe no sangue, mas mais que isso. Katie era uma apaixonada por desporto. Praticou atletismo e jogou futebol, defendendo a Irlanda nas seleções sub-17, sub-19, onde era a capitã da equipa. «K TAYLOR…» Katie entrou para a história do boxe aos 17 anos, quando em maio de 2005, se tornou a primeira mulher irlandesa a ganhar uma medalha de ouro no Campeonato Europeu de Seniores de boxe. Antes disso, teve que lutar para conseguir singrar na modalidade. Na Irlanda, o boxe é a modalidade que alcançou mais sucesso a nível internacional a partir dos anos 1920, mas nem todos tinham a possibilidade de lutar. Proibido para as mulheres, Katie infringiu algumas regras com a ajuda do pai. Para conseguir subir aos ringues, fazia-se passar por homem, e uma vez que os torneios eram só para homens, era inscrita como K Taylor. Só ficavam a saber que Katie era uma mulher no fim dos combates, quando tirava o capacete protetor. Só aos 15 anos, é que Katie viu reconhecido o seu direito de lutar, pela Associação Irlandesa de Boxe Amador. Em 2007, numa altura em conquistava admiradores por toda a Europa, a sua luta frente à canadiana Katie Dunn, no Mundial Masculino de Chicago, foi a chave para a inclusão das mulheres no boxe dos Jogos Olímpicos, confirmado em 2009. O OURO NOS JOGOS DE LONDRES Katie Taylor é o orgulho da Irlanda, considerada por muitos, a melhor atleta de todos os tempos. Em Londres (2012), os primeiros Jogos Olímpicos em que participou, e onde carregou a bandeira do país, Katie Taylor conquistou o ouro da categoria até 60 kg. Katie tornou-se a primeira boxeur a ter essa honra, e a terceira representante do boxe a carregar o símbolo irlandês, numa edição dos Jogos Olímpicos. Antes dela, Wayne McCullough, em Barcelona 1992, e Frances Barrett, em Atlanta 1996, foram os pugilistas que transportaram a bandeira da Irlanda. Aos 30 anos, Katie conta com 18 medalhas de ouro no currículo, cinco títulos Mundiais e seis Europeus. E Katie não é a única estrela da Irlanda. Foi em Dublin que nasceu Conor McGregor, o campeão do peso-pena do UFC. «O boxe Olímpico é na categoria amadora», e por isso mesmo, ao contrário do seu compatriota, Katie nunca se quis profissionalizar, apesar das várias propostas. DEUS E MUHAMMAD ALI Katie não tem muito tempo livre, o único dia de folga, aproveita para estar com os amigos. Para estar apta para as competições, treina duas vezes por dia, seis dias da semana. Mas há algo que não pode falhar na sua rotina: a leitura do Salmo. É ao som da sua música preferida que a campeã Olímpica lê o salmo 18 e algumas passagens na bíblia. Católica fervorosa, é dessa forma que se prepara antes de uma luta. «A coisa mais importante na minha vida é a minha fé e a minha relação com Deus. Isso é mais importante do que o boxe e qualquer medalha que possa ganhar». Katie Taylor sempre falou abertamente sobre o papel de Deus em sua vida. Katie e a família frequentam regularmente a igreja em Dublin. «Encontro Deus em tudo o que faço, dando-lhe o louvor e honra para o meu boxe». Mas foram nas palavras de Muhammad Ali, que Katie encontrou a fórmula para eliminar as suas adversárias. «Nunca ninguém irá chegar perto de onde ele chegou». Katie cresceu com a imagem de Muhammad Ali, um poster que tem colado na parede e que bem retrata a filosofia de vida do pugilista americano. «A luta é ganha ou perdida longe de testemunhas: atrás das linhas, no ginásio, e lá fora na estrada, muito antes de eu dançar sob aquelas luzes». O ENCONTRO COM BARACK OBAMA Em onze anos de combates, Katie sofreu a primeira derrota no Mundial de Boxe realizado este ano em Astana, no Cazaquistão, ficando apenas com a medalha de bronze, perdendo a meia-final diante a francesa Estelle Mossely, em decisão dividida. Uma derrota que nada a impediu de seguir o seu destino – voltar a conquistar o ouro nos Jogos Olímpicos do Rio. E se na Irlanda não há ninguém que não a conheça, no mundo Katie é já uma estrela, dentro e fora dos ringues. A campeã olímpica é já um caso de sucesso – aparece em programas de televisão, jornais, revistas e até, em anúncios de carro e de seguros. Quem não ficou indiferente ao seu talento foi Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, e a Rainha Elizabeth, da Grã-Bretanha, e Katie não disse não, quando foi convidada pela realeza. ...
Para lá do que se vê E se Cristiano Ronaldo tivesse ganho a taça ao serviço do Darfur United? Ou mesmo pelo Occitânia ou Abecásia? Nunca ouviu falar? São Seleções não oficiais, podem não ter um lugar de honra no mapa, mas conseguiram competir num Mundial de futebol. Não se formaram em grandes clubes, nem tiveram treinadores de mérito, apenas encontraram no futebol uma réstia de esperança para apagar da memória as feridas da guerra do Sudão. Quem por lá passou fala em genocídio. Ao início não foi fácil, juntar na mesma equipa jogadores que não se conheciam, todos falavam línguas diferentes. Mas bastou uma bola de futebol… Eram na sua maioria crianças e jovens, outrora habituados a jogar à bola em campos de terra, e principalmente descalços. Ali era tudo novo. Nos pés, agora calçados, tinham sapatos esquisitos. Uns às cores, outros pretos, todos com pitões colados à sola. Usavam-nos para pisar relva, pela primeira vez nas suas vidas. Não havia areia, terra ou pó. No meio do campo habituaram-se à figura de um homem que lhes ditava as regras. Para o Mundial seguiram sem um manual de instruções, apenas sabiam que iam jogar futebol. E sobre o desporto só conheciam uma coisa: a bola. Para eles, o futebol não era uma via para o estrelato, nem sabiam o que isso era. Longe das luzes da ribalta, desconhecidos entre os restantes olhares, o verdadeiro futebol era aquele que se jogava como veículo de expressão, homens, mulheres e crianças que perderam a família na guerra. Depois da tragédia, nada tinham, a não ser a esperança de um futuro melhor. A SELEÇÃO QUE SURGIU NUM CAMPO DE REFUGIADOS Gabriel Stauring tinha um sonho – criar uma equipa de futebol composta por sobreviventes de guerra. Na altura vivia-se o conflito étnico do Darfur, no oeste do Sudão, que desde 2003 é palco de violência, massacres e mortes. As Nações Unidas descrevem-na como uma das piores crises humanitárias do Mundo. O governo dos Estados Unidos classificou-a de genocídio, comparando com o sangrento conflito de 1994, no Ruanda. Os que sobreviveram não mais vão conseguir apagar da memória o rosto dos familiares mortos a sangue frio. Os dias que se seguiram não foram fáceis. Mulheres foram violadas, a água e os alimentos não chegavam para todos, o surto de hepatite crescia de dia para dia. Mas Stauring não desistiu do seu sonho, nem do sonho desses sobreviventes que mais que tudo, queriam viver. O americano usou as ferramentas da I-ACT, a sua organização não-governamental, e criou o Darfur United, uma Seleção de sobreviventes. «As cores do equipamento foram es-colhidas pelos refugiados: verde para representar a sua terra e branco para representar a paz». Mais do que o nome, uma Seleção unida pela esperança numa simples bola de futebol. O PRIMEIRO MUNDIAL NO CURDISTÃO Ao início não foi fácil. Para o primeiro treino de captação apareceram jogadores de cada um dos doze campos de refugiados que existem na frontei¬ra entre Chade e Sudão. Pior que isso eram jogadores que não queriam ser misturados com membros de outras etnias e exigiram que as tendas de cada grupo estivesse assinalada com o nome da respetiva tribo. Mas no futebol, cabe apenas ao jogador chutar a bola, e quando não está bem, a porta de saída é serventia da casa. Ninguém quis sair, habituaram-se a regras, e os que passaram nas captações adotaram uma nova postura. De desconhecidos, começaram a viver como irmãos, ensinavam os seus idiomas uns aos outros e partilhavam histórias. A primeira, a principal, sobre o primeiro Mundial das suas vidas. Desde 2012, que o Darfur United tem a sua própria Seleção de futebol. Não tem voz direta na FIFA, mas chegou longe – ao Viva World Cup –edição da prova para equipas não filiadas na FIFA - o primeiro Mundial para seleções não oficiais, que decorreu no Curdistão iraquiano. «No início parecia um sonho impossível de realizar por causa de todas as dificuldades logísticas, a falta de dinheiro para as viagens e os obstáculos em conseguir vistos para um grupo de homens refugiados sem país. Mas também parecia muito certo fazer tudo ao nosso alcance para conseguirmos. Antes de avançarmos, decidimos perguntar aos refugiados e a resposta foi positiva. Um líder de um grupo de refugiados disse-nos: ´Agora somos parte do Mundo´», disse Gabriel Stauring, o presidente do clube. À primeira tentativa, 15-0. No dia seguinte, 18-0. Ao terceiro jogo, 5-1. No final, mesmo com tanto golo sofrido em 360 minutos, Suleiman Bourma ficou orgulhoso do seu Darfur United. Palavra do capitão. «Perdemos os jogos todos, mas não estamos preocupados com isso. Conseguimos vir aqui e fazer história». UM AMERICANO NO SUDÃO Uma história diferente também na vida de Mark Hodson, um americano com experiência no futebol, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, o escolhido para erguer uma Seleção no Sudão. «Tem sido uma experiência fantástica. O futebol é uma linguagem global. Estive em África, com 60 jogadores que não se conheciam, todos falavam línguas diferentes, e bastou uma bola de futebol para juntar toda a gente». Mark Hogson, que orientou o Darfur United nos Mundiais não-oficiais de 2012 e 2014, já prepara o próximo desafio - agendada para setembro de 2016, na Abecásia, uma região autónoma situada no Norte da Geórgia. BALOTELLI À PROCURA DE UM PAÍS Depois do Mundial de Curdistão em 2012, uma nova viagem: o destino foi Ostersund, cidade plantada no lado sueco da Lapónia. Terra do Pai Natal, sim, mas que também acolhe Mundiais de futebol. E se no Mundial do Brasil, Mario Balotelli, um dos jogadores italianos mais badalados do mundo, levava o treinador a um verdadeiro ataque de nervos, o seu irmão mais novo também fazia das suas, também num Mundial, mas muito longe do Brasil e com menos alvoroço. Chama-se Enoch Barwuah e em 2014 esteve em Ostersund, na Suécia, ao serviço da Seleção da Padânia, a disputar um Mundial para seleções que não fazem parte da FIFA. E o primeiro jogo foi precisamente contra o Darfur United. Enoch, um avançado que alinha no modesto Vallecamonica, dos escalões secundários de Itália, e que passou pela formação do Manchester City quando o irmão andava por lá, passou despercebido num torneio onde não existiam estrelas do futebol mundial com contratos milionários. Occitânia, Abecásia, Lapónia, Ilha de Man ou Nagorno-Karabakh, também faziam parte da lista, seleções cujos jogadores representam minorias étnicas, estados não reconhecidos pela comunidade internacional, comunidades aprisionadas pela geografia em países que não são reconhecidos como países. Ali não há muito. Apenas histórias de vida, exemplos de superação e uma vontade comum de fazer parte do mundo, tal como os outros heróis conhecidos, como eles, amantes do futebol… ...

PORTUGUESES

EMIGRANTES

NUNO SILVA: DO PESADELO EM ANGOLA À AVENTURA EM ESPANHA COM A CAMISOLA DE FRANCO. Nuno Silva não vai esquecer tão cedo o dia 29 de julho de 2015. O extremo de 29 anos apresentou-se como reforço do Real Jaén, da 2.ª divisão B espanhola, com uma camisola estampada com a imagem do ditador Francisco Franco e a polémica estalou em Espanha. O assunto foi um dos mais comentados no twitter e o dia que parecia o mais tranquilo e calmo tornou-se num verdadeiro pesadelo. «Recordo como se fosse hoje. Acaba por ser o momento com maior impacto da época, do clube e, claro está, também o momento que teve mais impacto para mim nesta passagem por Jaén. Passei a ser um jogador conhecido por causa de uma camisola. Foram dois/três dias difíceis ao início mas depois demos a volta à situação com os grandes profissionais do clube. O apoio de todos foi determinante para a minha adaptação à cidade e ao clube», recorda Nuno Silva em conversa com A BOLA. «A oportunidade de vir para o Real Jaén surgiu com a maior das naturalidades e sem contar muito. Estava a procurar a melhor solução dentro do mercado português e estava num trabalho de verão com um amigo e o telefone tocou quando menos esperava. Ouvi a proposta e não hesitei pois era um desejo muito grande jogar em Espanha», acrescenta o extremo que em Portugal representou clubes como o União da Madeira, Freamunde, Olhanense, Santa Clara, entre outros. Finda a temporada em Espanha, Nuno Silva faz um balanço positivo e deixa rasgados elogios à qualidade que existe no terceiro escalão do futebol espanhol. «O balanco é super positivo a nível pessoal: realizei mais de 30 jogos, marquei quatro golos, fiz várias assistências e jogos de bom nível. Estou muito feliz com a época que fiz a nível pessoal mesmo com os problemas todos que existiram durante a época. Não tinha a ideia de que a 2.ª divisão B tivesse este nível. Há equipas neste campeonato com orçamentos, estádio, condições de trabalho e adeptos superiores a muitos clubes da Liga portuguesa. Aqui o futebol é vivido com muita paixão», descreve. O carinho dos adeptos exigentes do Jaén A experiência no Real Jaén terminou, mas Nuno Silva garante que não vai esquecer os exigentes adeptos do emblema espanhol. O amor que a afición tem pelo clube é enorme e mesmo nos momentos mais difíceis não deixam de apoiar a equipa. «Os adeptos são exigentes porque o Jaén é um clube grande, que está habituado a estar acima da 2.ª B. Os adeptos querem ver o clube nos escalões acima. São apaixonados e sentem o clube como ninguém. Não são de outros clubes, são apenas do Real Jaén e isso faz-nos perceber o verdadeiro sentido da palavra amor. Mesmo nos momentos difíceis, os adeptos não deixam de apoiar… Incrível. Nos nossos jogos em casa eram sempre no mínimo quatro mil a apoiar», conta o atacante português. Angola: o pior passo da carreira A aventura por território espanhol não foi a primeira além-fronteiras de Nuno Silva. O jogador português esteve 18 meses em Angola mas as coisas não correram como o desejado. Atualmente assume essa mudança como o «pior passo da carreira»… «Não vou esconder que foi o pior passo na minha carreira. Não ponderei os riscos e fui atrás apenas do dinheiro. Pensava que poderia ter uma carreira melhor fora do que em Portugal e ganhar mais títulos e dinheiro. Hoje assumo publicamente que me arrependo de não ter ouvido o meu pai. Tinha apenas 25 anos e estava na Liga [Olhanense] com um grande treinador, o Sérgio Conceição, um grupo de jogadores muito bom e não tive paciência… Reconheço que fui egoísta e egocêntrico quando tomei a decisão de me aventurar por Angola», admite. «Mas tenho de valorizar a passagem por Angola do ponto de vista pessoal. Foi um ano e meio de grande aprendizagem, Obrigou-me a traçar outros caminhos e a reconhecer que estava errado… Aprendi muito e aqui tenho de destacar alguém, que pelas suas qualidades humanas, foi muito importante para mim durante a passagem por Angola: o Professor Vaz Pinto», acrescenta. Futuro? Onde for feliz… O futuro não preocupa Nuno Silva. O extremo português espera encontrar um projeto onde se sinta valorizado por todos. Depois de tudo o que viveu, Nuno garante que o mais importante neste momento passa por agarrar uma oportunidade num clube onde possa ser feliz. «Os meus objetivos passam sempre por ser feliz e nunca ir apenas atrás da melhor solução financeira. Movo-me por paixões e o futebol espanhol é vivido dessa forma. Se me derem a escolher tentarei continuar por Espanha», garante. «Voltar a Portugal está sempre nos planos e sem vaidade posso afirmar que não vou para um projeto de Liga 2 só para estar na Liga 2. Não sinto qualquer complexo em jogar em que divisão for. O mais importante hoje é sentir-me feliz todos os dias em que calço as chuteiras, desejado e importante para as pessoas que me rodeiam no clube. Gostava de voltar para poder ter a alegria de ver os meus pais e filhos a festejarem um golo meu», termina....
RUI JANOTA CONCRETIZOU SONHO ANTIGO EM ANGOLA. Rui Janota começou a temporada no Real Massamá, do Campeonato de Portugal, longe ainda de imaginar aquilo que o destino tinha reservado para si. O telefone tocou e do outro lado um convite inesperado, mas que lhe permitia cumprir um dos maiores sonhos: ser jogador profissional. Colocou os prós e os contras na balança e decidiu aceitar o desafio de rumar a Angola para representar o 1.º de Maio de Benguela. Nos primeiros meses apanhou paludismo e febre tifoide numa realidade «completamente diferente». A falta pontual de luz, de água, as estradas terríveis, o calor infernal e a pobreza nas ruas são apenas alguns dos problemas de um país que vive e muito o futebol. O que falta? A família. Mas a vontade de triunfar e de dar um bom futuro aos seus tem sido o foco do médio português de 26 anos. «É uma realidade completamente diferente daquela a que estava habituado, mas tem sido bom. Ao início tive algumas dificuldades, pois estou num país diferente e acontecem aqui coisas que pensava que não existiam. Estava muito preocupado com a segurança. Vim completamente sozinho e quando cheguei ao aeroporto nem sabia para onde ir. E as saudades…Estou longe da família e isso custa-me… Mas sei que vou conseguir melhorar a minha vida», começa por contar Janota, em conversa com A BOLA. «Dizem que vivo na melhor cidade. Benguela é a província mais limpa e segura. Mas não sou indiferente ao que se passa em certos bairros. Aqueles miúdos que andam no campo descalços, que não se alimentam e andam atrás de ti a pedir água… é chocante. Custava-me lidar com isso diariamente. Agora aproveito essas ocasiões para brincar com eles», sublinha. 12 horas de viagem entre Benguela e Luanda Cerca de 500 quilómetros separam Benguela de Luanda. Uma distância considerável tendo em conta que o 1.º de Maio tem várias deslocações à capital angola. Esta temporada já foram cinco as jornadas em que o emblema de Janota teve de visitar Luanda e em quatro delas foram… de autocarro. «É uma viagem difícil. Os autocarros não são os melhores, as estradas têm muitos buracos e… doze horas de viagem. A nível pessoal tem sido uma experiência incrível, pois ganho forças para conseguir aguentar tudo. Tenho aprendido muito nestes meses sozinho», assegura. Pese as dificuldades, Rui Janota faz um balanço positivo dos primeiros meses em Angola: «Receberam-me bem no clube, tanto o treinador como os meus colegas. O facto de a língua ser a mesma ajuda, no entanto se falarem rápido não percebo nada. Mas agora acho que já falo um pouco como eles. Ultimamente, quando falo com a minha família perguntam-me sempre porque é que estou a falar ‘daquela maneira’…», conta entre risos. «O balanço acaba por ser positivo. As coisas estão a correr bem. Estou aqui para conseguir dar o salto para um clube melhor e a verdade é que alguns clubes já falaram comigo. Voltar para Portugal? Não sei… Gostava mas sei que em Portugal é muito complicado ser jogador profissional. Para quem quer construir família, como é o meu caso, acaba por ser muito complicado porque os ordenados não são nada por aí além», acrescenta Janota. Treinos com cinco mil (!) adeptos A paixão do povo angolano pelo futebol é genuína. E o exemplo que Rui Janota nos conta é sinal disso mesmo. Cinco mil adeptos a assistirem a um simples treino prova que o desporto-Rei move multidões num país onde a taxa de pobreza ainda é bastante significativa. «Aqui os adeptos vivem muito mais o futebol. Não há outras atrações. Temos treinos com cerca de quatro a cinco mil pessoas. Incrível. E festejam os golos nos treinos como se estivessem a ver um jogo a sério…», resume. «Quais as diferenças para o futebol português? Aqui [em Angola] existe qualidade técnica, mas em Portugal o jogo é mais estudado. A nível tático é muito mais evoluído em Portugal. Aqui é mais talento puro do que tático. E a nível físico, em Angola é mais exigente». Rui Janota cumpriu um sonho num país absolutamente diferente daquilo a que estava habituado. Os amigos, a namorada, a família… todos eles estão em Portugal a torcer para que as coisas corram bem ao médio. O que fica? As saudades. «Tenho muitas saudades dos meus amigos e da minha família. Morava numa zona calma e estava sempre em casa de amigos. Aqui não tenho ninguém. Treinamos de manhã e depois tenho o dia todo para fazer o que quiser. São muitos tempos mortos. Os meus colegas não gostam de praia, de piscina… Não há um centro comercial, nada… Ou vou para a piscina sozinho ou jogo Playstation. Mas isto se tiver luz…», termina....
FÁBIO ESPINHO: O DESEJO DE TRIUNFAR NO MÁLAGA APAGA A MÁGOA POR O QUE FALTOU CONQUISTAR EM PORTUGAL. Fábio Espinho chegou ao Málaga no início da temporada passada, depois de duas épocas de bom nível ao serviço do Ludogorets, clube no qual conquistou dois Campeonatos da Bulgária, uma Taça e brilhou nas competições europeias contra equipas como o Real Madrid e o Liverpool. A estreia na liga espanhola não foi a desejada, marcada pela escassa utilização, e o médio português acabou por sair no mercado de janeiro com destino a Moreira de Cónegos. «Como todos sabem, em Espanha não fui muito utilizado, por opção do treinador. Sempre estive habituado durante a minha carreira a jogar, senti que devia sair para ir em busca desses minutos que são importantes para mim. Sabia que o Moreirense podia dar-me isso e felizmente as coisas correram como eu esperava. Acho que o balanço é completamente positivo, pois contribuí para o objetivo do clube: a manutenção», assume Fábio Espinho em conversa com A BOLA. «Claro que o facto de ter jogado no Moreirense pesou no momento da decisão. Sempre mantive uma excelente relação com toda a estrutura e eles também quando souberam da minha situação fizeram questão de saber a minha disponibilidade em regressar. Foi assim que surgiu a oportunidade», acrescenta. Objetivo: afirmação no Málaga Habituado a ter um papel importante nas equipas que tem representado ao longo da carreira, o médio de 30 anos sente que está em dívida com o clube que o contratou no verão de 2015 e promete trabalhar no máximo para merecer a confiança do novo treinador do Málaga, o espanhol Juande Ramos. «Tenho mais um ano de contrato. O meu desejo passa por regressar ao Málaga e conseguir afirmar-me, uma vez que não tive essa oportunidade a temporada passada. Desde que cheguei, procurei sempre trabalhar no máximo e, das poucas oportunidades que tive, acho que estive bem. Agora, as decisões cabiam ao treinador [n.d.r. Javi Gracia] e eu só tinha de respeitar», reconhece Fábio Espinho, sem esquecer o trabalho que desenvolveu na Bulgária, fundamental para dar o salto para uma das «melhores ligas do mundo»: «Foram dois anos completamente espetaculares na Bulgária. O primeiro ano quando cheguei consegui ganhar tudo. No ano seguinte abrilhantámos ainda mais o nosso percurso com a participação na Liga dos Campeões. Fui muito feliz na Búlgária. Sinto também que fui um jogador muito importante num sítio onde me senti muito bem e valorizado. Com o que fiz lá consegui dar o salto para o campeonato espanhol, uma liga de sonho para muitos jogadores. Ficou o sabor amargo na época de estreia, mas espero ter a minha oportunidade este ano.» O que faltou para ter outra carreira…em Portugal Fábio Espinho cumpriu toda a sua formação no FC Porto, mas nunca conseguiu chegar à equipa principal dos dragões - ainda esteve duas temporadas na equipa B, seguindo depois para o Sporting de Espinho. Chegou à Liga em 2009 pela porta do Leixões e destacou-se no Moreirense, ao ajudar a equipa a subir da Liga 2 ao principal escalão do futebol português, em 2011/2012. As duas temporadas em Moreira de Cónegos despertaram o interesse do Ludogorets e depois, como já referido, deu-se o salto para o Málaga. Mas afinal o que faltou para Fábio Espinho conseguir chegar a um dos designados grandes do futebol português? «Esperava fazer outra carreira aqui em Portugal, mas assim não foi possível... Não escondo que perspetivava outro tipo de carreira no meu país, mas não sei quais foram os motivos para isso não acontecesse...Mas consegui lá fora o que não consegui em Portugal e fico também feliz por isso», remata....
IDALÉCIO: DOS RELVADOS PARA UM DOS MAIS FAMOSOS RESTAURANTES LONDRINOS . Idalécio arrumou as chuteiras aos 38 anos, dando por encerrada a carreira no Quarteirense, em terras algarvias, a região que o viu nascer, depois de ter jogado no principal do escalão do futebol português ao serviço de SC Braga, Rio Ave, Nacional e Farense. Em 2013, depois de uma incursão com pouco sucesso no ramo imobiliário, decidiu emigrar para terras de Sua Majestade. Há três anos que está em Londres e, a A BOLA, garante que o único arrependimento foi não ter tomado a decisão mais cedo. Trabalha no Novikov, um dos restaurantes mais famosos de Londres, por onde passam grandes nomes do futebol, e sempre que possível não perde oportunidade de se fotografar com os craques: «É engraçado agora ser eu a pedir para tirar fotos, quando já estive do outro lado, com os adeptos a pedirem para posar com eles.» Mas nem tudo foi um mar de rosas. «Primeiro vim sozinho. Tinha cá um cunhado que me ajudou com a estadia, só passados uns quatro meses é que vieram a minha mulher e as minhas filhas. Não tinha qualquer experiência de nada, mas arregacei as mangas e fui à luta. Primeiro trabalhei num casino no centro de Londres, era team manager, depois fui servir às mesas no Caffé Concerto, onde tive a felicidade de encontrar outros portugueses que me ajudaram bastante na aprendizagem do funcionamento do que tinha de fazer, seguiu-se uma empresa melhor, o Duck and rice, cujo proprietário é um chinês muito conhecido, Alan Yau, até que fui a uma entrevista no Novikov, cujo manager é filho de um antigo futebolista, o Décio Barroso, mas fiz questão de deixar claro que queria que me contratassem para ser útil e não como amigo», explica. Idalécio é Chef D´Pass, ou seja, faz a ligação entre os empregados de mesa e os chefs de cozinha. Uma espécie de supervisor, mas com muito trabalho pela frente… «Durante a semana servimos entre 80 a 100 almoços e 300 a 400 jantares, ao fim de semana é uma autêntica loucura», conta. E é curiosa a resposta a como é que um futebolista se adapta a estas andanças: «Temos de ser pessoas equilibradas e o futebol dá-nos mais capacidades do que aquilo que as pessoas pensam. Ainda há muito o estigma de se olhar para o jogador como sempre um burro, que só sabe fazer aquilo. Mas, não é bem assim.» FC Porto e Sporting de Londres Mas o bichinho do futebol continua bem presente e em Londres já representou as equipas locais de FC Porto e Sporting. - No ano em que cá cheguei fui convidado por uns amigos a jogar no FC Porto of London, treinava às sextas à noite e jogava aos sábados, antes de ir para o trabalho, sempre como amador, claro. Depois fui convidado pelo Sporting de cá para ir a uma digressão à Madeira durante quatro dias. Agora joga umas futeboladas com os amigos, diverte-se e mantém acesa a chama do passado, do qual já sente algumas saudades. «Há sempre uma certa nostalgia. Mas tenho enorme orgulho no percurso que fiz Um benfiquista que marcou na Luz Idalécio diz que utiliza o Facebook como forma de se manter mais perto dos amigos e da família, o que sente mais falta de Portugal, e recentemente uma prima que o visitou levou-lhe um gorro e um cachecol do Benfica e tem postado algumas fotos à benfiquista por diversão «e não para gozar com ninguém». Assume-se benfiquista, mas não esquece o golo que marcou na Luz! «Sim, sou adepto do Benfica, mas isso não me impediu de lhes marcar um golinho na Luz, em 1997 (risos)», recorda, o encontro da 1.ª jornada, da época 1996/1997, em que o SC Braga empatou (1-1), na Luz, e Idalécio marcou a Michel Preud’homme, aos 84 minutos, depois de Hélder ter marcado, de grande penalidade, aos 82. Tem um vídeo dos melhores momentos De Evra, a Lampard, Drogba, John Terry e tantos outros craques. Idalécio diz ter o privilégio de os ver e servir no restaurante Novikov e quando possível, sem os incomodar, lá pede para tirar uma foto e, por vezes, revela já ter sido jogador e até lhes mostra no telemóvel um vídeo dos melhores momentos da carreira. «Passam por cá tantos… Portugueses já vieram Ricardo Quaresma, Raul Meireles, Bosingwa, Cédric, José Fonte. O vídeo? (risos) Quando sinto que não estou a incomodar mostrou-o. Uma história engraçada? Com o Evra. Pedi para tirar uma foto, ele aceitou, mas depois disse logo que não a podia publicar em lado nenhum. Aliás, o segurança dele veio dizer isso e o meu colega que tirou a foto, um italiano, ficou com tanto medo que nem me enviou a foto (risos). Mas, no geral são todos simpáticos e acessíveis», salienta. Embora esteja longe do sol algarvio, Idalécio afirma estar feliz com a família em Londres: «Sinto-me muito bem. Realizado com a carreira que tive no futebol, da qual guardo grandes momentos, principalmente no SC Braga, numa altura em que o clube estava em crescimento, e atualmente fico muito contente de ver os ver num patamar elevado, e esta fase da minha vida além futebol está a ser uma experiência muito positiva. As minhas filhas integraram-se com muita facilidade, estão felizes, e isso é fundamental.» Fotos gentilmente cedidas por Idalécio...
 

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