QUINTA-FEIRA, 30-07-2015, ANO 16, N.º 5661
«Todas as equipas gostavam de ter Messi» - Rakitic
Barcelona Ivan Rakitic cumpriu a primeira temporada ao serviço do Barcelona em grande plano, destacando-se como peça imprescindível do esquema tático do técnico Luis Enrique. Em entrevista ao jornal Marca, o internacional croata falou do passado em Sevilha, do presente no Barcelona e no quão fantástico é jogar ao lado de Lionel Messi, Suárez e Neymar. Questionado sobre se a vida é mais fácil com Messi, Rakitic foi claro: «Sim, sinceramente sim. Todas as equipas gostavam de ter Leo, mas feliz
Tranquillo Barnetta reforça Philadelphia Union
Estados Unidos O Philadelphia Union anunciou esta quarta-feira a contratação do médio Tranquillo Barnetta. O internacional suíço de 30 anos estava sem clube depois de na última temporada ter representado os alemães do Schalke 04. «Um jogador da qualidade do Tranquillo vai ajudar-nos imenso naquilo que estamos a pensar fazer neste clueb», disse o diretor técnico Chris Albright em declarações reproduzidas no site do emblema que disputa a Major League Soccer (MLS). Em Philadelphia, Barnetta vai ser c
Diego López sobre Casillas: «Todos têm a sua hora»
AC Milan O antigo guarda-redes do Real Madrid, que disputou com Iker Casillas a titularidade na era José Mourinho, comentou a transferência do compatriota para o FC Porto. «Todos têm a sua hora», disse em declarações reproduzidas pelo jornal Marca, quando questionado sobre a saída de Casillas do Real Madrid. «Por vezes, seja por que motivo for, é preciso mudar. Desejo-lhe o melhor no FC Porto.» Diego López, que acabou por sair para o AC Milan, em 2014, descartou ainda qualquer polémica com Casillas
Nélson assina pelo Alcorcón
Espanha Nélson, lateral de 32 anos que na última temporada representou o Belenenses, assinou pelo Alcórcon, da segunda liga espanhola, anunciou esta quarta-feira o clube madrileno. O internacional português regressa assim a Espanha, onde já defendeu as cores do Bétis, Osasuna e Almería, entre 2008 e 2014. «Estou feliz por estar aqui, poder ajudar e desfrutar de novo do futebol espanhol», disse o defesa em declarações ao site do Alcórcon. Em Portugal, antes de rumar a Sevilha, Nélson jogou n
«Estou muito feliz por continuar cá» - Carlos Mané
Sporting Carlos Mané acertou a renovação do seu vínculo contratual com o Sporting, agora em vigor até junho de 2020. O extremo de 21 anos sente que este desfecho é o reconhecimento do seu trabalho. «É um reconhecimento do meu trabalho. Estou muito feliz por continuar cá e irei dar sempre o meu melhor por estas cores», disse o internacional sub-21 português em declarações à Sporting TV. Sobre o processo de renovação, Mané garante que o seu pensamento esteve sempre no Sporting: «O meu desej
«Dia 9 de agosto estaremos preparados» - Rui Vitória
Benfica Rui Vitória revelou, no final do encontro com o Club América, estar bastante contente com o comportamento dos jogadores ao longo do estágio de pré-época, apesar de contar apenas com uma vitória (e nas grandes penalidades) nos quatro encontros realizados. «Este foi um jogo em que demos mais um passo. Começámos bem o encontro, falhámos um penalty, tivemos uma postura boa em situações difíceis, e a sorte acabou por sorrir-nos nas grandes penalidades. Parabéns aos jogadores. Não foi um jogo perf
Pré-época fecha com derrota
Olhanense O Olhanense fechou a pré-época com uma derrota frente ao Lusitano VRSA, por uma bola a zero, em jogo-treino que se realizou esta tarde, na cidade raiana. Luís Firmino marcou o golo da vitória da equipa treinada por Ivo Soares. Refira-se que o Olhanense joga domingo, frente ao Penafiel, em jogo a contar para a Taça CTT.
Celtic vence pela margem mínima, Ajax empata
Liga dos Campeões O Celtic venceu em casa o Qarabag, do Azerbaijão, por 1-0, na primeira ‘mão’ da 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Já o Ajax empatou 2-2 com o Rapid, em Viena. Resultados e marcadores: HJK-Astana, 0-0 Salzburgo-Malmoe, 2-0 Ulmer (51), Hinteregger (89 g.p.) Steaua Bucureste-Partizan, 1-1 Fernando Varela (81); Vulicevic (62) Celtic-Qarabag, 1-0 Boyata (82) Lech Poznan-Basileia, 1-3 Thomalla (36); Lang (34), Janko (77), Calla (90+2) Rapid Viena-Ajax, 2-2 K
«Podia ter começado melhor...» - José Gonçalves
Volta a Portugal José Gonçalves, quinto classificado e melhor português no prólogo que marcou o arranque da Volta a Portugal, reconhece que ambicionava ter saído de Viseu com a camisola amarela. «A Volta a Portugal podia ter começado melhor. Melhor? Era sair daqui de amarelo. Queremos sempre mais, mas acho que fiz um bom prólogo. Surgiu um imprevisto, saí em frente numa curva, porque vinha a arriscar muito, mas consegui emendar a trajetória. Todas as curvas bem feitas contam para poupar segundos. O belga [Ga
Bakar Diarra reforça miolo
Covilhã Bakar Diarra, médio defensivo de 21 anos, que estava desde a semana passada a treinar à experiência, assinou contrato com o Sporting da Covilhã, informou esta quarta-feira o clube serrano. O trinco atuou em três encontros de preparação e convenceu o técnico Francisco Chaló. O treinador do Covilhã continua com o plantel incompleto e a aguardar a chegada de reforços para o ataque.
Sporting e Roma já jogam... nas redes sociais
Sporting O Troféu Cinco Violinos está marcado para sábado, em Alvalade, mas Sporting e Roma já jogam ao ataque nas redes sociais. «Roma, vejam o nosso 12.º jogador, a nossa maior estrela. Podem decidir jogos sozinhos. É mágico», escreveram os leões no Twitter, mensagem que mereceu resposta da Roma também através daquela rede social. «Impressionante. Mas, com o devido respeito, os ‘tifosi’ da Roma são de outro nível!», leu-se no Twitter da Roma, que publicou vários vídeos dos adeptos giallorossi<
Treinador do Gotemburgo rejeita favoritismo
Liga Europa O treinador do IFK Gotemburgo contrariou a ideia de Sá Pinto, rejeitando assim qualquer favoritismo diante do Belenenses, na terceira pré-eliminatória da Liga Europa. Jorgen Lennartsson lembrou ainda que a equipa portuguesa está melhor posicionada que os suecos no ranking da UEFA. «O favorito é o Belenenses. Tem uma equipa tecnicamente forte, com jogadores experientes, apesar de estarem no início da época e de terem um novo treinador. Esperamos um jogo interessante e equilibrado», afir
Chimoio acolheu 1.ª edição da Légua Mcel
Moçambique A cidade de Chimoio, na província de Manica, acolheu a 1.ª edição da Légua Mcel, uma parceria entre a empresa de telefonia móvel, a Moçambique Celular (Mcel) e a Federação Moçambicana de Atletismo (FMA), que visa massificar a modalidade do atletismo no país. A prova, que contou com a participação de milhares de atletas, entre federados e populares, contou ainda com a participação de pessoas portadoras de deficiência. O secretário-geral da Federação Moçambicana de Atletismo (FMA), Kamal B
Tondela vence na Covilhã (2-1)
Jogo de preparação O Tondela venceu esta quarta-feira na Covilhã, o Sporting local, por 2-1, em jogo de preparação disputado no Estádio Santos Pinto. Os serranos ainda estiveram na frente do marcador, fruto do golo de Elton aos 23 minutos, mas Luís Alberto e Kaká, aos 31 e 74, respetivamente, materializaram a reviravolta do conjunto auriverde.
«Quero é chegar a Lisboa com a amarela vestida» - Gustavo Veloso
Volta a Portugal O espanhol Gustavo Veloso manifestou o desejo revalidar o título conquistado na Volta a Portugal no ano passado. «Estou satisfeito com o `crono` que fiz. Não me importo de não sair daqui de amarelo. Seria bonito, mas eu quero é chegar a Lisboa com a camisola vestida. O mais importante é ver o contrarrelógio que eu fiz e o que os adversários fizeram. A Volta a Portugal é uma prova de eliminação, cada dia um vai sendo eliminado», disse Gustavo Veloso, que terminou o prólogo de 6 quilómetros, em
Alvinegros vencem Recreativo Huelva (3-1)
Portimonense No último jogo de pré-época, o Portimonense recebeu e venceu o Recreativo Huelva, por três bolas a uma. Os reforços Marcel, Buba e Alfredo mostraram que estão com o pé quente, enquanto Molina apontou o golo da equipa espanhola. Os alvinegros voltam a entrar em campo, no próximo domingo, às 17 horas, no Estádio Municipal de Portimão, frente ao Desportivo das Aves, em jogo a contar para a primeira jornada da Taça CTT.
«Vou tentar manter a camisola amarela» - Gaetan Bille
Volta a Portugal O belga Gaetan Bille, primeiro líder da Volta a Portugal, confessa que não é um bom trepador mas garante que, ainda assim, vai lutar para manter a camisola a amarela. «Estou muito feliz. Quando se ganha um prólogo, vestem-se as camisolas todas. Ganhar e logo numa prova como a Volta a Portugal é fantástico. É muito importante para mim e para a equipa. Eu vinha para ganhar o prólogo. É a minha primeira vez aqui e já adoro esta prova. A minha equipa é boa, forte. Temos um bom conjunto para lutar
Arouca vence AD Oliveirense (4-0)
Jogo de preparação O Arouca venceu esta quarta-feira a AD Oliveirense, do Campeonato Nacional de Seniores, por 4-0, em jogo particular disputado no Estádio Municipal de Arouca. Nelsinho, Karl, Roberto e Nildo apontaram os golos da formação arouquense. O técnico Lito Vidigal (Arouca) apresentou um 11 titular bem diferente daquele que tem usado nos últimos jogos de preparação, deixando de fora Hugo Basto, Nuno Coelho, David Simão e Vuletich, jogadores que têm sido dos mais utilizados.
Vitória sobre o Famalicão (3-0)
Paços de Ferreira O Paços de Ferreira venceu esta quarta-feira o Famalicão por 3-0, num jogo de preparação que decorreu à porta fechada na Mata Real. Marco Baixinho e Jota marcaram na primeira parte, Tiago Serralheiro, dos sub-19, fechou o resultado na segunda. Hurtado, Minhoca, Bruno Moreira, Paulo Henrique, Manuel José e Bruno Santos, todos com problemas físicos, não jogaram. Pelé ainda não se apresentou.
Besiktas goleia no regresso de Quaresma
Turquia Três anos depois, Ricardo Quaresma voltou a vestir a camisola do Besiktas e contribuiu com uma assistência para a goleada (5-0) sobre o NK Zavrc, da Eslovénia, num jogo de preparação. «Estou feliz por voltar a vestir esta camisola, foi um dia especial para mim. Foi um passo na minha preparação, queremos trabalhar juntos para ganhar títulos. Vou contribuir mais quando estiver totalmente preparado», disse o internacional português no final da partida. Resultados de outros jogos de prepara
Federação Inglesa apoia candidatura de Platini
FIFA Greg Dyke, presidente da Federação Inglesa de Futebol (FA), manifestou esta quarta-feira o seu apoio à candidatura de Michel Platini, atual presidente da UEFA, às eleições para a presidência da FIFA. «Estamos encantados por o senhor Platini ter decidido apresentar a sua candidatura. A FA apoia-o», assegurou Greg Dyke em comunicado publicado no site da Federação Inglesa. O dirigente inglês revelou ainda que mantém uma «excelente relação» com Platini e disse esperar que o francês cons
Vitória de Setúbal derrotado pelo Sporting B (1-6)
Jogo de preparação O Vitória de Setúbal saiu esta quarta-feira derrotado de Alcochete, diante o Sporting B, por 1-6, no quarto jogo de preparação da formação sadina realizado durante esta pré-temporada. Francisco Geraldes adiantou os `bês` leoninos no marcador à passagem do minuto 42, bisando na partida pouco depois, aos 44. No segundo tempo, Dramé e Betinho dilataram o resultado, aos 56 e 60, respetivamente, antes de Zequinha reduzir na transformação de uma grande penalidade aos 62 minutos. A derrota ganho
Copenhaga ganha vantagem na República Checa
Liga Europa O Copenhaga venceu esta quarta-feira no campo do Jblonec (1-0), na República Checa, em jogo da primeira mão da 3.ª pré-eliminatória. O médio sérvio Benjamin Verbic apontou o golo do triunfo à passagem do minuto 51, dando assim vantagem aos dinamarqueses na eliminatória. Destaque ainda para a expulsão de Tecl (Jablec), aos 69 minutos, que falha assim o encontro da segunda mão, agendado para o próximo dia 6 de agosto, em Copenhaga.
«Foi fácil chegar a acordo» - Rui Jorge
Sub-21 Rui Jorge mostrou-se, esta quarta-feira, satisfeito com o desfecho do processo da sua renovação com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) até junho de 2017. O selecionador Nacional de sub-21 garante que foi fácil chegar a um entendimento para continuar à frente da Seleção Nacional sub-21 e da Seleção Olímpica. «Foi fácil chegar a acordo. Tive uma conversa com o Presidente [Fernando Gomes] e a situação ficou resolvida a partir do momento em que sabíamos que havia vontade da FPF na nossa cont
Liga Desportiva de Litos praticamente nas meias-finais
Moçambique A Liga Desportivo de Maputo, treinada pelo técnico português, Litos, foi a única a dar um passo de gigante rumo às meias-finais da Taça de Moçambique/mCel ao golear, em casa, na tarde de esta terça-feira, o Ferroviário de Quelimane, por 3-0, em jogo da primeira mão dos quartos-de-final. Para o jogo da segunda mão, que se realiza no dia 7 ou 8 de agosto, a equipa de Litos precisa apenas de empatar e até pode-se dar ao luxo de perder por 2-0. Já o Ferroviário de Nampula, orientado pelo portu
Teste sem golos entre Estoril e Atlético
Jogo de preparação Estoril e Atlético empataram 0-0, num jogo de preparação que decorreu esta quarta-feira no estádio da Tapadinha. No próximo sábado, o Estoril realiza novo teste diante dos marroquinos do Wydad Casablanca, partida que vai decorrer na Amoreira à porta fechada.
Nacional vence Académica (3-0)
Jogo de preparação O Nacional venceu esta quarta-feira a Académica por 3-0, num jogo de preparação realizado no Estádio Cidade de Coimbra. Soares, com dois golos (24 e 44 minutos) e Peters (aos 67 minutos, e de calcanhar!) marcaram os golos do conjunto insular. A Briosa tem mais dois jogos particulares agendados para esta semana: sexta-feira, às 19 horas, frente à Naval, no Estádio José Bento Pessoa, na Figueira da Foz, e sábado, às 17 horas, com o Benfica e Castelo Branco, no Estádio Municipal do Entroncame
Governo enaltece campeões mundiais de ginástica
Moçambique O governo moçambicano felicitou e enalteceu, esta quarta-feira, a seleção nacional de ginástica, que se sagrou campeã mundial na especialidade de ‘rope skipping’ (salto acrobático com corda), este fim de semana em Paris, capital da França. A seleção, composta por cinco ginastas, designadamente Elvis Domingos Tembe, Aristides João Nandza, Ricardo Adélia Sitoe, Zefanias Albino Magaia e José Tavete, conquistou 13 medalhas, entre ouro, prata e bronze, bem como oito taças. Esta terça-feira, fal
Vila-condenses apresentam torneio com Paços de Ferreira e Celta
Rio Ave O Rio Ave apresentou, esta quarta-feira, o Troféu Turismo Porto e Norte que vai decorrer no próximo sábado em Vila do Conde e que vai contar com a presença de Paços de Ferreira e Celta de Vigo. No torneio, disputado em três jogos de 45 minutos, a organização espera reunir no Estádio do Rio Ave FC cerca de 2.000 adeptos. Caso os jogos terminem empatados, a decisão será remetida para a marca das grandes penalidades. SEQUÊNCIA DE JOGOS Rio Ave – Paços de Ferreira, 18 horas Paços de

classificações

Liga
Liga 2
1. ª jornada
2. ª jornada
classificação
1. ª jornada
2. ª jornada
classificação
21-08
Rio Ave
20:30
SC Braga
Sport TV1
22-08
Sporting
18:30
P. Ferreira
Sport TV1
22-08
Marítimo
20:45
FC Porto
Sport TV1
23-08
V. Guimarães
17:00
Belenenses
Sport TV1
23-08
Estoril
17:00
Moreirense
23-08
Nacional
17:00
União
23-08
Boavista
17:00
Tondela
23-08
Arouca
19:15
Benfica
Sport TV1
24-08
Académica
20:00
V. Setúbal
Sport TV1
15-08
SC Braga B
-
Gil Vicente
15-08
Freamunde
-
Varzim
15-08
SC Covilhã
-
Chaves
15-08
Feirense
-
Aves
15-08
Benfica B
-
Penafiel
15-08
Santa Clara
-
FC Porto B
15-08
Farense
-
Oliveirense
15-08
Portimonense
-
Académico
15-08
Mafra
-
Sporting B
15-08
Famalicão
-
Olhanense
15-08
Leixões
-
Atlético
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Oriental
-
V. Guimarães B
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Benfica
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0
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Nacional
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Saiba como antes de ir para o Tarrafal, ele fez a Volta (mas saiba muito mais: de burlas a mortes, de violações a vergonhas, de fomes a estranhas massagens...)
Estrela de Diamante Com a Volta a Portugal já na estrada, contamos-lhe como tudo começou – e tudo começou com o dedo de Cândido de Oliveira, o Cândido que, depois, haveria de fundar A Bola, com Vicente de Melo e Ribeiro dos Reis. Nem imagina como foi essa primeira vez em 1927 – ou como era o país que, nesse ano, passou a ter a França e a Itália já tinham. Sim, o que aqui se conta é como era esse país também através de fatos de banho e outras coisas de mulheres, através de políticos aos tiros e em revoluções, através de uma bailarina persa violada e de um campeão de hipismo fuzilado (ou não...) & mais, muito mais... Primo de Rivera já subjugara Espanha à sua ditadura nacionalista - e a 18 de Abril de 1925 deu-se em Portugal a Revolta dos Fifis, golpe liderado pelo almirante Filomeno da Câmara e intelectualmente apoiado por Fidelino de Figueiredo (e lançado na esperança de ser uma espécie de riverismo à portuguesa). Até numa padaria se descobriram bombas... Entre os 61 militares que nele participaram estavam Sinel de Cordes e Gomes da Costa. O Século e o Diário de Notícias foram suspensos e se a suspensão não se levantasse entretanto ao DN não teria havido o que houve: o DN a organizar a Volta a Portugal em Bicicleta. Falhada a rebelião, a polícia descobriu 50 bombas espalhadas pelo Parque Eduardo VII, juntou-as a outras 50 que apanhou pela cidade, cinco delas, por exemplo, numa padaria da Graça, para serem usadas durante a greve dos padeiros – e lançou-as, com pompa, ao Tejo a 14 de Maio. Ribeiro dos Reis perdeu com a Espanha, o comandante de polícia foi salvo pela Senhora de Fátima, alguém disse... Três dias depois, António Ribeiro dos Reis, que haveria de fundar A Bola com Cândido de Oliveira e Vicente de Melo, estreou-se como selecionador nacional de futebol, contra a Espanha, perdendo por 0-2. Nesse dia, a Legião Vermelha, organização terrorista ligada aos comunistas, que desde Dezembro de 1919 fora responsável por mais de 200 atentados contra políticos e empresários, voltou a espalhar pânico na cidade – alvejando a tiro Ferreira do Amaral, comandante da polícia. Que se salvou por «milagre de Fátima», alguém escreveu. Os seus principais activistas acabaram presos – e deportados para África, um deles era Bela Kun, o seu líder... Na primeira vitória, o Ovomaltine e as massagens (e a paródia que isso foi...) A 18 de Junho, no Lumiar, a seleção obteve, enfim, a primeira vitória do seu historial. 1-0 à Itália, golo marcado pelo sportinguista João Francisco, que jogava de lencinho a prender os calções, o cinto da sua superstição. A equipa foi submetida a preparação especial. À imagem militar do seu timoneiro - Ribeiro dos Reis era capitão do exército. Estágios em regime de reclusão, fora de Lisboa, na Malveira e em Montachique, marchas pelos montes e ginástica respiratória, «alimentação salutar e reconfortante», médico e massagista a tempo inteiro. Perante isso, detratores levantaram a voz em ironias e imprecações, houve até um que disse: - O estágio é uma paródia, as massagens dão cabo dos homens de barba rija, Ovomaltine e chocolates são para crianças. Não, o Ovomaltine não era só para crianças - e, depois, quando se começou a abrir caminho à Volta a Portugal em Bicicleta, a Volta também passou pelo Ovomaltine, já se verá como. Contra a... «fraqueza genital»? Comprimidos a 17 escudos... Antes, porém, espalharam-se os seus reclames por jornais e revistas com imagens de desportistas famosos, por entre anúncio assim, por exemplo: «Para a fraqueza genital: comprimidos de cloridrato de yohimbina, quimicamente pura, do dr. Wolff – Berlim. Medicamento precioso, sempre que seja necessário tonificar o aparelho genital, reforçá-lo. Resultados garantidos para ambos os sexos». Nas farmácias, custava 17 escudos - e se, «por pudor», se quisessem encomendar por correio, ficava a 18 escudos e 50 centavos. A 19 de Julho, houve nova tentativa de ataque à democracia – com Mendes Cabeçada à cabeça da insurreição. Agatão Lança comandou forças fiéis ao governo – e jugulou-a. Dois meses depois, libertaram-se todos os militares e civis implicados, que assim ficaram à espera de outra oportunidade - e Portugal, se estava marcado pela convulsão política, estava também já marcado por uma volta, a Volta a Portugal a Cavalo, a Volta a Portugal a Cavalo que daria origem a uma Volta a Portugal em Automóvel e a uma Volta a Portugal em Bicicleta... ...
Grande História A Volta a Portugal em Bicicleta começou com a... Volta a Portugal a Cavalo – no arrasto dos fascínios e das euforias que outra despertou. Foi em meados de 1925, teve duas fases. Uma entre Cacilhas e Viana do Castelo: 1503 quilómetros em velocidade controlada. Outra, entre Viana do Castelo e Lisboa: 405 quilómetros em velocidade livre – e nesse troço chegou José Tanganho a ter 10 horas de avanço sobre o segundo classificado. No Cartaxo já tinha o capitão Rogério Tavares á sua ilharga – e pouco depois, o Favorito «com as patas inchadas e desferrada, negou-se a romper», contou A Capital. «À entrada da Portela, Tanganho teve de desmontar porque o seu animal tinha um rim descaído, necessitando de uma massagem...» O primeiro a chegar a Lisboa, chegou e morreu durante a noite... E assim, o primeiro a chegar a Lisboa, ao Campo Grande foi Rogério Tavares. Tanganho estava a sete quilómetros – continuava a pé, com o Favorito à mão. Quando cortou a meta, dois bombeiros quiseram-lhe dar-lhe um cálice de Vinho do Porto: - Como se fosse uma sopa de cavalo cansado... mas a multidão, desvairada, olhando para as fardas, gritou-lhe: - Não bebas, que te querem envenenar!... Na manhã seguinte, ali mesmo, no Jockey Clube, teria de fazer-se a última prova: 800 metros a trote, com três saltos de sebes, unicamente para se perceber o estado de saúde de cada animal. Emir, o cavalo do capitão, morreu durante a noite. «Aquele esforço não podia deixar de rebentar-lhe o cavalo...» Ao Sport de Lisboa, José Tanganho, revelou, após o decretarem vencedor do «raid hipico»: - Não, para cá de Alverca, quando o capitão Tavares me passou à frente, não me convenci de que havia perdido a corrida. Fiquei apenas surpreendido que estivesse tão perto, supunha-o longe. Tanto por ter comido de mais em Leiria, como por ter sido arrancado ao sono que mal começara na sua cocheira do Cartaxo, o Favorito vinha um pouco desmoralizado, é verdade. Não quis obrigá-lo a um esforço muito grande, apeei-me, seguindo a passo. Quando vi passar, como uma flecha o capitão, fiquei com a ideia de que aquele esforço não podia deixar de rebentar-lhe o cavalo. Ora, sem perigo de rebentar o meu, não podia acompanhá-lo. E por isso o deixei seguir, convencido de que o Emir não chegaria a Lisboa. Muito fez ele! Foi a minha prudência que me deu a vitória. Cheio de sono e de fadiga, o Favorito, vindo a passo, repousou até Lisboa e, no dia seguinte, estava fresco que nem uma alface. O Emir que fizera mais do que podia, morreu... Não foi com a égua, foi com um cavalo que trabalhava a puxar uma charrete... Como tudo começara, haveria de contá-lo o José Bernardo Tanganho no Século Ilustrado, depois: - Estava eu nas Caldas da Rainha com o tenente-coronel José Mousinho a tomar café na barraca de um judeu qualquer, quando vimos passar a cavalo o capitão Silva Dias. «Vejo-o todos os dias assim» - disse eu. «Que é que andará a fazer?» Que andava a treinar o cavalo para a Volta a Portugal, explicou-me o Mousinho. Cá para mim, resolvi logo: «Também vou entrar nisso, tenho uma égua que não há quem possa com a vida dela». Era a égua de uma tipóia de aluguer com que eu me governava. Mas toda a gente me queria tirar aquilo da cabeça: «Tu és doido? Os militares andam a treinar os cavalos há três meses e já só faltam quinze dias…» Agarrei no animal e, sem parar, fui com ele das Caldas a Alcobaça, andei pela Nazaré, São Martinho, Foz do Arelho, Peniche… Acabei por desistir da égua, quando vi que ela tinha uma assentadura. Nessa altura, quando viram que eu tencionava mesmo levar a minha por diante, apareceram-me várias pessoas a oferecer cavalos. Escolhi o do lavrador António Joaquim, do Cartaxo, um cavalo que andava também engatado a uma charrete. Levei-o das Caldas à Foz do Arelho. Quando lá cheguei, fiquei uns dez ou doze dias em exercícios: amarrava o cavalo a uma bateira e punha-o a fazer força para ganhar pulmão... Rompeu três pares de botas em 18 dias, embebedaram-lhe o cavalo... A odisseia demorou-lhe 18 dias, sob sol e chuva, umas vezes a pé, outras a cavalo montado (e pelo caminho rocambolices que se não imaginam): - Rompi três pares de botas... Andava dez metros a cavalo e vinte a pé, para o animal se aguentar. E percorria 100, 150 e até 250 quilómetros por dia, sem horário fixo. Na etapa Odemira-Monchique, que deveria ser através da serra, o guia, que devia acompanhar os concorrentes, não conhecia o caminho, pelo que andámos perdidos, até darem com o casebre de um pastor. O percurso de Moncorvo a Bragança foi feito debaixo de um autêntico dilúvio. Em Arcos de Valdevez, não havia cavalariças, nem ração, mas isso foi devido a razões políticas, as complicações que por aí houve, os golpes e os contragolpes. Ao chegar a Vila Franca de Xira, o o Favorito começou a fraquejar e houve quem me desse uma garrafa de vinho do Porto para o animal beber e arribar, uma sopa de cavalo cansado. O cavalo bebeu e passados alguns metros estava com uma grande bebedeira…E para ali vim eu, com o cavalo a curti-la…Tive de o trazer à mão e foi assim que o capitão Rogério Tavares chegou a Lisboa em primeiro lugar, isto é, à minha frente... Dos 290 mil contos falsos, virou filme até... E foi assim que Taganho, o «picador que mostrara ao povo que era possível bater um oficial de cavalaria» - saltou para a ribalta quando para a ribalta seguia já outro nome, por outra circunstância: o Alves dos Reis. Falsificando o papel da carta com o timbre do Banco de Portugal e a assinatura do seu governador, em documento que conseguiu até reconhecimento de notário, Alves dos Reis encomendou à Waterloo & Sons, fabricante de papel moeda para o BP, 290 mil contos em notas de 500 escudos. Com o dinheiro fundou o Banco Angola e Metrópole – e entregou-se ao luxo e à ostentação. A mulher chegou a gastar 400 contos em peles e roupas em Paris e 1200 contos numa ourivesaria do Porto. Quando, a 5 de Dezembro de 1925, se deslindou a burla – prenderam-no. (Libertaram-no em Maio de 1945. Regressou a Angola, voltou a ser punido por burla em venda de café, morreu dez anos depois, de ataque cardíaco, pobre. Virou figura de romances e filmes e em Outubro de 2005 uma das suas notas falsas foi posta a leilão – e arrematada por 6500 euros!) Dos 200 escudos de Tanganho à atriz que acabou em desgraça... A vitória de Tanganho na Volta a Portugal a Cavalo pôs-lhe a estrela em fulgor, assim se manteve semanas e meses a fio. Para se exibir no Coliseu de Lisboa e no Palácio de Cristal do Porto ofereceram-lhe cachets de 200 escudos – e por essa altura um automóvel dos mais baratos custava 18 mil escudos, aos 18 mil escudos dizia-se que eram 18 contos, os mais bem pagos salários da indústria, os da refinação do açúcar, andavam pelos 19 escudos... Lina Demoel, nome artístico de Carolina Adelaide Rodrigues, fora das primeiras mulheres a tirar carta de condução em Portugal, mas no auge da sua fama era um motorista fardado que a conduzia ao teatro no seu automóvel de luxo, marcado pelo LD das iniciais do nome em monograma de prata. Exuberante, famosas eram as suas viagens a Paris, para comprar roupas de Poiret e diamantes de Cartier – e mostrar-se em espectáculo do Molin Rouge. Ninguém soube, contudo, quem lhe sustentava a «ostentação que só o palco não podia pagar». Estava-se já em 1926, quando, no Domingo Ilustrado, alguém escreveu: «Ela é hoje a estrela mais brilhante, cheia de fulgor e de elegância, de distinção e de sorriso, que pisa o nosso teatro ligeiro. De Lina Demoel se pode dizer com justiça que é uma actriz parisiense, não só pela sua arte excepcional de alegria, onde há desde a doçura esquiva e frívola da mulher até à intenção perversa, maliciosa e causticante do couplet da rua, mas ainda pelo bom gosto, pela riqueza e sumptuosidade das suas toilletes...» O seu maior êxito assinalara-o, por essa altura, na revista Foot-Ball – e imortal ficou a cantar: Maria! São teus olhos azeitonas Cachopa! São teus lábios qual cerejas E os teus seios cachos de uvas que abandonas À vindima desta boca que os deseja... (À entrada para a década de 40, largou os palcos – para ir trabalhar em alta costura, em Luanda. E em 1954, durante férias em Lisboa, sofreu acidente de automóvel que a paralizou. Vinte anos depois, reportagem num jornal deixou meio mundo em lágrimas, mostrava-a inválida, sobrevivendo num sombrio quarto alugado da cidade...) ...
Estrela de Diamante Num ponto, não há dúvidas: o frenesim que a Volta a Portugal a Cavalo causou, levou a que o Diário de Notícias lançasse em 1927, a primeira Volta a Portugal em Bicicleta. Quem ateou a ideia, isso pode ser mistério, mas não muito... Cândido de Oliveira nascera, a 25 de Setembro de 1897, em Fronteira. Último de 10 irmãos de família pobre, pequenino o levaram para a Casa Pia. Da equipa do colégio saltou para o Benfica. Pela mão de Cosme Damião. Jogou futebol, fez atletismo, ganhou campeonatos de luta greco-romana. Fundou o Casa Pia AC em 1919 – e como seu capitão ganhou o Campeonato de Lisboa ao Sporting, ao Benfica e ao Belenenses. Cedo começou a ser também um homem dos jornais. Para além de funcionário superior dos Correios para onde entrara com 19 anos, era repórter de O Século. Usaram-lhe a reportagem para atacar a democracia, demitiu-se... Em Abril de 1925, mandaram-no fazer a cobertura das ações de preparação e de estratégia das tropas governamentais. Foi e fez o trabalho. Espantou-se que a reportagem tenha ficado no tinteiro – e alguns meses depois indignou-se, ao perceber que as informações que recolhera tinham sido transmitidas em pormenor aos revoltosos que a partir de Braga fizeram o 28 de Maio, o 28 de Maio de 1926 que acabou mesmo com a I República, colocou Portugal sob Ditadura Militar, a caminho do Estado Novo que Salazar haveria de criar através da Constituição de 1933. Por causa disso, como protesto pelo abuso, exclamando que não admitia que lhe tivessem transformado a profissão em espionagem (e pior que a sua peça fosse usada para conspirar contra a democracia, que era em si princípio sagrado, o haveria de levar, depois, ao suplício do Campo de Concentração do Tarrafal...) Cândido de Oliveira demitiu-se do Século - e ao sabê-lo, a empresa do Diário de Notícias deu-lhe a direção de Os Sports, o seu jornal desportivo... Garantia de Mário de Oliveira: foi Cândido quem desafiou o DN à Volta Numa edição de 1958 do Diário Ilustrado, Mário de Oliveira garantiu que foi Cândido de Oliveira quem desafiou Caetano Beirão da Veiga, administrador do DN, o DN que acabara de comprar Os Sports à Desportiva Gráfica a fazer uma Volta a Portugal em Bicicleta – e que como director de Os Sports lançou, ele mesmo, as suas bases. Aliás, o seu nome aparece nos primeiros documentos da Comissão Organizadora – e só não esteve no terreno porque entretanto deixou de ser director de Os Sports – foi trabalhar para a Stadium, passando a dedicar-se mais, também, ao cargo de selecionador nacional. Gil Moreira, na sua história do ciclismo, tem outra versão (mas errada, desmentida pelo próprio Raul de Oliveira como já se verá...): que a Volta nasceu de Raul de Oliveira, o Raul de Oliveira que em 1917 foi integrado no Regimento de Transmissões que partiu para a I Guerra Mundial. Dois anos depois mantinha-se em Arrás e pediu licença para acompanhar o Tour que renascia dos escombros, algumas das suas estrelas tinham sido mortas em combate. Regressou a Portugal, entrou para O Sport de Lisboa. Foi, pois, o próprio Raul de Oliveira quem o contou: - Um belo dia, o Banana – nome porque era conhecido um vendedor de jornais e lotarias – estava embaraçado com o jogo e resolveu deixar, na minha ausência, dois vigésimos da roda que estava prestes a andar. E aparecia-me, um pedaço depois, a anunciar, alvoraçado, que os ditos vigésimos estavam premiados com quatro contos. Na presença desse favor da fortuna, não me era possível ainda pensar na realização da Volta a Portugal. Mas – disse comigo – com este dinheiro vou promover a Volta a Lisboa. Não era tudo, mas seria como abrir o caminho para a grande organização... Em busca de trajeto para a Volta, Raul de Oliveira perdeu um braço por causa de uma estupidez... Ou seja, pode ter tido a ideia de uma Volta a Portugal na sua cabeça, mas não passou disso: de uma ideia na sua cabeça – a I Volta a Portugal, tendo como designação Circuito Ciclista de Portugal, quem a atirou à estrada foi de Cândido, o que Raul fez (e não foi pouco...) foi transformá-la no fenómeno em que ela se tornou... Em 1929, o DN deu-lhe a direção de Os Sports que Cândido de Oliveira deixara e Raul de Oliveira assumiu, nessa condição, a direção da Volta a Portugal, propagandeando-a através de um truque notável: a rivalidade entre Nicolau e Trindade, entre o Benfica e o Sporting – e 10 anos depois, numa visita a Braga, para escolher trajetos para a Volta sofreu acidente de automóvel que levou a que se lhe amputasse um braço. Na origem do desastre esteve derrapagem causada por areias que os responsáveis pelas estradas tinham decidido colocar nas curvas mais perigosas – como forma de levar os condutores a velocidades menores. Era um disparate, um disparate trágico – e Os Sports, acusando a junta das estradas de negligência, abriu feroz campanha contra a peregrina ideia e não tardou a que se soltasse dos caminhos... ...

PORTUGUESES

EMIGRANTES

«EM MOÇAMBIQUE NÓS PODEMOS SONHAR...» - JOSÉ FERNANDO TAVARES . José Fernando Tavares é presidente, treinador e dirigente no Futebol Clube da Beira, da segunda divisão moçambicana. E se mais funções houvesse mais José faria. O protejo está a ser desenvolvido, principalmente, a pensar na formação dos jovens da cidade da Beira e a tentar retirar o máximo de miúdos da rua. A pobreza do país mistura-se com a beleza natural das praias e com a bondade genuína das pessoas. Na verdade, aquilo que levou José ao primeiro país estrangeiro que conheceu, com 40 anos, não foi só o futebol, mas a empresa de construção civil de que é proprietário. Há três anos na antiga colónia portuguesa admite que «os moçambicanos vivem o hoje e o futuro a Deus pertence», e que os portugueses vivem demais o amanhã. «Quem quiser viver mais livre tem de conhecer Moçambique», aconselha. O senhor do futebol da Beira nasceu em Vila Nova de Gaia e apaixonou-se pela vida que escolheu além-fronteiras. Os miúdos da rua já lhe chamam de «pai», mas regressar é uma ambição que está sempre no horizonte. O projeto da formação que ainda anda com ‘a casa às costas’ O projeto que José agarrou no início de 2013, cinco meses após ter emigrado, passa por muitas dificuldades, também inerentes ao nível de vida do país. A prioridade é, antes de mais, construir um campo onde os jogadores possam treinar, uma vez que, neste momento, o clube teve de alugar um espaço na Universidade Católica. José assumirá os custos que o campo, balneários e infraestruturas acarretarão e agora só espera que o Município aprove um terreno para dar início às obras. Este projeto para além da vertente técnica tem ainda uma vertente social: a Taça da Alimentação, da Saúde, da Cidadania, do Ambiente e das Interprovinciais fazem parte do plano que José Fernando se prepara para apresentar e que aguarda pelo interesse de investidores. José Fernando na pré-época e Caló durante a temporada Inicialmente, Moçambique era sinónimo de trabalho, mas a vontade de continuar ligado ao futebol sempre se manteve. Em Portugal, foi treinador principal do Sporting Clube Vista Alegre e do Gafanha D’Aquem, de Aveiro, ambos da divisão Distrital. O primeiro convite em Moçambique adivinhava-se um sonho. José até fez a pré-época no Têxtil de Pungué, equipa que à época militava na Moçambola, contudo, devido a um problema nas equivalências - o curso de 2.º nível de treinador não foi reconhecido - José foi substituído por Carlos Manuel, mais conhecido por Caló – atual treinador do Ferroviário de Maputo. «Em Moçambique nós podemos sonhar...» «O futebol em Moçambique é como o futebol de há 40 anos atrás em Portugal», e é por isso que Tavares reconhece que ainda há muita margem para crescer. «Aqui há futuro... Em Moçambique nós podemos sonhar.» Com o 3.º nível de treinador, tirado no país africano, o empresário de 43 anos sublinhou que quem trabalhar com paixão e entrega consegue destacar-se e marcar pela diferença. Três anos e já se notam melhorias... Alugar uma casa na Beira pode custar 1000 euros e o ordenado mínimo é de cerca de 110. «Há muita pobreza e muita gente a dormir em casas improvisadas onde chove lá dentro», testemunhou José. O que mais o impressionou quando chegou à Beira foi o estado em que encontrou as ruas, os jardins e espaços de lazer da cidade, mas Tavares afirma que desde então as melhorias são visíveis, uma vez que «o Município da Beira tem vindo a fazer um excelente trabalho» no aperfeiçoamento da qualidade de vida dos habitantes. «Tenho pena que os governantes portugueses maltratem Portugal, porque as nossas condições de vida, trabalho e futebol são fantásticas», comparou. Com um pé em Portugal...outro em Moçambique No futuro, nas previsões de José daqui a seis anos, o sonho é voltar para a pátria lusa e formar uma equipa satélite que estabeleça um câmbio entre Portugal e o Futebol Clube da Beira. «Quero criar uma imagem o mais positiva possível e continuar ligado a Moçambique!», rematou. ...
ARI OLIVEIRA, OS SONHOS DO ASPIRANTE A JORNALISTA DE ALVALADE A LUANDA. A história de Ariclene Assunção Oliveira é prova de que a vida por vezes dá voltas que nem sempre esperamos. Algumas agradáveis surpresas, outras nem tanto. A de Ari é especial. Nasceu em Angola mas foi em Portugal que cresceu como homem e jogador profissional de futebol. Deixou as raízes para trás aos cinco anos devido aos tempos difíceis que se viviam em Angola. A sua mãe entendeu que o melhor para ele seria rumar a território português para poder ter um crescimento sustentado ao lado de uma tia que estava disponível para o receber. E assim foi em Salvaterra de Magos, município de Santarém. Longe de imaginar o que o futuro lhe reservava. Começou por fazer um percurso igual a tantas outras crianças ao conciliar os estudos com o futebol no clube da ‘terra’. Aos oito anos o Salvaterrense participou num torneio local em que estavam olheiros do Sporting e um menino do lado esquerdo da defesa despertou particular interesse a Aurélio Pereira. No final da competição, o responsável máximo do departamento de prospeção da equipa de Alvalade pediu os dados de Ari. Primeiro sonho cumprido. Apesar do nervosismo dos treinos de captação, Ari confirmou as credenciais num universo de cerca de 50 jovens jogadores que procuravam agarrar ali uma oportunidade nas escolas do Sporting. Por lá ficou dos oito aos 18. Precisamente dez anos. «Foram anos incríveis. Terminei a minha passagem em Alvalade sagrando-me campeão Nacional de Juniores. Antes disso também fui ainda campeão de escolinhas, iniciados, campeão distrital, onde era o capitão dessa equipa», começa por recordar Ari Oliveira, de 22 anos, a A BOLA. «O Nacional de Juniores foi o título mais importante a nível de formação», reforça o lateral esquerdo luso-angolano que alinhava ao lado de nomes como William Carvalho (Sporting), Luís Ribeiro (Sporting), Amido Baldé, Nuno Reis (Metz, França), Renato Neto (Gent, Bélgica) e Cédric Soares (Southampton, Inglaterra). Em Coimbra para jogar na Académica e estudar... Jornalismo! Após dez anos na Academia do Sporting, Ariclene decidiu dar um novo rumo à carreira. O desejo de jogar mais do que no primeiro ano de juniores foi um dos principais motivos, mas a verdade é que os...estudos também foram importantes para esta tomada de decisão. Confessa que foi sempre «muito dedicado aos estudos» e então nesse ano concorreu para várias universidades do país e entrou em Coimbra. Curso? Jornalismo. «Desde os tempos do ensino secundário que senti esse interesse pelo jornalismo tendo em conta o gosto pela comunicação, leitura e escrita. Reuni-me, então, com os meus familiares e com o Sporting e concordámos que a melhor opção era seguir para Coimbra». A nível desportivo a experiência começou por correr bem mas infelizmente uma lesão grave no perónio impossibilitou-o de terminar a época e de concretizar o objetivo de ascender aos seniores dos estudantes. Chegou a ponderar desistir e concentrar-se exclusivamente na universidade, contudo, o sonho falou mais alto. «Nasci com o futebol no sangue. É a minha paixão. Os médicos transmitiram-me confiança de que voltaria a jogar e fui atrás do meu sonho de criança», diz num tom emocionado. Ponto prévio: não foi fácil. (Re)começou no Sporting de Pombal, que na altura competia na 3.ª divisão, e mentalizou-se que tinha de dar o máximo para voltar a subir. Futebol mais físico contra uma força de vontade tremenda. Três meses foram suficientes para provar a todos, principalmente a ele próprio, que era capaz de voltar ao que era. É verdade, o telefone tocou e o indicativo apontava para um número...angolano. Do outro lado estava o diretor-geral do recém-campeão Recreativo do Libolo, Bruno Vicente, que o acompanhava e conhecia desde os tempos dos juvenis do Sporting. Regresso a Angola para perto da mãe...e do pai com quem não tinha contacto há 15 anos Segundo sonho cumprido. A notícia a dar conta da hipótese de regressar a Angola para prosseguir a carreira foi recebida com entusiasmo por Escolástica. Tinha finalmente a possibilidade de ficar mais próxima do filho. Ari estava igualmente feliz mas sabia de antemão que tinha mais uma vez de deixar muita coisa para trás. «Não foi fácil. Ia deixar de viver em Portugal onde estive 14 anos e a faculdade em Coimbra. Contudo tinha uma grande ambição de chegar a um clube que tinha acabado de se sagrar campeão e que iria disputar a Liga dos Campeões Africanos», sublinha o lateral. A adaptação correu bem, não sentindo grandes dificuldades no que toca ao aspeto cultural. Admite que existem «jogadores com qualidade técnica» mas não esconde que «a maioria das equipas prima pela força». Já os adeptos são «animados, exigentes e vibram a cada jogada durante os 90 minutos». A viagem de regresso a Angola trouxe-lhe ainda uma agradável surpresa. Daquelas inesperadas. O pai, com quem tinha perdido o contacto aos cinco anos, voltou a ser uma realidade na sua vida. «Sempre tive uma ligação muito forte com a minha mãe. Apesar da distância, mantivemos sempre contacto diário e ela sempre me apoiou. Infelizmente com o meu pai não se passou o mesmo. Perdi o contacto com ele aos cinco anos e só quando regressei a Angola é que voltei a falar com ele e a vê-lo. Admito que foi algo difícil de digerir, a ausência, mas agora temos falado mais e há que recuperar o tempo perdido», garante sem ressentimentos e feliz pelo desfecho. Anos históricos no Rec. Libolo e passagem para Luanda para representar o Petro Dois anos «fantásticos» no Recreativo de Libolo ficaram eternizados na conquista do título em 2012 e na viagem entre Tanzânia, África do Sul, Camarões, Sudão e Nigéria para jogar a Liga dos Campeões Africanos, competição onde a equipa do Calulo acabaria mesmo por fazer história. «Devido ao ranking, o campeão de Angola tem que passar cerca de três a quatro eliminatórias para depois chegar à fase de grupos. Há dez anos que nenhuma equipa angolana o conseguia e nós fizemos esse feito. Tive a felicidade de participar em todos esses jogos», refere Ari. Finda a experiência em Libolo seguiu-se a passagem para Luanda para representar o histórico Petro, clube com mais títulos de campeão no seu palmarés (15). O convite partiu do vice-presidente dos petrolíferos que conseguiu convencer o lateral esquerdo. E já lá vão dois anos com a nova camisola. «No primeiro ano foi a adaptação a um novo clube, novos colegas e nova realidade. Tentei integrar-me ao máximo. Neste segundo ano, já mais adaptado, as coisas estavam a correr-me bem, tinha feito todos os jogos até surgir uma lesão que me obrigou a ser operado em Portugal. Mas já estou na fase de recuperação e espero voltar rapidamente aos relvados.» Regressar a Portugal e o Jornalismo que continua bem vivo em...Angola Ariclene Oliveira tem planos para o futuro, mas prefere apontar baterias para o presente e na recuperação que «é o mais importante neste momento». Demonstra uma enorme vontade de vencer. Aos 22 anos não tem medo de voar e gostava de voltar a Portugal ou para a Europa. Afinal esse é o sonho de todos os jovens... «O futuro é sempre incerto. Quem está no futebol sabe que a qualquer momento se pode mudar de rumo. Como qualquer jovem que joga em Angola, gostaria de um dia dar o salto para um campeonato europeu, seja em Portugal ou noutro», admite sem esquecer a outra atividade muito importante para si: os estudos! «Neste momento tenho dado continuidade aos estudos em Luanda. Não se pode parar.» Terceiro sonho por cumprir. Chegar aos Palancas Negras é um dos objetivos, leia-se sonhos, que Ari tem por cumprir. Já representou os sub-17 e os sub-23 mas falta a cereja no topo do bolo. Convicto das suas capacidades, garante que vai lutar até ao fim para que esse dia chegue: «Com trabalho e dedicação sei que posso lá chegar!», frisa. O bom de ser português e angolano! Pergunta difícil para término de conversa. Sente-se mais português ou angolano? «Sinto que tenho um bocado dos dois. Sangue angolano. Cresci em Portugal. Adoro os dois países e sinto-me em casa estando num ou noutro!», remata. ...
MARC DOS SANTOS, O PROFESSOR SCOLARI E O RECORDE BATIDO NO CANADÁ. Marc dos Santos é um treinador em alta, no Canadá. A sua equipa, o Ottawa Fury, que luta pelo título da NASL (North América Soccer League) bateu um recorde de 43 anos ao conseguir estar 648 minutos sem sofrer golos e seis jogos consecutivos com as redes invioladas. Um feito que começa no guarda-redes, o bem conhecido Peiser, francês que jogou na Naval e Académica. Mas quem é Marc dos Santos? Luso-canadiano, o treinador nasceu em Montreal há 38 anos, filho de pais portugueses. Aos nove passou a viver com os pais em Aveiro a durante a juventude jogou futebol federado no Gafanha da Nazaré. Aos 24 regressou ao Canadá e aos 25 tomou a decisão que iria mudar a sua vida: ser treinador de futebol, por influência do pai que também desempenhou essas funções em alguns clubes canadianos. Marc dos Santos deu os primeiros passos de treinador no Montreal Impact, onde causou... impacto ao vencer, na estreia, o United Soccer League. Depois, foi para o Brasil e comandou a equipa de sub-15 do Palmeiras no histórico título nacional da categoria. Foi aí que conheceu Scolari (quando este treinava a equipa principal), com que fez o primeiro estágio profissional e de quem bebeu bastante. Marc dos Santos continuou a estudar, tirou o nível IV da UEFA e fez um estágio no Boavista e Beira Mar. Grande aprendizagem também na formação do FC Porto. «Aprendi bastante com o professor Ilídio Vale, foi muito útil para mim», junta o treinador. Regressado ao Canadá, aceitou o convite para treinar o Ottawa Fury e procura mais um troféu para a ainda curta carreira. Ter Grobbelaar por adjunto «Este é um clube recente, está a cumprir a segunda época. Mas é um bom clube, com condições excelentes de trabalho», conta Marc dos Santos. Que tem na equipa técnica, como treinador de guarda-redes, um nome bem conhecido dos amantes do futebol: Bruce Grobbelaar. Esse mesmo, guarda-redes do Liverpool durante 13 anos, seis vezes campeão inglês, três taças de Inglaterra, três taças da Liga e... uma Taça dos Campeões Europeus. E... temperamental. «Trabalhar com o Grobbelaar é um prazer. Uma pessoa muito positiva, sempre otimista. E o que as pessoas chamavam de feitio difícil ou temperamental, eu chamo de honestidade a toda a prova, frontalidade, sem medo de dizer o que pensa», comenta Marc dos Santos. O irmão Phillip dos Santos é também adjunto. Como jogador passou por equipas modestas de Portugal e Moçambique, mas apostou também na carreira de treinador. Canadiano ou português? Camo se considera Marc dos Santos? Mais canadiano ou português? «Sou luso-canadiano. Nasci no Canadá, mas os meus pais são portugueses e Portugal marcou-me numa fase decisiva das nossas vidas, a infância, adolescência e juventude. Cresci em Portugal, estudei em Portugal, fiz muitos amigos em Portugal, sou português», conta. Do Canadá, Marc dos Santos enaltece a «enorme qualidade de vida». E, no que ao desporto diz respeito, a «organização e profissionalismo». «As pessoas na Europa ainda não perceberam bem a dimensão do desporto na América do Norte. Se vissem as nossas condições de trabalho e organização ficariam de boca aberta. Aqui, quando se aposta é a sério, como deve ser», junta, reconhecendo que «o hóquei no gelo é o desporto mais popular no Canadá, embora o futebol esteja a ganhar o seu espaço». De Portugal elege «o clima, as pessoas, as raízes» e, mais do que qualquer coisa... «a comida». «Sempre que me perguntam do que mais sinto falta de Portugal nem hesito: a comida», conta. E treinar em Portugal? «Se aparecesse uma boa oportunidade, num clube bom, pensaria nisso a sério. Mas já estou num grande marcado, com bons clubes e projetos, tenho aqui um Mundo onde também posso fazer uma carreira com sucesso», conclui. ...
CLÁUDIA NETO, RECORDISTA DA CHAMPIONS NA TERRA DO SOL DA MEIA-NOITE. Aos 27 anos, Cláudia Neto é já uma das principais embaixadoras do futebol feminino português além-fronteiras. Com 111 internacionalizações em todas as Seleções Nacionais – 79 das quais na equipa principal - a média deixou solo luso em 2007 para representar o Prainsa Zaragoza, de Espanha, onde esteve durante cinco anos, seguindo-se uma temporada em Barcelona, ao serviço do Espanhol. Na última época, foi a primeira portuguesa a marcar presença nos quartos-de-final da Liga dos Campeões feminina, ao serviço do Linkoping (Suécia), onde se encontra desde 2014. Em Portugal, curiosamente... nunca jogou futebol. «Comecei a jogar futsal no União de Lagos, clube da minha cidade. Pratiquei a modalidade durante sete anos, uma vez que naquela altura ainda não havia futebol de 11 no Algarve», conta a A BOLA Cláudia Neto, que alternava as partidas de futsal com as chamadas à Seleção sub-19. «Quando comecei a ser chamada à Seleção principal tornou-se difícil conciliar o futsal com o futebol. Foi então que decidi mudar. Comecei a gostar cada vez mais de futebol, já não tinha dúvidas do que queria. Só esperei que a oportunidade surgisse», revela. A passagem por Espanha E a oportunidade surgiu em 2007, altura em que recebeu uma proposta para jogar no país vizinho. «Entraram em contacto comigo a dizer que estavam interessados, fizeram-me uma proposta e chegámos a acordo. Acabei por lá ficar cinco anos. Devo ao Prainsa Zaragoza muito da minha formação como jogadora», afirma a internacional lusa, que ainda teve oportunidade de representar o Espanhol em 2013/2014. Mesmo sem nunca ter jogado num clube português, Cláudia reconhece que o campeonato espanhol, sendo semi-profissional, «é bastante mais competitivo do que o português». «Há mais apoio e oferta de melhores condições de trabalho às jogadoras. Sempre tive como objetivo jogar no estrangeiro, em Portugal não tinha as condições que precisava para poder evoluir como jogadora, sendo que os clubes são amadores...», explica. Da passagem por Espanha, a jogadora de 27 anos só recorda o melhor. «Em termos desportivos, conseguimos um 4.º lugar no campeonato e três presenças na final da Copa de la Reina, o que foi muito bom. Além disso, fiz grandes amizades e evoluí muito como futebolista», recorda. O sonho da Champions Linkoping, cidade de 90 mil habitantes situada no sul da Suécia, foi a paragem seguinte (e a última até agora) no percurso de Cláudia Neto. «Chegar a um clube como o Linkoping sempre foi um dos meus grandes objetivos. A liga sueca feminina é profissional, como tal, as jogadoras podem viver do futebol e manter um bom nível de vida», revela a camisola sete da Seleção. Ao serviço do emblema escandinavo, Cláudia já conquistou uma Taça da Suécia, no ano passado, e uma presença inédita nos quartos de final da Liga dos Campeões. «É um motivo de enorme orgulho. Trabalho todos os dias para conseguir atingir os meus objetivos e ter chegado aos quartos de final foi a recompensa perfeita por todo o meu esforço. Podíamos ter chegado às meias finais mas infelizmente fomos eliminadas pelo Brondby, da Dinamarca. Ainda assim, foi uma experiência inesquecível», exulta. A cumprir a segunda época no Linkoping - o campeonato sueco decorre entre abril e outubro - a internacional portuguesa faz um balanço positivo da experiência: «A minha adaptação ao clube não foi muito difícil. Consegui logo conquistar o meu espaço na equipa e até agora tenho disputado quase todos os jogos a titular. É um futebol mais rápido e vertical, diferente do que praticava em Espanha, que é mais à base da técnica e da força.» Suécia, terra onde o sol brilha à meia-noite Sendo Cláudia uma algarvia de gema, não será muito difícil adivinhar um dos principais obstáculos que a jogadora teve de enfrentar à chegada à Suécia. «O inverno aqui é muito duro, com temperaturas na ordem dos seis, sete graus negativos... Acho que foi o que mais me custou, principalmente durante os treinos. Felizmente as casas estão preparadas para isso, em casa ando sempre de t-shirt e calções», revela. Quase tão desafiante como as temperaturas gélidas foi a adaptação aos horários das refeições. Assim como aos dias pequeninos. «Fez-me confusão o facto de anoitecer muito cedo no inverno. Às 15 horas já é noite. É horrível, vive-se meses e meses na escuridão. No verão já é ao contrário, está quase sempre de dia», começa por explicar a atleta. «Além disso, os suecos comem muito cedo. O almoço aqui é por volta das 11.30 horas e o jantar as 17.30 /18 horas. Foi algo a que tive de me habituar», acrescenta. Forte apoio ao futebol feminino Cláudia Neto, que trocou o calor dos países mediterrânicos pelo frio da Escandinávia, revela ter ficado surpreendida com o apoio que é dado à prática da modalidade no feminino. «Aqui homens e mulheres são tratados por igual. Há um grande apoio ao futebol feminino, somos tratadas como profissionais e não nos falta nada. É um povo muito frio, sim, muito diferente dos espanhóis ou portugueses. São muito distantes e fechados, mas ajudam-nos sempre no que puderem», explica a internacional lusa. A escassa proximidade do povo escandinavo está bem patente na forma como os treinos no Linkoping são dados: «Tanto o treinador como as jogadoras falam sempre em sueco. Só falam comigo em inglês quando querem traduzir algo importante. De resto... tudo em sueco.» Futuro não passa por Portugal Cláudia, que tem contrato com o clube até outubro, ainda não sabe o que o futuro lhe reserva em termos profissionais. Mas admite que o caminho não passa por Portugal. «Não está nos meus planos regressar. Gostava muito, sim, de poder participar numa fase final de um Europeu ou Mundial com a Seleção. E conseguir mais títulos na liga sueca», remata. ...
 

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