TERÇA-FEIRA, 28-06-2016, ANO 17, N.º 5995
Jardel perdeu voo de regresso
Benfica Jardel está ausente do primeiro dia de pré-época do Benfica, destinado a testes médicos. O defesa brasileiro, segundo foi explicado, perdeu o voo de regresso do seu país.
André Gomes e Raphael Guerreiro ainda no ginásio
Seleção Pelo segundo dia consecutivo, André Gomes e Raphael Guerreiro voltaram a estar ausentes dos trabalhos no relvado da Seleção Nacional, que prepara a partida de quinta-feira com a Polónia para os quarto
«Pode ser que seja a minha melhor fase na Seleção» – Nani
Seleção O internacional português Nani, que já leva dois golos em quatro jogos, admitiu que atravessa o melhor momento ao serviço da Seleção Nacional. «Sinto-me bem e estou a ajudar Portugal. Pode ser que
Leões denunciam tentativa de enfraquecimento no mercado
Sporting Em comunicado, o Sporting denunciou uma «estratégia de tentativa de enfraquecimento» da posição do clube no mercado de transferências e esclareceu que, apesar de não estar vendedor dos principais ativ
Belgas colocam Carcela na porta de saída
Benfica A Imprensa belga está a dar conta da possibilidade de Mehdi Carcela deixar o Benfica neste mercado de transferências. Segundo o site `Voetbal.24´, a SAD encarnada está disponível para negociar a ve
Programa dos quartos de final
Euro - 2016 Ficou esta segunda-feira definido o programa dos quartos de final do Europeu de 2016, cujo primeiro jogo, entre Polónia e Portugal, está marcado para a próxima quinta-feira, dia 30 de junho, em Marsel
«Defrontar a França em Paris será um desafio tremendo» - Lars Lagerback
Islândia Para o treinador sueco da Islândia, Lars Lagerback, defrontar a França nos quartos de final do Euro-2016, no Estádio de França, no próximo domingo, será um desafio ainda maior do que «ter enfrentado e
Jogo com Sheffield Wednesday em Hillsborough
Benfica O Sheffield Wednesday, clube inglês cuja equipa principal é orientada pelo treinador português Carlos Carvalhal, anunciou, esta segunda-feira, um jogo de preparação com o Benfica, a 20 de julho, no es
«Falhámos como equipa» - Joe Hart
Inglaterra Joe Hart era o rosto da desilusão inglesa com a eliminação nos oitavos de final do Euro-2016 imposta pela Islândia. «Falhámos como equipa. Sabíamos do que a Islândia é capaz mas não estivemos à alt
Federação aceita demissão de Hodgson
Inglaterra A Federação Inglesa de Futebol aceitou o pedido de demissão de Roy Hodgson na sequência da eliminação da seleção inglesa do Euro-2016. «Como nação estamos muito desiludidos por perder esta noite e
«No sofá, a comer batatas fritas, é fácil falar» - Sergio Ramos
Espanha Na qualidade de capitão, Sergio Ramos deu o peito `às balas´ na sequência da eliminação de Espanha nos oitavos de final do Euro-2016 às mãos de Itália. «Não sei se é a altura de apostar numa nova g
«Agora nada nos pode parar» - Hallgrimsson
Islândia Heimir Hallgrimsson, treinador-adjunto da seleção da Islândia, considera que, depois de eliminada a poderosa Inglaterra, nada deve tirar o sono à equipa-sensação do Euro-2016. É caso para dizer, que v
Roy Hodgson anuncia demissão
Inglaterra Roy Hodgson anunciou a demissão de selecionador de Inglaterra na sequência da derrota (1-2) com a Islândia e consequente eliminação do Euro-2016. «Adoraria ficar os dois anos que restam [de contrat
Perto de cinco dezenas de jogadores em risco de suspensão
Euro - 2016 Concluídos os oitavos de final do Euro-2016, são 45 os jogadores que partem em risco de suspensão para os compromissos das respetivas seleções nos quartos de final da competição que decorre em França.
Sampaoli confirmado por dois anos
Sevilha O Sevilha oficializou esta segunda-feira a contratação de Jorge Sampaoli para as duas próximas temporadas. Aos 56 anos, o treinador argentino, ex-selecionador do Chile, abraça assim o primeiro desa
Islândia vence Inglaterra (2-1) e defronta França nos quartos de final
Euro - 2016 A Islândia venceu esta segunda-feira a Inglaterra, por 2-1, em Nice, e marcou encontro com a França nos quartos de final do Euro-2016. Rooney (4), de grande penalidade, deu vantagem aos ingleses, pert
Benfica de Macau aponta à Champions da Ásia
Macau O Benfica de Macau, tricampeão, quer garantir passagem no play-off para carimbar presença na fase regular Taça AFC, a Champions da Ásia. Será a segunda vez que as águias participam na fase de qualific
Pescara com direito de opção por Cristante
Benfica O Pescara oficializou esta segunda-feira a contratação de Bryan Cristante até final da época, por empréstimo do Benfica. No site oficial, o clube recém-promovido à Serie A anunciou que o acordo com
Puyol deixa mensagem de ânimo a Messi
Argentina Lionel Messi anunciou esta segunda-feira o adeus à seleção argentina, depois de ter perdido a final da Copa América diante do Chile, e as mensagens de apoio ao craque do Barcelona não têm faltado.
Primeiro dia dedicado a exames médicos
Sporting Os jogadores do Sporting que esta segunda-feira `picaram o ponto´ em Alvalade foram submetidos aos tradicionais exames médicos que marcam o início dos trabalhos de pré-época, e que se prolongam, de fo
«Esta seleção não tem o nível de 2010 ou de 2012» - Piqué
Espanha A seleção espanhola disse hoje adeus ao Euro 2016, depois de ter sido eliminada pela Itália por 0-2, e Piqué justifica a derrota com o nível de qualidade dos jogadores, que diz não ser o mesmo das sel
Miguel Palha assina pelo Titus Petange
Luxemburgo Miguel Palha, guarda-redes de 21 anos, ex-Vitória de Guimarães, internacional pelos escalões jovens de Portugal, assinou contrato de uma época com o Titus Petange, clube da primeira Liga do Luxemburgo
Águias regressam ao trabalho esta terça-feira
Benfica O plantel do Benfica dá esta terça-feira o pontapé de saída na pré-época 2016/2017. O regresso está marcado para as 9 horas, no Caixa Futebol Campus, no Seixal, local onde as águias vão trabalhar até
Final do campeonato de basquetebol adiada para o próximo fim de semana
São Tomé e Príncipe Agendada para a tarde do passado domingo, às 15.00 horas locais, no parque do Ex-Snécia, a final do campeonato nacional de basquetebol sénior masculino, entre Desportivo e Kotas, foi adiada devido ao
Federer com vitória suada na estreia em Wimbledon
Ténis Roger Federer teve de `puxar dos galões´ para lograr a qualificação para a segunda ronda do torneio de Wimbledon. O suíço, número três mundial, foi forçado a dois `tie-breaks´ no encontro com o arg
«É muito difícil jogar com a Espanha, mas soubemos contrariar o seu jogo» - Chiellini
Itália Giorgio Chiellini, autor do primeiro golo italiano no jogo frente à Espanha (2-0), mostrou-se feliz pelo resultado obitdo e por terem vencido um jogo «muito difícil». «É muito difícil jogar com a E
Mourinho pode `roubar´ médio a Vítor Pereira
Manchester United José Mourinho estará interessado na contratação de Ozan Tufan, médio de 21 anos orientado por Vítor Pereira no Fenerbahçe, para o Manchester United. Relatos oriundos da Turquia, veiculados pelo diá
«Jogámos com grande sacrifício e merecemos passar» - Bonucci
Itália O defesa italiano Leonardo Bonucci, eleito o melhor em campo na vitória frente à Espanha (2-0), mostrou-se muito satisfeito com o resultado e afirmou que a seleção italiana precisa de «ter sempre esta
Paulo Mendes é o novo treinador
Oriental Paulo Mendes, 50 anos, é o novo treinador do Oriental, que na temporada 2016/2017 vai competir no Campeonato de Portugal. O treinador assinou vínculo contratual válido por uma época e assume que o

classificações

Liga
Liga 2
34. ª jornada
classificação
46. ª jornada
classificação
14-05
FC Porto
11:45
Boavista
Sport TV1
14-05
Arouca
18:00
V. Guimarães
14-05
Belenenses
19:30
Estoril
Sport TV1
14-05
V. Setúbal
19:30
P. Ferreira
Sport TV2
14-05
Tondela
19:30
Académica
Sport TV4
14-05
União
19:30
Rio Ave
Sport TV3
15-05
Moreirense
15:00
Marítimo
15-05
Benfica
17:00
Nacional
BTV1
15-05
SC Braga
17:00
Sporting
Sport TV1
13-05
V. Guimarães B
20:00
Porto B
14-05
Atlético
15:00
Oriental
14-05
Aves
15:00
Mafra
14-05
Benfica B
15:00
Freamunde
BTV1
14-05
Chaves
15:00
Feirense
Sport TV1
14-05
Gil Vicente
15:00
Farense
14-05
Oliveirense
15:00
Leixões
14-05
Varzim
15:00
Portimonense
Sport TV2
14-05
Académico
15:00
Covilhã
14-05
Penafiel
16:00
Famalicão
14-05
Braga B
16:00
Sporting B
14-05
Olhanense
16:00
Santa Clara
J
V
E
D
G
P
1
Benfica
34
29
1
4
88-22
88
2
Sporting
34
27
5
2
79-21
86
3
FC Porto
34
23
4
7
67-30
73
4
SC Braga
34
16
10
8
54-35
58
5
Arouca
34
13
15
6
47-38
54
6
Rio Ave
34
14
8
12
44-44
50
7
P. Ferreira
34
13
10
11
43-42
49
8
Estoril
34
13
8
13
40-41
47
9
Belenenses
34
10
11
13
44-66
41
10
V. Guimarães
34
9
13
12
45-53
40
11
Nacional
34
10
8
16
40-56
38
12
Moreirense
34
9
9
16
38-54
36
13
Marítimo
34
10
5
19
45-63
35
14
Boavista
34
8
9
17
24-41
33
15
V. Setúbal
34
6
12
16
40-61
30
16
Tondela
34
8
6
20
34-54
30
17
União
34
7
8
19
27-50
29
18
Académica
34
5
10
19
32-60
25

Ver classificação detalhada
J
V
E
D
G
P
1
Porto B
46
26
8
12
84-52
86
2
Chaves
46
21
18
7
60-39
81
3
Feirense
46
21
15
10
55-38
78
4
Portimonense
46
20
18
8
57-45
78
5
Freamunde
46
20
14
12
52-36
74
6
Famalicão
46
18
18
10
64-51
72
7
Olhanense
46
19
12
15
42-39
69
8
Aves
46
19
10
17
58-48
67
9
Varzim
46
17
14
15
51-48
65
10
Sporting B
46
18
11
17
61-59
65
11
Gil Vicente
46
16
14
16
58-56
62
12
Penafiel
46
13
22
11
49-46
61
13
V. Guimarães B
46
16
12
18
60-67
60
14
Covilhã
46
13
19
14
45-48
58
15
Braga B
46
15
12
19
47-54
57
16
Santa Clara
46
15
12
19
49-52
57
17
Académico
46
13
17
16
46-60
56
18
Leixões
46
14
13
19
45-56
55
19
Benfica B
46
15
10
21
58-64
55
20
Farense
46
15
11
20
49-56
54
21
Mafra
46
12
18
16
37-40
54
22
Atlético
46
12
15
19
49-56
51
23
Oriental
46
9
14
23
47-67
41
24
Oliveirense
46
6
11
29
42-89
29

Ver classificação detalhada
Crime? Baixar a cabeça ao hino e à bandeira da URSS…
Estrela de Diamante A eternidade arrebatou-a Vera Caslavska para lá das 11 medalhas olímpicas, 7 de ouro e 4 de prata que ganhou. Não, não foi só. Juntou-lhes 4 de ouro, 5 de prata e 1 de bronze em Campeonatos do Mundo e 11 de ouro, 1 de prata e 1 de bronze em Campeonatos da Europa. A eternidade arrebatou-a também por ter feito o que fez antes dos Jogos Olímpicos do México – que a obrigou a que os seus últimos treinos fossem, escondida, numa aldeola das montanhas a usar ramos de árvores como barras ou sacos de batatas como pesos. E arrebatou-a ainda por ter feito o que fez durante os Jogos Olímpicos do México: baixar a cabeça à bandeira da URSS numa das seis vezes em que foi ao pódio – e não, não foi apenas por sentir que lhe tinham roubado ainda mais ouro. Regressou a Praga, transformaram-na numa pária. Fizeram-lhe chantagens umas atrás de outras, a todas resistiu – e, depois, quando parecia que lhe tinham voltado de novo os tempos felizes, o filho matou o pai, ela afundou-se em depressão, passou por um hospital psiquiátrico, esteve 15 anos a viver em reclusão. De repente regressou à vida – e às grandes causas. Por exemplo, a última foi o ataque ao populismo e a xenofobia do seu próprio presidente da República… Vera Caslavska nasceu em Praga a 3 de maio de 1942. Cresceu dividida entre o balé e a patinagem no gelo e aos 10 anos saltou para a ginástica. Aos 16 já estava na equipa da Checoslováquia que saiu do Campeonato do Mundo, disputado em Moscovo, com a medalha de prata. Meses depois tornou-se campeã da Europa no solo. 11 MEDALHAS EM JOGOS OLÍMPICOS, 10 EM CAMPEONATOS DO MUNDO, 13 EM CAMPEONATOS DA EUROPA Pesava 55 quilos, media 1 metro e 60 – e em 1960 fez a sua estreia olímpica em Roma. Levou a Checoslováquia à medalha de prata por equipas, era, pois, sinal do que haveria de acontecer nos Jogos de Tóquio, quatro anos depois: ouro no concurso individual, batendo as soviéticas Larissa Latynina e Polina Astakhova - e ouro no salto e na trave. Ainda mais impressionante foi o que Vera fez nos Campeonatos da Europa de 1965: as cinco medalhas de ouro que havia em disputa, ganhou-as todas – repetindo a façanha na edição de 1967. Antes, ninguém o conseguira. (Pelo meio, no Mundial de Dortmund – mais três medalhas de ouro, uma delas no concurso individual, e duas de prata.) A CAMINHO DA PRIMAVERA DE PRAGA... Os meses anteriores foram de Praga a agitar-se. Ota Sik, liderou grupo de economistas que exigiram ao governo uma «economia socialista de mercado» - e a 31 de outubro de 1967 a polícia dispersou à força bruta de gás lacrimogénio e cassetete manifestação de estudantes contra as condições nas suas residências, aos primeiros sinais de protestos, cortaram-lhes água e luz. Escritores foram presos por contestação à Censura e por ataques ferozes à URSS. Antonín Novotny correu a Moscovo a pedir apoio à URSS, mas, ao regressar a Praga, na esperança de que, assim, pudesse acalmar as consciências e as ruas, o Comité Central do Partido Comunista da Checoslováquia destituiu-o, colocando Alexander Dubcek no seu lugar. Não tardou, passou à chefia do governo. Em fevereiro de 68 levantou a Censura, permitindo que se espicaçasses a discussão em torno das reformas económicas, da liberdade de opinião e do abandono do estalinismo, deixando ainda mais marcada a sua posição num famoso discurso na rádio em que largou a promessa: - … de construir na Checoslováquia uma sociedade socialista com rosto humano, profundamente democrática, socialmente justa e voltada para a modernidade. Era a Primavera de Praga a abrir-se – deixando no outro lado da cortina de ferro os líderes da URSS, da Hungria, da Polónia, da Bulgária e da RDA em fúria, censurando Dubcek pela sua «ousadia contrarrevolucionária». NO MANIFESTO DAS DUAS MIL PALAVRAS COM ZATOPEK... Destinado a «operários, camponeses, funcionários, artistas e a todos», em junho de 68, o escritor Ludvik Vaculik deitou ainda mais achas para a fogueira através do Manifesto das Duas Mil Palavras – não falava apenas dos «erros do socialismo», lançava ainda mais duras críticas ao Partido Comunista, reclamava ainda maiores reformas e liberdades. Num abrir e fechar de olhos, juntou mais de 10 mil assinaturas em seu apoio – e Vera Caslavska foi uma das suas ilustres subscritoras. Por essa altura, namorava com Josef Odlozil – que nos 1500 metros dos Jogos Olímpicos de Tóquio ganhara a medalha de prata, atrás do neozelandês Peter Snell e meses depois se tornara recordista europeu de 2000 metros. Odlozil era, então, tal como Émil Zatopek, capitão do exército – e fez o que Vera fez, também assinou o Manifesto das Duas Mil Palavras. OS TANQUES EM PRAGA, O GOVERNO DETIDO EM MOSCOVO... Numa reunião secreta do Pacto de Varsóvia, Walter Ulbricht, o presidente da RDA (que haveria de ser o mandante da construção do Muro de Berlim), defendera imediata intervenção armada para pôr fim à «rebelião de Praga», mas Leonid Brejnev, o presidente da URSS, achou que talvez fosse melhor esperar. Ao saber do Manifesto das Duas Mil Palavras correu, furioso, para o telefone – e exigiu a Dubcek que colocasse ponto final na «rebelião». Não colocou e na noite de 20 para 21 de agosto de 1968, tropas do Pacto de Varsóvia lançaram-se ao ataque. Paraquedistas soviéticos assaltaram a sede do Partido Comunista e levaram detidos para Moscovo os membros da sua direção – que também eram membros do governo. O povo saiu à rua em defesa da Primavera de Praga – e famoso se tornou a foto de um jovem a atirar-se, de camisa rasgada e peito descoberto, para a frente de um tanque soviético, em Bratislava. Em Praga, populares correram a virar os letreiros com os nomes das ruas para confundirem as colunas dos tanques que se dirigiam a pontos estratégicos da cidade. Foi tudo em vão… Os jornais e as rádios foram tomados pelos invasores – e, detido na URSS, Dubcek foi obrigado a assinar o Protocolo de Moscovo. Capitularam as reformas – e a Primavera de Praga virou inferno… COM ZATOPEK A CAMINHO DOS TRABALHOS FORÇADOS NA MINA... A polícia política entrou em reboliço, prendendo opositores – e um deles foi Emil Zatopek, que era, por essa altura, o mais famoso olímpico europeu vivo e não se limitara a assinar o Manifesto das Duas Mil Palavras – ou a condenar a invasão de Praga, exclamou: - A URSS deveria ser impedida da participar nos Jogos Olímpicos do México! Não tinha dúvidas sobre a consequência brutal do desabafo: - Uma semana mais tarde, chamaram-me ao Ministério da Defesa e expulsaram-me do exército. Por delito de opinião, fui sentenciado a trabalhos forçados numa mina de urânio. Ao escutar a pena, respirei fundo e disparei: se pensam que me humilham com isso, estão enganados! Um desportista não tem medo de pôr o corpo ao serviço do que seja e se calhar assim até vou ganhar mais do que a miséria que me pagavam como militar…...
Estilos e Espantos Se não reparou, já não vai reparar, que a Áustria já disse adeus ao Euro. Não, à primeira vista não parecia o Roger Spry do Vitória de Setúbal, do Sporting ou do FC Porto - mas sim era ele mesmo: o mais exótico preparador físico da história do futebol em Portugal. Agora de barbas, barbas esbranquiçadas, tal como o cabelo, mas o mesmo frenesim, os mesmos métodos mais ou menos bizarros. E sim é isso que aqui se recorda na véspera da Islândia jogar com a Inglaterra, a Islândia que trocou as voltas a Roger Spry... O futebol é uma paixão que se tem, ou não se tem, embora se possa aprender a apreciar. Mas as memórias, essas memórias que recordam as lendas do futebol, só os verdadeiros amantes as têm. Quando Figo, Balakov, Ivkovic, Cadete e outros, corriam incansavelmente à volta do campo. Mas aqui não lhe vamos contar a história desses jogadores, mas sim, a história do preparador físico, que na passagem por Portugal, revolucionou o futebol português, e principalmente, revolucionou a mentalidade desses jogadores. Não foi fácil, mais difícil ainda, foi perceber o que um tal de Roger Thomas Spry lhes gritava. No fim, acabavam aos pulos, a dançar e a fazer golpes de karaté em pleno relvado. UM INGLÊS QUE CAIU DE PARAQUEDAS EM PLENO SADO Nascido e criado em Inglaterra, Roger Spry, um homem feito, na casa dos 65 anos, despediu-se cedo de França, quando a Seleção da Áustria, onde desempenha o papel de preparador físico, acabou por cair aos pés da fogosa Islândia. E porque aqui lhe falamos de Spry? Não conseguiu travar os islandeses, o Heavy Metal não foi suficiente para acordar os austríacos, mas em Portugal, marcou uma geração de jogadores, fez amizade com influentes treinadores, e acabou por escrever o seu nome no futebol português. Não só se apaixonou por Portugal, como tem um lugar reservado no Sado, para quando abandonar a carreira... Roger Spry chegou ao Vitória de Setúbal em 1986 para acompanhar o treinador Malcolm Allison, o outro inglês extravagante que o futebol português teve. Jovem e astuto tentou mudar o futebol. Não se limitou a fazer os jogadores correrem à volta do campo – isso já eles sabiam – com Spry os treinos eram personalizados e não tinham que pagar mais por isso. Gabavam-lhe as pinturas de guerra que levava para os treinos, o rádio que sempre o acompanhava, onde punha os jogadores a dançar no aquecimento, sob a batuta do igualmente excêntrico Malcolm Allison. O AMIGO JOSÉ MOURINHO Com formação superior na área da condição física e um cinturão negro numa variante de Karaté, o treino também incluía golpes que mais pareciam de treinos de artes marciais. Mas não, era mesmo futebol, dizia ele. «Basicamente, ensinamos os jogadores a levar porrada e sorrir. O adversário fica a pensar: este gajo é maluco ou é o super-homem». Inglês de gema, Spry adaptou-se bem ao futebol português e à vizinhança: ficou hospedado nas margens do Sado durante três anos, tempo suficiente para ver nascer uma das suas filhas, «uma setubalense de gema». Depois da passagem pelo Vitória de Setúbal, Spry acabou por regressar a Inglaterra onde representou o Aston Villa. Mas Portugal ficou-lhe na memória, e mais cedo ou mais tarde, sabia que o regresso estava para breve. Até porque lá deixou um amigo, para muitos special one, para ele apenas José. No Vitória de Setúbal, Spry encontrou Félix Mourinho, que tinha sido por lá guarda-redes, e uma jovem promessa – o filho – mundialmente famoso – José Mourinho, que dividia os seus tempos entre o curso superior em Lisboa e os treinos do Vitória. NO SPORTING DEPOIS DA CHAMADA DE SOUSA CINTRA Em 1991, Spry mudou-se para o Sporting para trabalhar com Bobby Robson e Carlos Queiroz, depois de ter recebido uma chamada de Sousa Cintra. Foi ali, de leão ao peito que se cruzou com Figo, um dos jogadores que mais o marcaram enquanto esteve por terras lusas. «Ainda me lembro de ver Luís Figo a vomitar num treino, mas o sucesso é doloroso. Quando mais dor, melhor. Na altura, ele não gostou, mas cresceu bastante. Foi e é um dos melhores do Mundo. Fizemos compreender que ele tinha uma técnica incrível, mas que ia levar muita porrada na sua carreira. Ele aprendeu que sorrir depois de levar porrada é a melhor lição», revelou o inglês em entrevista ao Mais Futebol. PENTACAMPEONATO NA INVICTA De saída de Alvalade, seguiu-se uma passagem pelo Japão e, uma vez mais, o telefone voltou a tocar, com uma voz portuguesa do outro lado – era Pinto da Costa, e um convite para rumar ao FC Porto, onde Roger Spry trabalhou com António Oliveira e Fernando Santos. Durante o seu percurso na Invicta, assistiu ao crescimento de um mágico, conhecido como Deco. «Lembro-me do Deco, que era pequeno e fraco, foi por isso que não foi aproveitado pelo Benfica. Num jogo frente ao Salgueiros, percebemos o imenso valor que tinha. Então, quando chegou, trabalhei com ele diariamente, mas o tornar mais forte, como podemos comprovar agora», relembrou Spry, há tempos, em entrevista ao Mais Futebol. O plantel sofreu também alguns ajustes, face às saídas de Sérgio Conceição para a Lázio de Roma e mais tarde de Doriva, no mercado de Inverno, para a Sampdória, também de Itália. A época não sofreu fragilidades e começou em grande, com a vitória na supertaça frente ao Braga. Só à 14ª jornada, o FC Porto agarrou-se ao comando da classificação para não mais largar. A consagração fez-se nas Antas, frente ao Estrela da Amadora, em 30 de Maio de 1999. Milhares de portistas acorreram ao estádio para celebrar o feito histórico e único no futebol português - o Pentacampeonato. Com a saída de Fernando Santos do comando do F.C. Porto, Spry seguiu as pisadas do português para o AEK de Atenas. Depois, passou pelo Panathinaikos. Durante a estadia na Grécia, Spry colaborou com a Seleção Nacional, em vésperas do Euro2004. Nos últimos anos, Roger Spry tem dividido o seu tempo entre a Seleção da Áustria e o Celtic de Glasgow, por intermédio de Gordon Strachan. ...
Grande História Rakitic, Modric, Perisic… à primeira vista parecem nomes de medicamentos, mas não, são os senhores que deixarão tudo em campo para travar a tropa portuguesa na luta pelo título no Europeu. Depois de uma época de guerra, só mesmo o futebol para devolver à Croácia uma ambição sem precedentes, já prometida nas lágrimas de Darijo Srna, cujo cancro lhe roubou o pai. Um capitão como há poucos, que antes do futebol pensou em ser eletricista de profissão. Modric, por sua vez, o irmão de Ronaldo no Real Madrid, quis estudar hotelaria ou até ter um bar de praia, mas o seu passado como refugiado reservou-lhe outro destino, assim como ao compatriota Rakitic, rival em Espanha, no comando do Barça. Se não fosse jogador, tinha sido um mestre-de-obras. Um plantel de luxo, dominado por um treinador que além de nunca ter sido jogador, foi reparador de rádios e televisões numa pequena loja no centro de Zagreb… Uffffff… Já está! Depois de noventa minutos ligados à máquina, os portugueses conseguiram respirar de alívio e a Seleção Portuguesa segue invicta para mais um desafio. À sua espera está a Croácia, a Seleção que, sem vários dos habituais titulares, protagonizou um dos momentos mais surpreendestes do Euro de França, ao vencer a Espanha, a campeã europeia em título, e garantir o primeiro lugar do Grupo D. Portugal ficou atrás da Hungria e da Islândia, mas Ronaldo já mostrou que não está para brincadeiras, até porque conhece bem as manhas e manias de Modric e Rakitic. A Seleção da Croácia chegou ao Europeu para jogar futebol, mas mais que isso, sair da sombra daquela geração que, em 1998, foi terceira classificada no Mundial. A equipa que chegou ao pódio no Campeonato do Mundo realizado também em França tinha Suker, Boban e Prosinecki – que também faziam parte da Seleção que, dois anos antes, deu à Croácia a primeira presença numa competição internacional como Nação Independente. PORTUGAL: UM RIVAL JÁ CONHECIDO A geração de ouro dos anos noventa já lá vai, mas o plantel de luxo apresentado por Ante Cacic não lhe fica nada atrás… Recuando no tempo, o passado de Portugal contra os croatas até é vitorioso: três vitórias em outros tantos jogos, embora só um numa fase final. Foi na fase de grupos do Euro em 1996, quando a equipa de grandes jogadores como Suker, Prosinecki, Jarni, Asanovic ou Boban perdeu com a portuguesa (3-0), com golos de Figo, João V. Pinto e Domingos. Os outros dois confrontos foram particulares - em 2005 e 2013, com vitórias por 2-0 e 1-0. No primeiro destes marcaram Petit e Pauleta, no segundo... Ronaldo. Sábado a história vai continuar, numa estreia para a equipa das Quinas, no Estádio Bollaert-Delelis, em Lens - originalmente batizado de Félix Bollaert, construído por mineiros desempregados e que acolheu partidas do Europeu de 1984 e do Mundial de 1998, além de ter sido um dos palcos dos Campeonatos do Mundo de râguebi de 1999 e 2007. ...

PORTUGUESES

EMIGRANTES

FÁBIO ESPINHO: O DESEJO DE TRIUNFAR NO MÁLAGA APAGA A MÁGOA POR O QUE FALTOU CONQUISTAR EM PORTUGAL. Fábio Espinho chegou ao Málaga no início da temporada passada, depois de duas épocas de bom nível ao serviço do Ludogorets, clube no qual conquistou dois Campeonatos da Bulgária, uma Taça e brilhou nas competições europeias contra equipas como o Real Madrid e o Liverpool. A estreia na liga espanhola não foi a desejada, marcada pela escassa utilização, e o médio português acabou por sair no mercado de janeiro com destino a Moreira de Cónegos. «Como todos sabem, em Espanha não fui muito utilizado, por opção do treinador. Sempre estive habituado durante a minha carreira a jogar, senti que devia sair para ir em busca desses minutos que são importantes para mim. Sabia que o Moreirense podia dar-me isso e felizmente as coisas correram como eu esperava. Acho que o balanço é completamente positivo, pois contribuí para o objetivo do clube: a manutenção», assume Fábio Espinho em conversa com A BOLA. «Claro que o facto de ter jogado no Moreirense pesou no momento da decisão. Sempre mantive uma excelente relação com toda a estrutura e eles também quando souberam da minha situação fizeram questão de saber a minha disponibilidade em regressar. Foi assim que surgiu a oportunidade», acrescenta. Objetivo: afirmação no Málaga Habituado a ter um papel importante nas equipas que tem representado ao longo da carreira, o médio de 30 anos sente que está em dívida com o clube que o contratou no verão de 2015 e promete trabalhar no máximo para merecer a confiança do novo treinador do Málaga, o espanhol Juande Ramos. «Tenho mais um ano de contrato. O meu desejo passa por regressar ao Málaga e conseguir afirmar-me, uma vez que não tive essa oportunidade a temporada passada. Desde que cheguei, procurei sempre trabalhar no máximo e, das poucas oportunidades que tive, acho que estive bem. Agora, as decisões cabiam ao treinador [n.d.r. Javi Gracia] e eu só tinha de respeitar», reconhece Fábio Espinho, sem esquecer o trabalho que desenvolveu na Bulgária, fundamental para dar o salto para uma das «melhores ligas do mundo»: «Foram dois anos completamente espetaculares na Bulgária. O primeiro ano quando cheguei consegui ganhar tudo. No ano seguinte abrilhantámos ainda mais o nosso percurso com a participação na Liga dos Campeões. Fui muito feliz na Búlgária. Sinto também que fui um jogador muito importante num sítio onde me senti muito bem e valorizado. Com o que fiz lá consegui dar o salto para o campeonato espanhol, uma liga de sonho para muitos jogadores. Ficou o sabor amargo na época de estreia, mas espero ter a minha oportunidade este ano.» O que faltou para ter outra carreira…em Portugal Fábio Espinho cumpriu toda a sua formação no FC Porto, mas nunca conseguiu chegar à equipa principal dos dragões - ainda esteve duas temporadas na equipa B, seguindo depois para o Sporting de Espinho. Chegou à Liga em 2009 pela porta do Leixões e destacou-se no Moreirense, ao ajudar a equipa a subir da Liga 2 ao principal escalão do futebol português, em 2011/2012. As duas temporadas em Moreira de Cónegos despertaram o interesse do Ludogorets e depois, como já referido, deu-se o salto para o Málaga. Mas afinal o que faltou para Fábio Espinho conseguir chegar a um dos designados grandes do futebol português? «Esperava fazer outra carreira aqui em Portugal, mas assim não foi possível... Não escondo que perspetivava outro tipo de carreira no meu país, mas não sei quais foram os motivos para isso não acontecesse...Mas consegui lá fora o que não consegui em Portugal e fico também feliz por isso», remata....
IDALÉCIO: DOS RELVADOS PARA UM DOS MAIS FAMOSOS RESTAURANTES LONDRINOS . Idalécio arrumou as chuteiras aos 38 anos, dando por encerrada a carreira no Quarteirense, em terras algarvias, a região que o viu nascer, depois de ter jogado no principal do escalão do futebol português ao serviço de SC Braga, Rio Ave, Nacional e Farense. Em 2013, depois de uma incursão com pouco sucesso no ramo imobiliário, decidiu emigrar para terras de Sua Majestade. Há três anos que está em Londres e, a A BOLA, garante que o único arrependimento foi não ter tomado a decisão mais cedo. Trabalha no Novikov, um dos restaurantes mais famosos de Londres, por onde passam grandes nomes do futebol, e sempre que possível não perde oportunidade de se fotografar com os craques: «É engraçado agora ser eu a pedir para tirar fotos, quando já estive do outro lado, com os adeptos a pedirem para posar com eles.» Mas nem tudo foi um mar de rosas. «Primeiro vim sozinho. Tinha cá um cunhado que me ajudou com a estadia, só passados uns quatro meses é que vieram a minha mulher e as minhas filhas. Não tinha qualquer experiência de nada, mas arregacei as mangas e fui à luta. Primeiro trabalhei num casino no centro de Londres, era team manager, depois fui servir às mesas no Caffé Concerto, onde tive a felicidade de encontrar outros portugueses que me ajudaram bastante na aprendizagem do funcionamento do que tinha de fazer, seguiu-se uma empresa melhor, o Duck and rice, cujo proprietário é um chinês muito conhecido, Alan Yau, até que fui a uma entrevista no Novikov, cujo manager é filho de um antigo futebolista, o Décio Barroso, mas fiz questão de deixar claro que queria que me contratassem para ser útil e não como amigo», explica. Idalécio é Chef D´Pass, ou seja, faz a ligação entre os empregados de mesa e os chefs de cozinha. Uma espécie de supervisor, mas com muito trabalho pela frente… «Durante a semana servimos entre 80 a 100 almoços e 300 a 400 jantares, ao fim de semana é uma autêntica loucura», conta. E é curiosa a resposta a como é que um futebolista se adapta a estas andanças: «Temos de ser pessoas equilibradas e o futebol dá-nos mais capacidades do que aquilo que as pessoas pensam. Ainda há muito o estigma de se olhar para o jogador como sempre um burro, que só sabe fazer aquilo. Mas, não é bem assim.» FC Porto e Sporting de Londres Mas o bichinho do futebol continua bem presente e em Londres já representou as equipas locais de FC Porto e Sporting. - No ano em que cá cheguei fui convidado por uns amigos a jogar no FC Porto of London, treinava às sextas à noite e jogava aos sábados, antes de ir para o trabalho, sempre como amador, claro. Depois fui convidado pelo Sporting de cá para ir a uma digressão à Madeira durante quatro dias. Agora joga umas futeboladas com os amigos, diverte-se e mantém acesa a chama do passado, do qual já sente algumas saudades. «Há sempre uma certa nostalgia. Mas tenho enorme orgulho no percurso que fiz Um benfiquista que marcou na Luz Idalécio diz que utiliza o Facebook como forma de se manter mais perto dos amigos e da família, o que sente mais falta de Portugal, e recentemente uma prima que o visitou levou-lhe um gorro e um cachecol do Benfica e tem postado algumas fotos à benfiquista por diversão «e não para gozar com ninguém». Assume-se benfiquista, mas não esquece o golo que marcou na Luz! «Sim, sou adepto do Benfica, mas isso não me impediu de lhes marcar um golinho na Luz, em 1997 (risos)», recorda, o encontro da 1.ª jornada, da época 1996/1997, em que o SC Braga empatou (1-1), na Luz, e Idalécio marcou a Michel Preud’homme, aos 84 minutos, depois de Hélder ter marcado, de grande penalidade, aos 82. Tem um vídeo dos melhores momentos De Evra, a Lampard, Drogba, John Terry e tantos outros craques. Idalécio diz ter o privilégio de os ver e servir no restaurante Novikov e quando possível, sem os incomodar, lá pede para tirar uma foto e, por vezes, revela já ter sido jogador e até lhes mostra no telemóvel um vídeo dos melhores momentos da carreira. «Passam por cá tantos… Portugueses já vieram Ricardo Quaresma, Raul Meireles, Bosingwa, Cédric, José Fonte. O vídeo? (risos) Quando sinto que não estou a incomodar mostrou-o. Uma história engraçada? Com o Evra. Pedi para tirar uma foto, ele aceitou, mas depois disse logo que não a podia publicar em lado nenhum. Aliás, o segurança dele veio dizer isso e o meu colega que tirou a foto, um italiano, ficou com tanto medo que nem me enviou a foto (risos). Mas, no geral são todos simpáticos e acessíveis», salienta. Embora esteja longe do sol algarvio, Idalécio afirma estar feliz com a família em Londres: «Sinto-me muito bem. Realizado com a carreira que tive no futebol, da qual guardo grandes momentos, principalmente no SC Braga, numa altura em que o clube estava em crescimento, e atualmente fico muito contente de ver os ver num patamar elevado, e esta fase da minha vida além futebol está a ser uma experiência muito positiva. As minhas filhas integraram-se com muita facilidade, estão felizes, e isso é fundamental.» Fotos gentilmente cedidas por Idalécio...
PAULA REGO TREINA NO QATAR JÁ LÁ VÃO SEIS ANOS . Paula Rego, de 40 anos, chegou ao Qatar a 13 de março de 2010, para acompanhar o marido, Francisco Batista, também ele treinador, mas depressa chegou a acordo com o Qatar Womens Sport Commite (QWSC) para assumir o cargo de selecionadora de futsal do Qatar. A partir daí nunca mais parou. Já se passaram meia dúzia de anos e a portuguesa continua no Médio Oriente. Está acompanhada pelo marido e pelo filho mais novo e deixou mais dois rebentos em Portugal: «Estão com os avós, pois, na altura, estavam a meio de percurso curricular. Mas já vieram ao Qatar algumas vezes.» Depois de ter assumido o comando técnico da seleção feminina de futsal do Qatar, Paulo Rego já passou por outros clubes e agora também acumula as funções de professora de Educação Física. Fique a conhecer o percurso de seis anos contado na palavra de Paula Rego. - Estive no comando da seleção feminina de futsal durante ano e meio, em que apenas realizámos alguns jogos particulares regionais. As jogadoras eram selecionadas em escolas durante aulas de Educação Física ou em torneios organizados pelo Commite da Mulher. Depois regressei ao ensino, fui dar aulas de Educação Física para uma escola internacional (Newton International School). Em 2012 fui convidada por um club local (Al Khor Sports Club ) para orientar a equipa feminina de futebol numa liga entre nove equipas, onde permaneci dois anos. Vencemos a liga e a Taça Sheikha Joan no primeiro ano e no segundo ficámos em segundo na liga e perdemos a final da taça. Em 2013 fui dar aulas para outra escola internacional, SEK International School (escola de origem espanhola com mais de 140 anos), onde ainda estou. Nesta escola treino camadas jovens (masculino e feminino futebol), participamos em torneios interescolas, ligas organizadas pelo QUESS (Qatar Unated English Speaking Schools) e no programa que o Qatar oferece às escolas SOP (Schools Olimpic Programme), organizado pelo governo para desenvolver e incentivar o desporto na comunidade. Já arrecadámos vários primeiros lugares, bem como o prémio de escola revelação no ano passado. Este ano pela, segunda vez, estamos a participar no torneio anual da Volkswagem Juniors Masters, no qual nos sagrámos campeões do Qatar e iremos disputar o apuramento de campeão absoluto a 18 e 19 deste mês, no Dubai, e tentar chegar à final mundial, que se realiza em Paris. Nas ligas estamos bem encaminhados para sermos campeões em sub-12 masculino e sub-13 feminino. Recentemente também treinei o escalão de Toddlers numa academia SFQ (Sheikh Faisal Qassim). É só bombas a rolar na estrada Após seis anos no Qatar, Paula Rego já se habituou ao trânsito louco da capital Doha. Mas aina fica de queixo caído... «A frota automóvel é um encanto! Rolls Royces, Ferraris, Lamborghinis, Maseratis, Bentleys, Mustangs, Corvettes… são marcas que rolam na estrada a toda a hora. Claro, o trânsito é de loucos», conta. Mas quando chegou o que mais a lhe fazia confusão era «algumas mulheres andares completamente tapadas com um lenço preto». Depressa se adaptou aos hábitos e garante nunca se ter sentido discriminada por ser mulher. Campo destruído por causa de uma cobra Desafiada a partilhar com os leitores de A BOLA Online uma história engraçada que tenha vivido na terra do petróleo, a treinadora não hesitou e até contou duas! - Um dia estava a dar treino e, de repente, vejo as jogadoras todas a correr para os balneários. Fiquei sozinha com as bolas no meio do campo sem perceber o que se estava a passar. Olhei à minha volta para ver se havia algo de errado e, percebendo que não iam regressar, fui ao balneário ver o que se passava. Foi então que uma rapariga me disse: «Coach! A man, a man!» O que se passou foi que uma delas viu um senhor da limpeza e como treinavam destapadas correram para se esconder. Claro, tive que pedir ao senhor para se retirar para retomarmos o treino. Outra que não me esqueço foi ter estado sem treinos nem jogos por causa de uma cobra que apareceu no campo de futebol... Só que destruíram o campo todo para encontrar a casa da cobra! (risos) 40 minutos para fazer... sete quilómetros O dia começa bem cedo para Paula Rego: «Às 5.15 da manhã, com o preparar para ir para a escola, as aulas começam às 7, mas antes há que enfrentar 40 minutos de trânsito para fazer pouco mais de sete quilómetros.» E para sair não há hora: «Depende dos dias, visto haver jogos a seguir aos tempos letivos. Depois há o levar e buscar o filhote, os treinos que dou na SFQ e depressa chega a hora de ir descansar.» Mas, é como diz o ditado popular: Quem corre por gosto não cansa! Se a convidarem volta a treinar em Portugal A pergunta impõe-se e a resposta é sincera: Em Portugal foi a primeira mulher a treinar uma equipa sénior masculina, o Granja Ulmeiro, da 3.ª Divisão. Pensa regressar ao país para treinar? - Claro que sim! Mas não depende só de mim treinar em Portugal, é preciso que me convidem! Tenho alguns projetos mas, para já, estou focada em vencer a competição no Dubai para podermos marcar presença na final de Paris, em maio. Fotos gentilmente cedidas por Paula Rego ...
CALADO CHEGA À BUNDESLIGA. Além de alguns futebolistas de renome portugueses como Vieirinha, Hugo Almeida e Henrique Sereno, o futebol alemão é cada vez mais uma elite também para os treinadores lusos. Nesse prisma, o nosso representante de momento é Diogo Calado, pouco conhecido por parte do público mas um jovem com um potencial e ambições elevadas, em especial por ter chegado a uma das mais fortes nações do futebol internacional, com 31 anos de idade. A carreira de Calado conta já com experiências em três países diferentes - incluindo Portugal, bem entendido - e conduziu-o até ao histórico Energie Cottbus, emblema no qual trabalha como treinador adjunto da equipa B com a perspectiva de continuar a aprender a chegar ainda mais longe por terras germânicas. Cumpre esta experiência no Energie Cottbus. Como surgiu esta oportunidade? - Eu fiz aquilo que muitos de nós fazemos, que é ir enviando CV`s. Tive a sorte de o Energie Cottbus ter demonstrado interesse em falar comigo fruto da minha experiência mas também porque a barreira da língua poderia ser ultrapassada graças ao facto do treinador da equipa B na época transacta ser brasileiro. Há quanto tempo se encontra na equipa técnica da equipa B do Energie Cottbus? Como tem corrido a experiência até ao momento? - Desde o início de janeiro de 2015 e tem sido gratificante. Quando cheguei falava tanto alemão quanto o José Cid na canção "Um grande, grande amor" mas fui muito bem aceite e agora que já passou mais de um ano, posso dizer que percebo a razão pela qual a Alemanha está na elite do futebol mundial há tantos anos. Os alemães são muito organizados e focados no trabalho e têm todo o futebol estruturado para providenciar as melhores condições de trabalho aos treinadores e aos jogadores. Antes disso, houve contatos para trabalhar na Guiné como adjunto do Sp. Bissau, mas nunca chegou a concretizar-se. Na época passada apenas trabalhou no Energie? Quando chegou à Alemanha? - Sim, na época passada (2014/2015) só orientei o Energie Cottbus B. Cheguei em dezembro de 2014 e comecei a trabalhar na equipa em janeiro de 2015 depois de ter acertado tudo com os responsáveis do clube. Antes da Alemanha teve uma experiência em São Tomé e Príncipe, como coordenador do futebol de formação do país. Entre um país e outro, houve algo mais pelo meio? - Entre S. Tomé e Príncipe e o Cottbus houve 2 meses e meio - março a maio de 2014 - a fazer o que mais gosto (treinar) nos Juvenis do Alcainça AC. A equipa só tinha uma vitória até ao momento, só tinha 18 jogadores e ficou sem treinador a meia dúzia de jogos do fim do campeonato. Normalmente eu deveria ter ficado quieto em casa, mas aceitei o desafio e foi das equipas que mais gostei de treinar até hoje. Aqueles 18 miúdos ficarão para sempre no meu coração! Até ao momento trabalhou em 3 diferentes países - Portugal, São Tomé e Alemanha. Quais são as grandes diferenças entre os três em termos de condições de trabalho? - Exacto. Sempre São Tomé e Príncipe ou quem nos ler no Príncipe vai-me ligar ou escrever a reclamar (risos)! Responder a essa pergunta dava para escrever um livro. São Tomé e Príncipe tem 2 sintéticos na capital, um dos quais com dimensões mínimas (em breve vai ter um 3.º sintético, localizado no Príncipe) e as equipas treinam com 2 ou 3 bolas. Em Portugal brinca-se ao futebol com a generalidade das equipas a dispor de um sintético para todas as equipas do clube, treinando-se em meio-campo com o tempo todo contado ao segundo (saem os infantis, entram os juvenis, saem os juvenis, vêem os seniores!). Na Alemanha todo o clube, mesmo da aldeia mais pequena, tem um campo relvado, ao lado um campo também relvado de apoio para as equipas treinarem e ainda um campo com balizas de futebol de 7. Como descreve a competitividade da Oberliga (V Divisão alemã), onde se encontra o Energie Cottbus B actualmente? - A Oberliga tem muitas semelhanças com o que agora se chama de Campeonato de Portugal, antes CNS e 2a B. Os campos, o público e a competitividade são muito semelhantes. A diferença no estilo de jogo é que a generalidade das equipas na Oberliga têm um estilo bastante ofensivo, jogando sempre para a frente mesmo que já estejam a ganhar por 1 a 0. Em Portugal joga-se muito no erro do adversário e quando se marca um golo, regra geral, começa-se a organizar tudo para "fechar a loja" lá atrás! No espaço de uma semana o Sporting e o FC Porto defrontam por duas vezes dois poderosos clubes alemães, o Bayer Leverkusen e o Borussia Dortmund, respectivamente. Como residente na Alemanha e muito provavelmente seguidor da Bundesliga, quais entende serem as hipóteses de ambos perante estes adversários? - À partida a tarefa de Porto e Sporting afigura-se bastante difícil. Penso que tanto o Borussia como o Bayer partem como favoritos e os jogos em solo alemão serão o factor decisivo pelo ambiente em redor mas também porque Borussia e Bayer são equipas muito fortes a jogar em casa e sem problemas em assumir o jogo. Mas não são invencíveis! Quais são os seus objectivos imediatos, continuar na Alemanha? Onde perspectiva estar a longo prazo? - Depois de ter aprendido alemão do zero e de ter passado pelo período de integração e adaptação só uma grande oportunidade me faria abandonar a Alemanha rumo a outro lugar nos tempos mais próximos. Além do mais neste país a competência é valorizada. A longo prazo apenas faço questão de continuar a fazer o que mais gosto onde for bem recebido e onde me sentir bem, seja na Alemanha, em São Tomé e Príncipe ou noutro lugar qualquer. O êxito para mim não se mede pelo dinheiro, vitórias e prestígio, mas pelo prazer que retiro de cada vez que entro num campo para treinar ou jogar. Com a idade que tenho ainda me restam vários anos de carreira. Por certo que um dia vou querer experimentar assumir o comando técnico de uma equipa sénior e quem sabe comandar uma seleção nacional (não necessariamente Portugal). O futebol de seleções foi algo que sempre me fascinou. ...
 

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